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[:pt]O potencial da Paradiplomacia em pequenos municípios ou regiões do Brasil[:]

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Os grandes centros urbanos já utilizam a diplomacia das cidades (a Paradiplomacia) como ferramenta para promover o desenvolvimento da região, diversificar suas relações, ampliar sua presença mundial e participar mais ativamente nas decisões globais. Cidades como Rio de Janeiro, São Paulo ou Curitiba, possuem órgãos responsáveis por centralizar as relações internacionais do município e trabalham em parceria com o setor privado e outras esferas do setor público.

Apesar de todos os benefícios que a Paradiplomacia traz, pequenos municípios e até mesmo capitais regionais são muitas vezes limitadas pela ação das grandes cidades, pelo Governo Federal ou Governo Estadual, pela falta de experiência e até mesmo pela falta de interesse no cenário exterior.

Certo é que nem todos os municípios têm o mesmo potencial ou capacidade para se expor aos fatores externos, mas regiões produtoras, polos logísticos, cidades de fronteira ou regiões turísticas, podem se beneficiar da Paradiplomacia e dos efeitos que a mesma pode levar a eles.

Regiões produtoras, como, por exemplo, a região vinícola da Serra Gaúcha, poderiam usar esta ferramenta para consolidar seu produto no mercado internacional, sem ter que aguardar o processo decisório das negociações em escala federal ou competir contra os interesses de outras regiões vinícolas do país. A criação de um selo de origem pode aumentar a confiança no produto e promover uma maior recepção mundial. Já o município poderia se beneficiar com o aumento das relações com outras cidades produtoras, promovendo acordos de transferência tecnológica e know-how, aumentando, consequentemente, a competitividade da região e seu grau de especialização. Instituições municipais poderiam centralizar políticas de desenvolvimento baseadas na produção doméstica, através da participação das empresas locais, gerando, assim, um desenvolvimento homogêneo entre todos os produtores e não centralizando o mesmo para um grupo de empresas com maior capital ou maior poder de articulação internacional.

Outra região onde pode ser implementada a Paradiplomacia é a do Vale do Itajaí, onde a economia é bastante diversificada (polo têxtil em Blumenau e cidades vizinhas, indústria cervejeira, turismo e logística portuária).  A adoção da ferramenta para a região poderia gerar um incremento substancial para todos os setores.

O Vale do Itajaí possui Instituições de Ensino Superior com condições de serem centros receptivos de transferência tecnológica de universidades e instituições de outras cidades do mundo, além disso, o porto e aeroportos da região poderiam servir como chamariz para empresas de diversos setores, bem como de porta de entrada para turistas de negócios e demais turistas. O potencial turístico da região aumentaria, beneficiando todos os municípios e potencializando não somente o turismo estival (de verão), como também o turismo cultural, histórico, etnográfico, acadêmico, dentre vários.

O maior benefício que a Paradiplomacia pode levar a um município é o fortalecimento da marca deste e sua inserção na cadeia produtiva global, ou seu posicionamento dentro da dinâmica econômica. Regiões da Europa e dos Estados Unidos já consolidaram essa tendência, gerando polos de excelência na produção de artigos e produtos especializados, atraindo turistas ou influenciando setores e segmentos. O Brasil deve incentivar essa prática, já que a mesma promove o desenvolvimento mais homogêneo do país e, simultaneamente, uma maior distribuição dos gastos da diplomacia oficial, bem como o incremento da participação dos municípios no processo decisório e na ação do país no cenário global.

A Paradiplomacia atua como vetor do desenvolvimento local e ao mesmo tempo reduz a concentração da política externa no Governo central, atuando como uma força complementar a ação do Estado e não oposta a ele.

Com a crise que enfrenta o país e o engessamento das negociações internacionais devido aos novos alinhamentos políticos e mudanças no cenário exterior, a Paradiplomacia atua como saída pragmática para obter resultados sem interferir ou passar pela hard politic, já que as negociações são realizadas através da sinergia existente entre as cidades e seus interesses mútuos, sem passar por arranjos regionais ou concertos geopolíticos.

Os municípios do Brasil devem aproveitar este cenário, para, aos poucos, abrirem-se à dinâmica mundial, onde cada vez mais as cidades ganham importância em detrimento do enfraquecimento dos Estados a que pertencem, embora, paradoxalmente, o seu fortalecimento implicará no fortalecimento do país. 

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Imagem (Fonte):

http://igepri.org/news/wp-content/uploads/2011/07/mundo-1024×854.jpg

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Wesley S.T Guerra - Colaborador Voluntário Sênior

Atua como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.

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5 Comments

  1. Guilherme 17 de outubro de 2016

    Muito vago, conjecturou um dos caminho para melhoras as políticas locais, mas não os passos para a implantação.

    Responder
    1. Wesley S.T Guerra 20 de outubro de 2016

      Meu caro amigo Guilherme. A paradiplomacia não possui uma formatação precisa nem muito menos um modelo único, já que sua principal característica é justamente sua flexibilidade e capacidade de se adaptar a realidade do local a ser implementada. O intuito do artigo é justamente abrir essa discussão, chamando atenção para algumas possibilidades e não estabelecer aqui um cânon de comportamento ou um projeto de ação paradiplomática para um município. Agradeço seu comentário e lhe convido a fazer essa reflexão. Quais são os benefícios que a paradiplomacia pode trazer e como adaptar a mesma ao município? verás que a resposta é bem mais maleável e ampla que um mero artigo autoral tentando definir de forma autoritária sua "razão" como algo único. Forte abraço.

    2. Wesley S.T Guerra 20 de outubro de 2016

      Prezado Guilherme. Obrigado pelo seu comentário. A paradiplomacia não possui um modelo único nem um padrão a ser seguido, tudo pelo contrário, sua maior característica é sua flexibilidade e como a mesma é capaz de se adaptar as necessidades e realidade dos entes subnacionais. Por outro lado o Brasil não possui legislação específica para paradiplomacia de modo que é necessário avaliar os arranjos existentes em cada um dos municípios antes de ir decretando que caminho deve seguir. O intuito desse artigo é somente chamar atenção para as possibilidades e abrir a discussão, sem estabelecer parâmetros ou modelos pré-fabricados, já que cada município é um mundo. Grato,

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