LOADING

Type to search

O Papel da Tecnologia nas Smartcities

Share

Os projetos de Smarcities (Cidades Inteligentes) têm como seu principal objetivo estimular a criação de um ambiente inteligente no qual as dinâmicas e processos intrínsecos do espaço urbano são raciocinados e direcionados para promover o desenvolvimento sustentável da cidade e de sua população. 

Segmentos Smartcity

A tecnologia é sem dúvidas um dos principais vetores no desenvolvimento deste tipo de projeto, atuando como integradora das diversas dimensões que abrangem este processo, possibilitando a inovação e também a geração, integração ou modificação de novas dinâmicas dentro das cidades.

Mas existem desafios importantes no uso da tecnologia em projetos de Smartcity. O principal é a falta de integração dos próprios atores implicados. De nada serve instalar um processo informático de controle dos estoques de materiais para obras públicas se não existir uma rede interligada capaz de harmonizar essas informações e transformar a mesma em um processo lógico ou comando; da mesma forma, não é eficiente um sistema de controle de ocorrências na rede elétrica que não esteja interligado às diferentes prestadoras de serviço. Dispor de uma tecnologia não necessariamente significa gerar um processo inteligente. Essa realidade é perceptível em diversas cidades do Brasil.

A tecnologia oferece a possibilidade de reduzir as assimetrias típicas das cidades brasileiras. A criação de um ambiente digital oferece uma homogeneidade que permite visualizar a cidade como um grande ente formado por diferentes dinâmicas, sejam estas sociais, políticas, econômica ou produtivas.

Ao contemplar a cidade como um espaço inteligente, as intervenções passam a ser interligadas e não apenas projetos isolados, gerando um efeito em cadeia. Mas, para isso, é necessário uma correta implementação e o uso das ferramentas tecnológicas disponíveis.

Outro aspecto relevante da tecnologia é o seu potencial inovador e sua capacidade de estimular e gerar novos projetos. Para as cidades inteligentes, ela é a principal ferramenta para a evolução do processo, havendo diferentes tipos que podem ser implementados conforme as próprias características dos polos urbanos. Entre as principais podemos destacar:

– Tecnologia da informação, usada para integrar os diferentes atores que compõem o espaço urbano e redesenhar processos existentes, buscando um maior resultado e maior eficiência. Mediante a tecnologia da informação é possível digitalizar o espaço urbano e fazer uso de novas ferramentas, tais como a Internet das coisas, o e-government, o e-health etc.

– Tecnologia da produção, usada para aumentar a competitividade do sistema produtivo de uma cidade ou região, permitindo o desenvolvimento de uma economia cíclica, estimulando o setor criativo e inserindo novas técnicas produtivas tais como a robótica.

– Tecnologia verde, usada com o objetivo de melhorar a relação das pessoas com o meio ambiente e a sustentabilidade, promovendo o uso mais eficiente dos recursos além da correta preservação ambiental necessária para garantir o futuro das próximas gerações.

– Inovação, não se trata de uma tecnologia determinada, mas sim, da capacidade de transformação e melhoria contínua dos processos que existem ou que venham a existir em uma região urbana.

Cada tecnologia possuí serviços e ferramentas disponíveis de forma desigual, não sendo todas aplicáveis a todas as cidades, embora exista uma série de setores nos quais se fundamentam as Smartcities, que são:

– Open Data

– Mobilidade

– Plataforma participativa e E-government

– Smart grids

– Coleta Seletiva

– Serviços inteligentes

– Conectividade

– Educação

– AgroSmart

Cada projeto de Smartcity é único, pois cada cidade  possui características próprias e mesmo que existam polos urbanos semelhantes, e que compartem desafios parecidos, não há um guia padrão que explique como deve ser realizado o uso da tecnologia e sua aplicação, além do mais, é necessário levar em consideração que todas as cidades são passíveis de se transformar em polos inteligentes dentro de suas próprias características, mas nem todas possuem capacidade financeira ou estrutural para seguir um roteiro pré-estabelecido pelas grandes metrópoles.

Ao redor do mundo existem exemplos de diferentes cidades inteligentes que aplicaram a tecnologia conforme suas próprias características. A cidade de Madrid, por exemplo, utiliza uma rede integrada de transporte que permite uma melhor ocupação e distribuição da população na cidade; por outro lado, a pequena cidade francesa de Dijon criou um espaço urbano integrado gerenciado pela Prefeitura onde o cidadão tem acesso a todos os serviços públicos desde uma plataforma digital.

Centro de Operações do Rio de Janeiro

No Brasil já existe um número considerável de projetos de Smartcity, as capitais estaduais e capitais regionais lideram esses projetos, embora cada uma esteja em uma etapa diferente. No Rio de janeiro, o Centro de Operações atua como uma plataforma integrada dos serviços de emergência pública; já em Florianópolis o setor criativo é estimulado graças ao estabelecimento de parques tecnológicos e centros de pesquisa.

Existem redes formadas por essas cidades com o objetivo de fomentar o intercâmbio de conhecimento e experiências, sendo crescente o interesse tanto na área pública quanto na privada. Neste aspecto, a tecnologia se transforma em um ponto fundamental ao reduzir as distâncias e ao permitir uma maior interação entre os diferentes atores.

É certo que o país ainda apresenta deficiências na infraestrutura que podem afetar a evolução de alguns projetos de Smartcity, mas, por outro lado, essas cidades podem atuar como polos indutores e transformadores da região, além de atrair um novo fluxo de investimentos e uma distribuição mais equitativa no país.

A integração tecnológica pode ser realizada em diferentes níveis e, aos poucos, gerar os processos necessários para a implementação de um projeto de Cidade Inteligente. No entanto, a mesma deve estar aliada a uma série de intervenções que permitam essa integração, tais como infraestrutura mínima, educação, participação pública e privada. Mas, sem dúvida, uma vez instalada esta passa a atuar como uma pedra fundamental no futuro da cidade.

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Componentes de um projeto de Smartcity” (Fonte):

https://cdn.ttgtmedia.com/rms/onlineImages/iota-smart_city_components_desktop.jpg

Imagem 2 Segmentos Smartcity” (Fonte):

https://us.123rf.com/450wm/monicaodo/monicaodo1602/monicaodo160200011/52445942-conceito-de-cidade-inteligente-com-diferente-%EF%BF%BDcone-e-elementos.-design-de-cidade-moderna,-com-tecnolog.jpg?ver=6

Imagem 3 Centro de Operações do Rio de Janeiro” (Fonte):

http://www.simi.org.br/files/news/image/305/centro_de_operacoes_do_rio_de_janeiro.jpg

Wesley S.T Guerra - Colaborador Voluntário Sênior

Atua como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.

  • 1

1 Comments

  1. arnoldo de hoyos 20 de novembro de 2017

    Ótimo Wesley, Parabens !

    Responder

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.