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[:pt]O Primeiro Confronto Entre as Forças de Defesa de Israel e o Estado Islâmico[:]

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No último domingo, 27 de novembro, nas Colinas de Golã, soldados israelenses entraram em confronto com os jihadistas da organização Shuhada-Yarmouk, criada em 2012, que neste ano (2016) se juntou a outro grupo, passando a denominar-se Jaysh Khalid ibn al-Waleed. Ambos juraram lealdade ao Estado Islâmico (EI) e lutam sob o comando geral de Abu Bakr al-Baghdadi. Segundo a imprensa local, este foi o primeiro embate direto entre as Forças de Defesa de Israel (IDF) e o Estado Islâmico.

Israel, que até então havia mantido certa distância em relação ao conflito sírio, se viu afrontado pelos radicais que tencionavam preparar uma emboscada aos seus soldados em seu próprio território. Os insurgentes utilizaram, como base, uma instalação abandonada da ONU para deflagrar o ataque com armas automáticas e morteiros contra os militares israelenses, mas nenhum ficou ferido. Em contrapartida, as IDF desferiram uma contraofensiva aérea que culminou na morte de quatro militantes islâmicos. Especialistas acreditam que este enfrentamento não será capaz de alterar a dinâmica bélica da região. Porém, é preciso assinalar que, em solo sírio, se encontram os inimigos de Israel, tais como o Irã e o Hezbollah.

Os reveses sofridos pelos extremistas, especialmente o Estado Islâmico que, nos últimos tempos perdeu territórios na Síria e no Iraque, poderão despertar o interesse em justificar a sua própria força e avançar sobre outros espaços, encontrando assim novos oponentes que, até agora, estiveram fora do seu raio de ação. Recentemente, o Xeique Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim al-Thani, Ministro das Relações Exteriores do Catar, advertiu sobre a possibilidade de a Faixa de Gaza, que se encontra em situação caótica, ser transformada numa “plataforma de lançamento” para o “extremismo e o terrorismo” do EI.

Partindo deste pressuposto, a condição de extrema pobreza e de desemprego da população do enclave palestino facilita o recrutamento de mujahideen. Consequentemente, Israel se tornará um alvo provável desses combatentes. Esta é apenas uma hipótese, mas, se ela se concretizar, poderá levar o terrorismo para o território israelense. Cabe ressaltar que, em agosto e outubro deste ano (2016), o grupo salafista Ahfad al-Sahaba Bayt al-Maqdis, ligado ao Estado Islâmico, disparou rockets em direção ao sul de Israel, desde a Faixa de Gaza, tendo atingido a cidade de Sderot, mas não fez vítimas. Na ocasião, o grupo afirmou que o ataque fez parte de um conjunto de ações da “jihad contra os judeus” e também constituiu uma resposta ao Hamas que havia prendido cinco militantes salafistas.

A princípio, tudo indica que Israel está empenhado em impedir que forças inimigas se instalem nas proximidades de suas fronteiras. Em reunião semanal do Governo, na sequência do incidente ocorrido nas Colinas de Golã, o Primeiro-Ministro, Benjamin Netanyahu, prometeu que o seu país “não permitirá que figuras do Estado Islâmico ou outros atores inimigos, a pretexto da guerra na Síria, se instalem ao lado de nossas fronteiras”. Autoridades israelenses acreditam que o EI não pretende abrir uma nova frente contra Israel. Neste contexto, também consideraram que a ação contra os soldados fez parte de uma decisão local e não do alto escalão do grupo. Isto porque a ofensiva desencadeada por parte dos jihadistas foi em pequena escala, diferente das ações que são executadas. De fato, o episódio que teve lugar nas Colinas de Golã não representa, para Israel, o pior dos cenários, mas é um acontecimento primário que, apesar da fraca intensidade, tem potencial para despertar a sanha do Estado Islâmico em pretender se reinventar a partir das fronteiras com Israel.

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Imagem13º Batalhão da Brigada Golani, das Forças de Defesa de Israel, durante um exercício nas Colinas de Golã” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/eb/Flickr_-_Israel_Defense_Forces_-_13th_Battalion_of_the_Golani_Brigade_Holds_Drill_at_Golan_Heights_(22).jpg

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Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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