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As 18h01 do dia 8 de julho de 2011, sendo sacramentado no dia 9 de julho (último sábado), nas festas de “Proclamação da Independência”, o “Sudão do Sul” tornou-se o mais jovem Estado soberano do mundo, dando encerramento a um processo iniciado com o Acordo firmado em 2005, após 12 anos de guerra civil, que resultou em 1,5 milhão de mortos.

 

Em janeiro deste ano (2011), 99% da população do sul havia votado a favor da separação e aguardava que o processo se concretizasse com as negociações que estavam sendo realizadas e culminaram com o reconhecimento por parte do presidente sudanês Omar Bashir, que reconheceu na última sexta-feira a independência da região sul.

Apesar da alegria manifestada em Juba, a capital do novo país, analistas, observadores internacionais e o próprio secretário-geral da ONU, Ban Ki-moom alertam que o “Sudão do Sul” nasce a beira de uma crise gigantesca, já que surge caracterizado como um dos países mais pobre do mundo e com grandes problemas institucionais a resolver, além de correr o risco de entrar em guerra com seu antigo território do norte ou de gerar nova guerra civil.

Segundo dados de instituições internacionais, o “Sudão do Sul” apresenta excepcional taxa de mortalidade materna, bem como de mortalidade infantil, estando esta como a mais elevada do planeta. A maioria das crianças está fora das escolas e o país detém um índice de analfabetismo na casa de 85%, contando ainda com a taxa de escolaridade mais baixa do mundo.

Não se sabe precisamente qual é a sua população, com dados oscilando entre 7,5 e 9,5 milhões de habitantes numa área significativamente grande (superior ao Quênia, Ruanda e Uganda, juntos). De acordo com os dados divulgados na mídia, 90% da população vive com US$ 0.50 por dia e apenas 1% tem conta bancária. Para complicar a questão econômica, o anterior Sudão (norte e sul juntos) é rico em petróleo, sabendo-se que 80% das reservas e extração eram provenientes dos campos do Sul, mas a infra-estrutura para refino e transporte está quase totalmente concentrada no norte, resultando que o novo país nasce com apenas 320 km de estradas e sem logística para efetivar o desenvolvimento de uma economia sustentável.

Apesar do reconhecimento do novo Estado, ficou em aberto o pagamento da dívida pública do antigo Sudão que terá de ser dividida entre os dois novos governos, como parte do Acordo.  Começa a explodir o problema da nacionalidade, pois os “sudaneses do sul” perderam a anterior cidadania sudanesa e começam a migrar em massa para o antiga região de origem, mas ainda não há instituições suficientes para garantir respaldo jurídico, tanto que, como exemplo do vazio institucional, não se tem informações precisas sobre como serão resolvidos problemas imediatos como o da confecção e impressão de cédulas de dinheiro, selos postais e selos institucionais, embora tenha sido anunciado que este problema já foi resolvido.

Acrescente-se que as fronteiras entre as regiões do norte e do sul não estão definidas, havendo o risco de explodir um novo conflito entre os dois países, gerado imediatamente pela disputa sobre a soberania da região de Abyei, que detém grandes campos de petróleo.

Existia a previsão de um referendo no local para decidir sobre onde desejariam ficar, mas as tensões são grandes, graças à riqueza do local, logo, graças as perdas que podem resultar na escolha pelo lado oposto. A ONU já mobiliza tropas para deslocar à região, mas os especialistas alertam que o número divulgado (7.000 militares) é inferior ao necessário para tentar manter o controle.

Ressalte-se ainda que o norte é habitado predominantemente por árabes muçulmanos sunitas, enquanto o sul é habitado por cristãos. As diferenças tendem a gerar mais antagonismos. Acreditam contudo os especialistas que haverá um momento de tensão para resolver as pendências entre o norte e o sul, mas que poderá ser contornado com investimentos das potências mundiais que olham para a produção de petróleo. É algo que talvez explique as recentes reuniões entre os presidente sudanês e o presidente da China, ocorridas em território chinês recentemente. Como observadores tem afirmado, novamente a China está saindo na frente.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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