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No complexo xadrez geopolítico do Oriente Médio, a cidade de Mossul, localizada no extremo norte do Iraque, ganhou destaque por se tornar na última semana o primeiro bastião de resistência organizada das forças iraquianas contra o domínio do Estado Islâmico (Daesh, em árabe e ISIS – Islamic State of Iraq and al-Sham, em inglês livre), que, ao longo dos últimos dois anos, após a proclamação do autointitulado Califa Abu Bakr al-Baghdadi, inseriu a região como parte de seu Califado, o qual agrega outras porções do Iraque e também da Síria.

De acordo com fontes consultadas, a operação militar no Iraque foi classificada como sem precedentes, desde a invasão dos Estados Unidos em 2003 para a deposição do ditador Saddam Hussein.

A mobilização de tropas iraquianas conta também com apoio aéreo e tático da coalizão internacional, principalmente de Estados Unidos, Reino Unido e França, porém há outros 60 países envolvidos na operação, além de grupos da etnia curda, os Pershmergas, xiitas e sunitas.

Essa composição político-militar, organizada para enfraquecer e eliminar a presença de insurgentes islâmicos em território iraquiano, gera, como desafio inicial, a gestão de como organizar diferentes pensamentos e interesses, um enfrentamento sectário já visto em tempos recentes em Fallujah, Ramadi e Tikrit, ocorrido entre árabes sunitas e árabes xiitas, que têm influência iraniana, a qual criou bases naquela ocasião para que o ambiente organizado para a retomada atual de Mossul insira na equação as ambições de curdos, e uma possível interferência da Turquia, com o intuito de evitar que seu território seja contaminado.

O desejo de Ancara em ser protagonista nesse novo recorte da crise no Oriente Médio tem, dentre outros objetivos, o intuito de oferecer resistência à minoria turcomana, assim como enviar uma mensagem direta a Teerã, que tem fortes laços com o Governo central de Bagdá, representado pelo primeiro-ministro xiita Haider al-Abadi. Nesse sentido, como contrapeso aos interesses xiitas e iranianos na região, o imbróglio geoestratégico produziu o financiamento e treinamento de milícia sunita, a Guarda Nínive, controlada por Atheel al-Nujaifi, árabe sunita com grande influência política local.

No que tange a operação militar, a estratégia adotada pelos comandantes da missão envolve na primeira fase o destacamento curdo de, aproximadamente, 10 mil a 15 mil pershmergas, que foram os responsáveis pela ofensiva inicial até as imediações de Mossul. Em tempo, quatro divisões iraquianas com efetivo calculado entre 30 mil e 35 mil homens tomariam posições a partir do Sul, às margens do Rio Tigre, para, enfim, desencadear a ofensiva final. Por outra via, as Forças de Mobilização Popular, ou Hash al-Shaabi, de maioria xiita, tem sido as responsáveis pela limpeza das posições preservadas do EI em Hawiya, localidade a sudeste da base aérea de Qayyara, bem como as responsáveis por garantir posições em áreas montanhosas que cercam Mossul, Adaya, Atsan e Zambar, inviabilizando a chegada de reforços adicionais aos extremistas sitiados.

Aos Estados Unidos, coordenador de uma coalizão internacional que apoia as forças de segurança iraquianas, coube, de acordo com informações do Pentágono, o suporte aéreo para as tropas iraquianas e tribos sunitas moderadas, bem como apoio em inteligência e de conselheiros militares que, segundo outras informações não confirmadas, podem ser de comandos especiais que estão em enfrentamento direto em solo e atuando como controladores aéreos avançados (Joint Terminal Air Controllers, ou JTACS, na sigla em inglês) em alvos táticos, para bombardeios atrás das linhas do Daesh.

Em complemento, a Administração Obama neste fim de mandato ainda deseja melhores resultados em sua política externa contra o consolidado grupo extremista islâmico. Para tanto, aumentou a presença militar no Iraque nas vésperas da batalha, um contingente atual de 5.000 soldados no país; investiu aproximadamente US$ 415 milhões na remuneração de combatentes, combustível, mantimentos e munição; assim como forneceu armas pesadas para comandantes curdos no Iraque e, juntamente com a França, enviou artilharia de longo alcance para bombardear a cidade.

Toda a infraestrutura bélica destacada pelos Estados Unidos permitirá uma integração de esforços que tem grande probabilidade de resultar em maior capacidade de chegar aos limites da cidade com segurança e assertividade, bem como conduzir operações também para eliminar líderes do Estado Islâmico, com uma defesa em tempo real, aeronaves de vigilância, drones e plataformas de reabastecimento aéreo, que poderão solapar com mais precisão os desequilíbrios internacionais causados pela insurgência islâmica organizada e bem financiada do Estado Islâmico.

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ImagemThe memorial that stands outside the entrance to the Dining Hall on FOB Marez where the December 21, 2004 suicide attack occurred” / “Memorial que fica fora da entrada para o refeitório em FOB Marez, onde em 21 de dezembro de 2004, ocorreu um ataque suicida” – Tradução Livre (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mosul#/media/File:Merez_memorial.jpg

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Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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