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[:pt]O impacto econômico da década da nutrição: US$ 16 de retorno para cada US$ 1 gasto[:]

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Em abril de 2016, a Assembleia Geral das Nações Unidas acatou a Resolução apresentada pelo Governo brasileiro e proclamou a Década de Ação sobre Nutrição (2016-2025), reconhecendo, assim, a necessidade de erradicar a fome e evitar todas as formas de desnutrição no globo. Na ocasião, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apresentou o panorama nutricional no mundo: 800 milhões de pessoas permanecem cronicamente subnutridas e mais de 2 bilhões sofrem deficiências de micronutrientes.

Contudo, a má nutrição não se resume à desnutrição, incluindo também o sobrepeso e a obesidade. Para a FAO, 159 milhões de crianças menores de 5 anos apresentam elevados graus de subnutrição e 50 milhões de crianças registram baixo peso para a sua altura. Ao mesmo tempo, outros 1,9 bilhão de pessoas estão acima do peso, sendo 600 milhões obesas.

Recentemente, dois documentos têm contribuído para alimentar os debates na década dedicada à nutrição. A publicação “Nutrindo Milhões: Histórias de transformação em nutrição”, coordenada pelo Food Policy Research Institute (IFPRI), traz estudos de casos sobre projetos de combate à desnutrição, em países como Brasil, Bangladesh, Etiópia, Nepal, Peru, Tailândia e Vietnã. De acordo com o estudo, estima-se que a desnutrição reduz o Produto Interno Bruto (PIB) Global em 2,1 trilhões de dólares por ano.

O segundo documento, “Da Promessa ao impacto: erradicando a má nutrição até 2030”, traz o panorama da nutrição mundial em 2016 e mais detalhes sobre a relação entre a nutrição e a economia. A cada ano, a má nutrição representa prejuízos de 11% no Produto Interno Bruto de países da África e da Ásia. Por outro lado, estima-se que a prevenção da má nutrição forneceria um retorno sobre investimento de 16 dólares para cada dólar gasto. Em outras palavras, os prejuízos anuais no PIB com o baixo peso, o crescimento infantil insuficiente e as deficiências de micronutrientes são, em média, maiores do que os prejuízos sofridos durante a crise financeira entre 2008 e 2010.

De acordo com o relatório, a subnutrição pode ser verificada a partir de: 1) do atraso no crescimento: criança com pouca altura em relação à sua idade; 2) emaciamento infantil: criança com peso baixo em relação à sua altura; 3) sobrepeso infantil: criança pesada demais para a sua altura; 4) sobrepeso em adultos: adulto com excesso de gordura corporal e um índice de massa corporal ≥ 25; 5) deficiência de micronutrientes: ferro, vitamina A, zinco, iodo e ácido fólico abaixo dos limites saudáveis; 6) obesidade em adultos: adulto com excesso de gordura corporal e um índice de massa corporal ≥ 30; e 7) doenças não transmissíveis: diabetes, doenças cardíacas e alguns tipos de câncer.

De fato, a nutrição é um elemento transversal na Agenda 2030, relacionada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O Relatório destaca que ao menos 12 dos 17 ODS contêm indicadores altamente relevantes para a nutrição, considerando ser a base do avanço da saúde, da educação, do emprego, do empoderamento feminino e da redução da pobreza e da desigualdade. Além disso, a pobreza e a desigualdade, a água, o saneamento básico e a higiene, a educação, os sistemas alimentares, as mudanças climáticas, a assistência social e a agricultura impactam diretamente nos indicadores nutricionais.

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Imagem (Fonte):

https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2016/04/15823722885_684ad3f254_k-e1459889700718.jpg

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João Antônio dos Santos Lima - Colaborador Voluntário

Mestre em Ciência Política na Universidade Federal de Pernambuco e graduado em Relações Internacionais na Universidade Estadual da Paraíba. Tem experiência como Pesquisador no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no projeto da Cooperação Brasileira para o Desenvolvimento Internacional (Cobradi). Foi representante brasileiro no Capacity-Building Programme on Learning South-South Cooperation oferecido pelo think-tank Research and Information System for Developing Countries (RIS), na Índia; digital advocate no World Humanitarian Summit; e voluntário online do Programa de Voluntariado das Nações Unidas (UNV) no projeto "Desarrollar contenido de opinión en redes sociales sobre los ODS". Atualmente, mestrando em Development Evaluation and Management na Universidade da Antuérpia (Bélgica) e Embaixador Online do UNV na Plataforma socialprotection.org.

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