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O papel do Futebol nas “relações internacionais”

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Há muito tempo as “relações internacionais” deixaram de ser apenas relações entre Estados e passaram a contar com a participação direta de “atores transnacionais”. Hoje, a relação entre os países também é entendida como a forma que seus habitantes, empresas e ONGs, por exemplo, se vêm e agem uns com os outros.

Ao admitir que as “relações internacionais” também são compostas de “relações transnacionais” fica implícita a idéia de que os Estados não são mais os únicos responsáveis em garantir a ordem e o funcionamento da estrutura internacional. Ocorre a inclusão de novos atores que passam a exercer papéis importantes para a manutenção do “sistema internacional” na forma em que o conhecemos.

 

Dentro das possibilidades aceitas do transnacionalismo, insere-se o papel que instituições de alcance mundial têm dentro da estrutura das “relações internacionais” contemporâneas. Pode-se admitir que organizações internacionalmente reconhecidas são atores no ambiente internacional com capacidade de influenciar os centros de poder, seja para manter a estrutura, seja para tentar mudá-la. Entre esses atores estão o COI e a FIFA, que, apesar de serem organizações voltadas para o esporte, também podem ser entendidas como agentes de peso na estrutura internacional atual.

Uma prova da relevância dos dois principais aparelhos de organização esportiva hoje é o montante de dinheiro e a mobilização social que tanto as Olimpíadas como a “Copa do Mundo de Futebol” causam. De acordo com a “Federação Alemã de Futebol” (DFB, sigla em alemão), o faturamento da “Copa do Mundo” realizada em 2006 chegou a 557 milhões de euros, 155 milhões a mais do que havia sido gasto pela organização, configurando o lucro alcançado. Além disso, como consequência do Evento, quando comparado o “Produto Interno Bruto” (PIB) alemão de 2005 e 2006, pode-se ver um aumento de 4% para o país; no caso sul-africano, o PIB cresceu 5%.

Contudo, a influência que os esportes e, nesse caso específico o Futebol, traz para um país não está apenas relacionada ao crescimento econômico que Eventos de grande porte podem proporcionar. Tem sido comum o uso em propaganda política que possíveis vitórias podem trazer.

Exemplos foram a vitória na “Copa do Mundo de Futebol de 1970” pelo Brasil, que  ajudou na propaganda do então “Governo brasileiro”, assim como o uso feito pelo “Governo argentino” com a vitória em 1978. O mesmo ocorreu nas vitórias em 1934 e 1938 pela “seleção italiana de futebol” que serviram para reforçar os ideais fascistas de “superioridade nacional” propagados por Benito Mussolini. Assim, as conquistas futebolísticas podem servir como forma de ostentação nacional.

Diversos países utilizaram das vitórias em campo de alguma forma para construir um  orgulho coletivo, ou mesmo, resolver problemas internos. Outro caso foi vitória francesa na “Copa do Mundo de Futebol de 1998”. Nessa época, a França passava por problemas internos de racismo e discriminação e a vitória em casa de um time heterogêneo alcançou resultados que o Estado sozinho levaria muito mais tempo para resolver.

Também os países do “Bloco Soviético” e outros países da esfera de influência da URSS usaram das vitórias nas Olimpíadas e dos resultados em outras competições internacionais para apresentá-los propagandisticamente perante sua população, criando uma imagem de que um sistema político e econômico era superior ao outro, mesmo com as acusações e denúncias de atletas fabricados por meio de dopings programados pelo próprio Estado para produzir resultados que lhes eram convenientes. 

O que deve ser melhor entendido é que, atualmente, como muitos esportes, o Futebol, além da parte atlética, é uma indústria da qual, por distorções, alguns conseguem tirar proveito em detrimento de outros, mas, para além disso, também é uma nova forma de Diplomacia, carregando outra maneira de se enxergar o mundo e os acontecimentos diários da realidade internacional.

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Fontes:

Ver:

http://www.galizacig.com/actualidade/200606/cm_entrevista_a_eric_hobsbawm.htm

Ver também:

Silva, Francisco C. Teixeira. Memória social do esporte – futebol e política. Rio de Janeiro. Mauad, 2006.

Ver também:

Gameros, Manuel. “Los goles de La FIFA”, Foreing Affairs en Español – Volumen 6, número 3.

Ver também:

Cote, Fausto Pretelin Muñoz de. “El imperio global del fútbol”, Foreing Affairs en Español – Volumen 6, número 3.

Ver também:

http://uk.reuters.com/article/worldFootballNews/idUKL0169059720070301

Ver também (para informação sobre os dados do PIB dos países):

http://databank.worldbank.org

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