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Independente do posicionamento político ou ideológico, os principais meios de comunicação europeus ficaram atônitos após a votação do impeachment na Câmara dos Deputados do Brasil, havendo uma profusão de críticas e até mesmo sátiras nos principais jornais e revistas da União Europeia, em relação ao comportamento dos representantes do povo brasileiro e o próprio andamento do processo. 

Na perspectiva desses meios e comunicação, o impeachment, desde o princípio, se mostrou como um grande espetáculo mediático. Antes mesmo de sua votação, a formação da Comissão Especial para o processo foi alvo de críticas, não em relação à natureza que gerou o pedido de impedimento da Presidente, mas pela formação dos membros que integravam a Comissão, onde, conforme divulgado, mais de 60% estavam diretamente envolvidos nas investigações contra corrupção, que tanto havia abalado a confiança e estabilidade no país.

Segundo os jornalistas, a Sessão na Câmara dos Deputados foi o ápice do espetáculo oferecido pelos políticos do Brasil, de ambos os lados. Em suas palavras, discursos demagógicos, teosóficos, pessoais e até mesmo saudosistas, onde o decoro necessário dentro da chamada “Casa do povo” ficou de lado, dando lugar a um cenário que, conforme opinaram, oscilava entre o trágico e o cômico.

Jornais como o espanhol El Pais analisaram o discurso dos deputados brasileiros, assim como revistas importantes, como a The Economist.

A situação do Brasil, ainda que não discutida abertamente no âmbito político europeu, por se tratar de uma questão interna, é um tema importante para países como Espanha, Portugal, Itália, Alemanha e outros que possuem relações comerciais e políticas com o Estado brasileiro.

O Brasil é uma peça chave para o equilíbrio regional, além de ser a principal porta de entrada das empresas e investimentos da Europa no continente. Mesmo com a recuperação ou desempenho de outras economias, como a argentina ou a chilena, nenhuma, até o momento, possui a capacidade de substituir o papel brasileiro como líder latino e como principal mercado. Ainda que esteja passando por uma crise, o país reúne uma série de características que lhe atribuem uma determinada importância no cenário internacional. Dentre elas: recursos naturais, grande população e território, diversidade geográfica, influência diplomática com os países do Sul e diversidade produtiva.

A pesar das críticas, são poucos os que se atrevem a emitir um prognóstico sobre o futuro político do Brasil. A única conclusão comum é que o lado vitorioso, após o término do processo de impeachment, seja ele o atual Governo, ou uma nova formação pós-Dilma, enfrentará não somente os desafios da economia, como também terá de recuperar a credibilidade interna e a coesão social, além de recuperar a credibilidade e imagem do país no panorama internacional. Ou seja, terá de enfrentar todos esses desafios, em meio a um mundo com baixo crescimento econômico, crescente tensão social e política, expansão do terrorismo e o prenúncio de uma nova era de estagnação mundial.

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Imagem (Fonte): 

http://imagens3.publico.pt/imagens.aspx/1013573?tp=UH&db=IMAGENS

Wesley S.T Guerra - Colaborador Voluntário Sênior

Atua como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.

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