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O preço que pagam mulheres e meninas migrantes para chegar aos EUA

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A crise migratória na América Central e México em direção aos Estados Unidos abriu os olhos de muitas autoridades, organizações internacionais e atores da sociedade civil pela gravidade do problema. Dentre os agravantes está a vulnerabilidade de milhares de mulheres e meninas que sofrem de abusos sexuais durante o percurso.

Uma investigação desenvolvida pela Fusion[1] aponta que 80% delas irão ser abusadas e estupradas antes que estas migrantes cheguem ao sonho americano. De acordo com um relatório de 2010 da Anistia Internacional, “mulheres e meninas migrantes, especialmente aquelas sem um status de migrantes legal viajando em áreas remotas ou em trens, possuem maior risco de sofrer violência sexual nas mãos de gangues, traficantes de pessoas, outros migrantes e autoridades corruptas[1]. A probabilidade é tão alta que traficantes muitas vezes requerem como precaução que mulheres tomem injeções contraceptivas anteriormente ao início da trajetória[1].

Repórteres que investigam estes casos ainda salientam que estes números podem não significar a verdadeira imagem da realidade. Erin Siegal McIntyre explica que, apesar de que milhares de mulheres e meninas passam pelos trajetos de migração no México, apenas 6 casos de violência (sequestro, estupro e roubo armado) foram registrados este ano contra mulheres migrantes. McIntyre salienta que muitas dessas vítimas têm medo de denunciar os abusos por dois fatores: pelo estigma associado ao estupro e pelo fato de que elas têm medo de serem enviadas de volta aos seus países de origem[2]. Estupros e roubos são somente o início, muitas mulheres ao chegarem à fronteira acabam trabalhando em bares e bordeis em uma armadilha para conseguir dinheiro e acabam nunca saindo destes estabelecimentos.

A problemática ainda necessita entrar nas discussões de alto nível para que o assunto ganhe atenção e para que as vítimas sejam mais informadas das medidas de prevenção e de seus direitos. Acredita-se que o fluxo de migrantes tende a não mudar, no entanto, o que se pode mudar de forma mais imediata é o sofrimento destas pessoas em movimento.

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Imagem Elas sabem o preço a pagar para chegar aos Estados Unidos, o preço é o estupro” (Fonte):

http://fusion.net/justice/story/desperate-raped-migrant-women-face-sexual-assault-mexico-1037738

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://fusion.net/justice/story/desperate-raped-migrant-women-face-sexual-assault-mexico-1037738

[2] Ver:

http://www.huffingtonpost.com/2014/09/12/central-america-migrants-rape_n_5806972.html?ncid=fcbklnkushpmg00000046&ir=Women

[3] Ver:

http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/aug/01/girl-immigrants-us-border-rape-abuse-courage

Laura Elise Messinger - Colaboradora Voluntária Júnior 1

Mestre em Relações Internacionais- IHEID (Genebra, Suíça) e Mestre em Estudos Avançados de Organizações Internacionais- UZH (Zurique, Suíça). Bacharel em Relações Internacionais -Unilasalle (Canoas, RS), intercâmbio na UNICAH (Tegucigalpa, Honduras). Especialidades: direitos humanos, direito internacional humanitário, segurança e paz, democratização e América Central. Experiências profissionais: ONU (DPA- MSU), BID (segurança cidadã) e ONG Geneva Call – Suíça.

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