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A improvável vitória do republicano Donald Trump para o novo ciclo presidencial estadunidense já cria inúmeras incertezas e apreensão sobre o curso futuro que adotará o 45º presidente.

Um dos panoramas de maior sensibilidade para o momento de transição e que provavelmente determinará os próximos quatro anos dos Estados Unidos, bem como de todo sistema internacional estarão nas bases da nova política econômica.

Ao eleger Trump, a reação generalizada de incredulidade tem causado mal humor nos mercados que não apreciam incógnitas extremas e a julgar pelas tendências de alterações profundas na dinâmica comercial internacional e nas alianças econômicas, a nova matriz proposta pelo republicano ao longo da campanha poderá prejudicar a economia global.

Os entendimentos e posicionamentos do Presidente eleito indicam uma possível revolução da ordem econômica dos Estados Unidos, segundo especialistas e conselheiros que trabalharam na sua campanha. Nesse sentido, ao assumir o cargo há intenção de, através de ordens executivas, impor medidas oriundas de campanha que legitimarão unilateralmente suas promessas, principalmente políticas que envolvem o comércio, a imigração e a regulação financeira.

Em complemento, apesar da conquista da maioria republicana tanto na Casa dos Representantes como no Senado a matriz de política econômica que deseja implementar está fora dos aspectos da ortodoxia tradicional do partido e, com isso, uma estruturação bipartidária sobre questões específicas será necessária para ver os projetos aprovados, tal qual a redução de impostos, melhorias em infraestrutura, revogação do Obamacare, bem como reforma energética, promessas de campanha estas que são susceptíveis a ficarem aquém dos 60 votos necessários no Senado para avançar, caso não haja a adoção de uma coalizão bipartidária.

Como parte do desenho conjuntural inicial para o novo mandato presidencial e ainda no âmbito das incertezas, a formação do gabinete, com os principais secretários e conselheiros presidenciais dirá muito sobre os caminhos que os Estados Unidos trilharão neste novo ciclo presidencial e, por conseguinte, as interpretações e chancelas que tais membros da alta cúpula governamental trarão indicará sobre quais bases a nova política estadunidense trabalhará, principalmente na esfera econômica, a mais sensível e que influenciará decisões em todo o globo.

Para Secretário de Estado, o ex-presidente da Câmara, Newt Gingrich é um potencial candidato, assim como Senador por Tennessee, Bob Corker, atual presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado. Outro nome especulado é do ex-embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Bolton.

Na pasta de Secretário de Defesa, o ex-conselheiro de Segurança Nacional Stephen Hadley e o ex-senador por Missouri, Jim Talent já foram mencionados como potenciais candidatos. Outro nome estudado é de Mike Flynn, ex-diretor da Agência de Inteligência de Defesa, porém este precisaria uma renúncia do Congresso para empossá-lo no cargo, uma vez que a lei exige que os militares aposentados esperem sete anos antes de se tornarem líderes civis do Pentágono.

Para Secretário do Tesouro, Trump indicou Steven Mnuchin, ex-banqueiro do Goldman Sachs e atualmente presidente e executivo da empresa de investimento privado Dune Capital Management.

O novo Procurador Geral poderá ser o ex-prefeito de Nova Iorque, Rudolph Giuliani, um dos principais defensores públicos do Presidente eleito. O governador de Nova Jersey, Chris Christie e líder da equipe de transição é outro nome especulado.

A Secretaria do Interior tem como favorito Forrest Lucas, de 74 anos e co-fundador da empresa de produtos petrolíferos, Lucas Oil. Porém outros nomes são analisados, dentre os quais, Robert Grady, investidor de risco, e Donald Trump Jr, além de Sarah Palin, que não faz segredo de seu interesse em agregar a equipe de governo do magnata republicano.

Para Secretário do Comércio, o bilionário investidor Wilbur Ross Dan DiMicco, ex-CEO da sideúrgica Nucor Corp., além de Mike Huckabee, ex-governador de Arkansas, são os nomes sugeridos.

Para a pasta da Agricultura, nomes como de Sid Miller, atual Secretário de Agricultura do Texas, Sam Brownback, Governador do Kansas, Dave Heineman, ex-governador de Nebraska, Sonny Perdue, ex-governador da Geórgia, Rick Perry, ex-governador do Texas, além de Charles Hersbter, líder do agronegócio, e Mike McCloskey, executivo de lácteos em Indiana.

Outra pasta estratégica e que dialogará com a nova matriz econômica estadunidense é a Secretaria do Trabalho, para esta pasta, a equipe de transição tem procurado um CEO ou executivo para liderar o departamento. Victoria Lipnic, comissária da Comissão de Igualdade de Oportunidades de Trabalho é a mais cotada, assim como foi na equipe de transição de Mitt Romney, em 2012.

A Secretaria de Saúde e Serviços Humanos tem Rick Scott, governador da Flórida, Newt Gingrich e Ben Carson, pré-candidato presidencial do Partido Republicano, como os mais cotados. Outro nome mencionado foi de Rich Bagger, ex-executivo farmacêutico.

Para a pasta de Segurança Nacional, o único nome até o presente momento estudado é de David Clarke, xerife do condado de Milwaukee, Wisconsin. Clarke discursou na Convenção Nacional Republicana em Ohio e fez a declaração “Blue lives matter em alusão ao “Black lives matter” das manifestações contra as ações policiais que renderam em assassinatos de jovens negros desarmados.

A Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) que foi cogitada por Trump para ser extinta e poderá ter como secretário Myron Ebell, funcionário do Instituto de Empresas Competitivas e questionador da tese sobre aquecimento global. Outro nome especulado é do investidor de risco Robert Grady.

A tendência para o novo ciclo presidencial é de adoção de gestores corporativos e não de políticos de carreira, isso poderá acarretar em um novo formato de fazer política e angariar novas experiências que somente a história poderá julgar. Por essas medidas, no plano econômico, a tendência é uma gestão mais centralizada e pautada em esforços que buscarão o recrudescimento do papel global dos Estados Unidos, uma das matrizes de campanha de Donald Trump, que projeta um país forte novamente, mas mais a nível interno.

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ImagemTrump durante discurso em Phoenix, Arizona, em agosto de 2016”  (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump#/media/File:Donald_Trump_by_Gage_Skidmore_12.jpg

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Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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