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O impacto do Brexit na oferta de medicamentos no Reino Unido e em toda UE

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Um documento publicado ontem, dia 29 de janeiro de 2018, pela Brexit Health Alliance (BHA), advertiu que o plano do Reino Unido para deixar a União Europeia (UE), chamado de Brexit, pode ter sérias implicações para o acesso dos pacientes ingleses aos medicamentos e às tecnologias médicas. A publicação “Brexit e o impacto sobre o acesso do paciente a medicamentos e tecnologias médicas” ressalta que, a menos que consigam chegar a um acordo, a obtenção desses remédios e possibilidades tecnológicas pode ser atrasada ​​ou até mesmo interrompida.

Pacientes dos países membros da UE também poderão ser impactados com atrasos ou interrupção do fornecimento de medicamentos. A título de exemplo, a BHA alerta que até 120 mil pacientes com câncer de próstata em toda a Europa podem ser afetados se os negociadores do Brexit não encontrarem uma solução para a futura cooperação entre o Reino Unido e a UE sobre regulamentação e comércio de medicamentos e dispositivos médicos.

Por exemplo, um remédio contra o câncer de próstata, feito em um processo altamente sofisticado no Reino Unido e usado em 80 países, incluindo toda a Europa, é um dos muitos que correm o risco de uma interrupção do fornecimento em um cenário de “não negociação”.

Imagem Brexit e Saúde

Além disso, o futuro da pesquisa de novas drogas e tecnologias médicas também pode ser afetado. Aproximadamente 750 ensaios clínicos liderados pelo Reino Unido, e feitos em conjunto com vários outros Estados membros da UE, poderão estar em risco, após março de 2019, se não houver um plano sobre como aprovar e gerenciar esses ensaios multinacionais com os parceiros europeus.

Por sua vez, pacientes com doenças raras também poderão ser mais impactados se o Reino Unido não fizer mais parte dos acordos de toda a Europa para promover o desenvolvimento de drogas para esses grupos. Entre 6.000 e 8.000 doenças raras afetam as vidas diárias de 30 milhões de pessoas na União Europeia. Até o momento, esta autorizou 141 medicamentos e designou 1.508 produtos como remédios para tratamento de doenças raras.

Sobre a possibilidade de atraso no acesso a novos medicamentos, a BHA ressalta a experiência da Suíça, que não é membro da Agência Europeia de Medicamentos (EMA, sigla em inglês). Apesar de ter uma série de acordos de comércio com a UE, estima-se que a Suíça demore em média 157 dias para ter disponíveis as novas drogas já lançadas no Bloco europeu. Na Austrália e no Canadá, os novos remédios chegam ao consumidor em média entre 6-12 meses após o lançamento na UE ou nos EUA. Isso ocorre porque as empresas farmacêuticas focam seus novos produtos em mercados maiores. Enquanto os países abrangidos pela EMA representam 25% das vendas mundiais de produtos farmacêuticos, o Reino Unido representa apenas 3%.

Logo da Brexit Health Alliance

A BHA está trabalhando para garantir que questões como pesquisa em saúde, acesso a tecnologias e tratamento de pacientes recebam a devida atenção nas negociações do Brexit. A Aliança também solicitou ao governo do Reino Unido que assegure um compromisso com a pesquisa médica e forneça financiamento alternativo, e que o direito dos seus cidadãos de receber cuidados de saúde nos países da UE seja preservado.

Qualquer falha por parte dos negociadores do Brexit para chegar a um acordo sobre a regulamentação e o comércio de medicamentos e dispositivos médicos poderá ter um impacto negativo para os pacientes, algo que não é interessante tanto para os países que compõem o Reino Unido como também para todos os membros do Bloco Europeu.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Negociações do Brexit”:

https://www.med-technews.com/downloads/656/download/brexit.jpg?cb=fda20bf87434cbfe7b4c35d107dd2e3a&w=1000&h=

Imagem 2Imagem Brexit e Saúde” (Fonte):

https://www.hpcismart.com/images/website/ManChemNews/DIR_34/F_50387.jpg

Imagem 3Logo da Brexit Health Alliance ” (Fonte):

http://www.nhsconfed.org/-/media/Confederation/Images/logos/NHSC-NHSE/BHA-logo.jpg?h=190&w=380&la=en&hash=10060302A9860BD097409777E5C8BB9FD28801F3

                                                                                     

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Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

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