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No dia 20 de abril de 2017, um francês de 39 anos, Karim Cheurfi, com diversos antecedentes criminais e investigado desde o dia 9 de março pela Seção Antiterrorista da Procuradoria de Paris, matou um policial e feriu outros dois, antes de ser morto em um ataque terrorista na Avenida Champ Elyssés, no centro da capital francesa. Perto do seu corpo foi encontrado um papel no qual continha uma mensagem escrita à mão em defesa a causa do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL, na sigla em inglês), que reivindicou o atentado.

Mesmo com a alegação das autoridades francesas de que Cheurfi não era considerado suspeito de radicalização islâmica, observa-se que todos os que se radicalizam não são terroristas, todavia todos os terroristas passaram por um percurso de radicalização, já que no processo de radicalização do terrorismo com viés religioso, quatro etapas estão presentes: pré-radicalização, auto-identificação, doutrinação e jihadização.

A pré-radicalização é o ponto de origem desse processo. Passam a expor e a adotar práticas de correntes fundamentalistas do islã como linha de postura e normalmente são cooptados aqueles com educação precária e falta de perspectivas de emprego, bem como de realização profissional, os quais são facilmente convencidos com propostas de respostas fáceis e de busca de vingança para com o Ocidente.

Na etapa de auto-identificação começam a cumprir os ensinamentos de correntes mais radicais. Adotam uma conduta que indica a aceitação plena dessas práticas, além de mudarem o comportamento e perderem a identidade, algo que se observa quando assumem nomes que não são os seus, e se desligam da comunidade em que estão inseridos.

Quando atingem a etapa da doutrinação, progressivamente intensificam suas crenças e assumem por completo a ideologia fundamentalista que abraçaram, optando pelo isolamento pleno. São persuadidos a realizar ações com o objetivo de apoiar e promover a causa.

Por fim, a jihadização é a etapa em que está completa a doutrinação. Se autodesignam como guerreiros sagrados, conhecidos como “mujahedeen”, e tem-se início as atividades terroristas, a partir dos devidos planejamentos operacionais e logísticos para os atentados.

Mesmo com todos os empenhos das Forças de Segurança para identificar antecedentes de atividades terroristas, alicerçados na tentativa de reconhecer ações suspeitas, bem como no desenvolvimento de programas para minimizar vulnerabilidades, o recrutamento e a radicalização, precipuamente originários a partir da internet, tem dificultado, e muito, nos trabalhos de prevenção do fenômeno do terrorismo e na garantia da segurança internacional, o que mostra a necessidade de mais investimentos nos setores de segurança, para formação e treinamento de quadros, bem como para o desenvolvimento de metodologias que gerem possibilidade de acompanhar os avanços no processo de radicalização do terrorismo com viés religioso.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1A bandeira preta da jihad” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Jihadism#/media/File:Flag_of_Jihad.svg

Imagem 2Avenida Champs Élyssés vista do Arco do Triunfo” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Champs-%C3%89lys%C3%A9es#/media/File:Avenue_des_Champs-Elys%C3%A9es_from_top_of_Arc_de_triomphe_Paris.jpg

Imagem 3Time de hackers do ISIL demonstrando suas cyber-atividades” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Islamic_State_of_Iraq_and_the_Levant#/media/File:ElectronicSpamEkowebKROPKAcomKROPKApl.jpg

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Moggar Frederes de Mattos - Colaborador Voluntário

Major da Brigada Militar do RS com 19 anos de serviço ativo, sendo 07 anos como Assessor de Inteligência da Agência Central de Inteligência da Brigada Militar do RS. Bacharel em Ciências Militares – Área Defesa Social pela Academia de Polícia Militar da Brigada Militar do RS e Bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do RS. Diplomado em Terrorismo e ContraInsurgência e em Combate ao Crime Organizado Transnacional e as Redes Ilícitas das Américas pelo Centro de Estudos Hemisféricos de Defesa William J. Perry da Universidade de Defesa Nacional dos EUA. Negociador Policial. Observador Policial/United Nations Police (UNPol) na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH) no ano de 2008. Atualmente exerce a função de Chefe da Secretaria Executiva do Chefe do Estado Maior da Brigada Militar do RS.

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