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A Colômbia é um Estado que sofre a 50 anos com a atuação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), um agrupamento paramilitar que visa implantar o Socialismo no país pela revolução, possui claros vínculos com a tradição marxista-leninista, adota o procedimento do uso extremo da violência e se relaciona com o narcotráfico, todavia um novo vislumbre emergiu no horizonte com as recentes negociações de deposição de armas e estabelecimento de um Acordo de Paz entre a guerrilha e as autoridades colombianas.

As negociações tiveram início em outubro de 2012, na cidade de Oslo, Noruega, e posterior continuidade em Havana, Cuba, cujos atores contribuíram para a facilitação e formalização do Acordo que culminou no Referendo feito em 2 de outubro de 2016. Porém, na contramão da expectativa mundial, ocorreu um dissenso e o “Não” obteve a vitória com 50,2% dos eleitores posicionando-se contra o acordado entre o Governo colombiano e as FARC, enquanto que o “Sim” obteve apenas 49,8% dos votos. Ressalte-se que houve uma taxa de abstenção de 63%.

A razão para a rejeição do Acordo de Paz não repousa no desejo pelo conflito, mas, sim, no anseio popular pela justiça, visto que mais de 200 mil pessoas morreram na guerra civil e 6 milhões experimentaram o deslocamento. A população colombiana ressente-se quanto ao futuro político e jurídico do país, pois, entre os tópicos do Documento, previa-se a criação de um partido político para as FARC, com garantia de assentos na Câmara e Senado por dois ciclos legislativos, e a não prisão de culpados por crimes de guerra e contra a humanidade. Entretanto, apesar da derrota no Referendo, as partes permaneceram em conversações e um novo acerto foi feito com a inclusão de modificações, sem a possibilidade de um segundo Referendo.

A Noruega possui um grande papel na mediação e negociação de conflitos, com histórico de bons resultados em casos envolventes a Israel e Palestina, Guatemala, Afeganistão, Haiti, Chipre, Sudão e Sri Lanka, e representa uma potência internacional no tocante a produção e atuação de exemplos de estudos da paz, cuja contribuição mundial a tornou referência de confiança e de legitimidade. No tangente à situação da Colômbia, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Noruega, Børge Brende, afirmou: “Estou satisfeito que as partes chegaram a um novo acordo de paz com base nas sugestões apresentadas no diálogo nacional. O acordo representa uma nova oportunidade para a Colômbia acabar com décadas de conflito. É importante que a comunidade internacional apoia a sua implementação”.

Consoante a perspectiva dos analistas, pode-se mencionar dois fatores relevantes para a compreensão da questão colombiana: o primeiro fator abrange a versão benéfica da situação, pois, no ambiente do pós-crise institucional, a Colômbia experimentou uma reviravolta político-jurídico não vista anteriormente, e soma-se a isto o êxito do cessar-fogo e da conquista do Acordo de Paz pelo governo do atual Presidente Juan Manoel Santos. O segundo fator salienta a preocupação quanto a estabilidade futura do país após a finalização do processo de pacificação, sobretudo, no que tange a reação popular acerca da inclusão das FARC na comunidade política, algo que permanece uma incógnita e nem mesmo a Noruega ou terceiros atores podem descortinar. Especialistas apontam que cabe ser feita uma reflexão com equilíbrio por parte dos colombianos e demais Estados sobre os rumos que o país tomará, sem pressões adicionais, e com disposição e contribuir para a conciliação.

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ImagemBandeira da Colômbia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/21/Flag_of_Colombia.svg/1280px-Flag_of_Colombia.svg.png

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Bruno Veillard - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Política (PPG-SP), e Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro vinculado a Universidade Cândido Mendes (IUPERJ/UCAM). Atua na produção de notas analíticas e análises conjunturais na área de política internacional com ênfase nos países Nórdico-Bálticos e Rússia.

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