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O polêmico Gran Canal Oceanico na Nicarágua

Monah Marins Pereira Carneiro 21 de outubro de 2014
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Nesta última semana, na Conferência Permanente de Partidos Políticos da América Latina e Caribe (Copppal), realizada em Managua, Nicarágua, destacou-se a importância do Canal Interoceânico a ser construído na Nicarágua.

O Documento final da XXXII Conferência observa que o Canal será uma fonte de desenvolvimento e exemplo a ser seguido e apoiado: “Respaldar en su totalidad el Proyecto presentado por el Gobierno de Nicaragua, para la construcción del Gran Canal Interoceánico que comunique el Océano Pacífico con el Atlántico, cuya infraestructura monumental, sin duda, incidirá en un incremento sustantivo de los volúmenes de comercio y generará mayores y mejores empleos para el pueblo nicaraguense[1].

Assim como o Canal do Panamá, o Canal Oceânico da Nicarágua pretende ligar o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico por meio de um canal aquático. Este medirá entre 230 a 250 metros de largura, com uma profundidade em torno de 27 a 30 metros, fato que tem gerado manifestações para estudos que avaliam a viabilidade técnica, financeira e ambiental para o Governo e para a população que terá que ser removida.

Em 27 de setembro a matéria realizada pelo jornal nicaraguense, “Confidencial” relatou uma expedição pelo Rio San Juan, onde apresentavam populações que serão afetadas diretamente pela construção e questionavam a transparência quanto ao custo e estudos oficiais sobre a segurança ambiental da dragagem do Rio e do Lago Cocibolca[2].

Embora o presidente Daniel Ortega afirme que ni por todo oro del mundo podría arriesgar el lago (Cocibolca) por un Canal[3], o aumento da demanda marítima e a necessidade de um Canal que suporte navio maiores – fora da dimensões panamenhas[4] – tem movimentado a geopolítica mundial.

A empresa chinesa, HKNDA HK Nicaragua Canal Development Investment Co. Limited (HKND Group), com sede em Hong Kong e dirigida por Wang Jing, ganhou a concessão de 50 anos para construir e operar, e a Rússia fechou recentemente um acordo para fornecer tecnologia para a escavação do Canal[5].

Com a atuação dos Estados Unidos (EUA) no Mar da China e nas fronteiras entre a Rússia e o Leste Europeu, os interesses desses Estados na América Latina não se limitariam apenas a economia, mas de forma estratégica por ampliar sua presença em áreas historicamente regidas por políticas americanas.

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Imagem (Fonte):

http://www.pancanal.com/esp/plan/documentos/canal-de-nicaragua/canal-x-nicaragua.pdf

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.copppal.org/contenidos/documentos/declaraciones.php

[2] Ver:

http://www.confidencial.com.ni/el-gran-lago-amenazado

[3] Ver:

http://www.confidencial.com.ni/articulo/19699/ortega-quot-iexcl-ese-lago-esta-contaminado-quot

[4] Ver:

http://www.pancanal.com/esp/plan/documentos/canal-de-nicaragua/canal-x-nicaragua.pdf

[5] Ver:

http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,china-e-russia-se-unem-em-plano-de-canal-na-nicaragua-imp-,1559870

Monah Marins Pereira Carneiro

Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Marítimos (PPGEM) da Escola de Guerra Naval (EGN-CEPE*).É pesquisadora do Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da mesma Instituição onde desenvolve pesquisa em Cenários para a Defesa, na área de Biossegurança. Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ-UCAM), onde atua como membro executivo do Grupo de Análise de Prevenção de Conflitos Internacionais (GAPCon), desde 2010. É bolsista pela Fundação EZUTE.

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