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O novo pacote de cooperação econômico-militar oficializado entre Estados Unidos e Israel na última semana recria em valores financeiros e na condução geopolítica do Oriente Médio cenários variados que inserem os dois Estados como protagonistas em um provável realinhamento armamentista de larga escala.

Embora Israel seja o principal aliado estadunidense na região desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o novo Acordo de ajuda militar expõe que a centralização de forças impulsiona outros atores a procurarem os mesmos mecanismos para reequilibrar a balança de poder da região, dentre os quais os países membros do bloco denominado Conselho de Cooperação do Golfo (GCC na sigla em inglês).

O pacote de ajuda, que totaliza US$ 38 bilhões para os próximos 10 anos, foi assinado por Jacob Nagel, Conselheiro de Segurança do Estado de Israel, Thomas A. Shannon Jr, Subsecretário de Estado para assuntos políticos, e Susan E. Rice, Assessora de Segurança Nacional da Presidência dos Estados Unidos, em cerimônia no Departamento de Estado e prevê um acréscimo no montante em comparação ao último acordo estabelecido, de US$ 3,1 bilhões para US$ 3,8 bilhões, para o próximo período de 2019 a 2028.

Conforme observadores internacionais consultados, o novo plano militar firmado expõe a profunda relação existente entre Estados Unidos e Israel que, através do tema segurança, cria as bases para mitigar o avanço de extremistas nas fronteiras do Estado Israelense.

Por essa vertente que os investimentos preveem a manutenção e ampliação do sistema de defesa antimíssil conhecido como “Iron Dome”, que procura absorver os ataques de foguetes de curto alcance lançados por grupos militantes políticos, como o Hizbollah, do Líbano, e o Hamas, alocado na região da Faixa de Gaza.

Segundo anúncio do Departamento de Estado, outros investimentos previstos remetem ao desenvolvimento de tecnologia capaz de neutralizar ameaças vindas do subterrâneo dos territórios ocupados, uma ferramenta capaz de detectar os túneis que ligam os assentamentos palestinos ao centro das principais cidades israelenses. Mais uma iniciativa acordada no pacote é a entrega do primeiro avião do Programa Joint Strike Fighter, o F-35, da empresa estadunidense Lockheed Martin.

No âmbito diplomático, Tel-Aviv negociou o Acordo sempre com a premissa de alcançar mais financiamento e outras concessões, uma estratégia da qual o Primeiro-Ministro israelense optou, por entender a necessidade de demonstrar força e evitar qualquer associação ao Acordo Nuclear do Irã, haja vista que a posição israelense sobre o tema saiu enfraquecida em virtude da oposição às tratativas alcançadas e, por conseguinte, qualquer manobra inicial de flexibilidade poderia soar como enfraquecimento de sua posição de líder.

Segundo especialistas em Oriente Médio, a questão tomou novos rumos nos últimos meses de diálogo, pois havia entendimentos de que a administração Obama não abriria a renegociação dos termos propostos. As incertezas que cercam sobre quem será o novo mandatário a assumir a Casa Branca, aliadas à pressão dos militares israelenses, fizeram com que o acerto fosse firmado nos termos de Obama, uma observação que deve ser levada em consideração, devido às rusgas que existem entre o líder estadunidense e o Primeiro-Ministro israelense, que dentre as suas ações apoiou explicitamente Mitt Romney, candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos em 2012, durante um discurso no Senado, em Washington.

Ao recriar as bases para manter a vantagem militar qualitativa, o Acordo de Cooperação firmado abre precedente, com interpretações de legisladores mais à direita do espectro político, assim como comentaristas de política externa de que há para a próxima década uma limitação da capacidade de Israel fazer lobby no Congresso estadunidense, uma vez que, dentre as regras desse novo pacote, não haverá injeção de investimentos no período de vigência do contrato.

Desse modo, as políticas desenvolvidas por Barack Obama no Oriente Médio, ainda conforme uma parcela de legisladores e especialistas, ao incluir o Irã na nova geopolítica da região poderá gerar perigos que possivelmente um pacote de auxílio militar de US$ 3,8 bilhões/ano não seria capaz de se equiparar a tal ameaça.

Nesse sentido, o Governo de Teerã, com o advento do descongelamento dos ativos, poderá ter acesso a novas armas e, diante deste cenário, os Estados Árabes, por temerem as ambições iranianas, passarão também a investir em mais tecnologia bélica, tal como faz Arábia Saudita que negocia US$ 115 bilhões em contratos militares, desde 2009, primeiro ano da administração Obama.

À frente de novos desafios que deverão surgir com a nova administração estadunidense certamente estará a diplomacia e as negociações necessárias diante das tensões que implicarão com este novo grau de militarização da região mais instável do sistema internacional.

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Imagem (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7f/Defense.gov_photo_essay_070418-D-7203T-023.jpg

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Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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