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Entre os dias 28 e 29 de março de 2015, na vigésima sexta cúpula da Liga Árabe, sediada pelo Egito, em um resort de Sharm el-Sheikh, cidade localizada no sul da Península do Sinai, os líderes árabes ali reunidos concordaram em criar uma força militar unificada para a resolução de crises regionais, como as crescentes ameaças de grupos terroristas extremistas como o Estado Islâmico (EI), e as guerras na Síria, na Líbia e no Iêmen.

Historicamente, a formação de coalizões militares entre os países árabes não é novidade. Por quatro vezes (em 1948, 1956, 1967 e 1973) alguns Estados árabes foram à guerra juntos contra Israel; no ano de 1982, os membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) – Arábia Saudita, Bahrain, Catar, Emirados Árabes Unidos (EAU), Kuwait e Omã – criaram o Escudo da Península, em resposta à Guerra Irã-Iraque (1980-88). Em 2011, o Governo do Bahrein solicitou auxílio das forças do Escudo da Península para conter os protestos da então “Primavera Árabe” e proteger instalações estratégicas no país. Um outro exemplo de coalizão se deu na recente Guerra do Iêmen com a operação ‘Tempestade Decisiva, encabeçada pela Arábia Saudita e que reuniu os membros da CCG (exceto Omã), mais a Jordânia, Egito, Sudão, Marrocos e o Paquistão. Curiosamente, países cujos governos seguem uma orientação sunita do islã e são contrapostos aos houthis, milícia xiita apoiada pelo Irã.

A possível criação de uma organização militar multinacional anunciada em Sharm el-Sheikh recebeu a alcunha de “OTAN Árabe”, mais por conta da possível estrutura do que pelo poderio bélico evidentemente. Sob o ponto de vista estratégico, uma união militar entre os países da Liga, em teoria, poderia representar um maior fluxo de informações de inteligência e a ampliação de interesses coletivos entre seus membros, sobretudo porque a maioria dos Estados da Liga são de orientação sunita, embora um grande número de xiitas componha a maioria da população no Líbano, em Bahrein e no Iraque. No que diz respeito à geopolítica e à geoestratégia, tal coalizão se estenderia desde o Oceano Atlântico ao norte do Índico e à margem leste do Golfo Pérsico.

Sharm el-Sheikh é uma prova que, apesar das dificuldades de conciliar interesses políticos, comerciais e geopolíticos, os países árabes podem buscar soluções conjuntas para os problemas regionais. Ademais, a possibilidade de no futuro ser criada a “OTAN Árabe” como uma entidade militar internacional pode ser considerado um fator alarmante para países como o Irã e Israel, que são inimigos históricos de grande parte dos países da Liga.  

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Imagem (Fonte):

http://www.americansecurityproject.org/time-for-an-arab-nato/

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André Figueiredo Nunes - Colaborador Voluntário Júnior

Graduado em Relações Internacionais pelo Centro Universitário da Cidade (UniverCidade) e mestre em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Desde 2013 pesquisador de geopolítica pelo Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval da Marinha do Brasil (EGN/MB), onde escreve sobre temas relacionados ao Oriente Médio para o Boletim Geocorrente. Principais ramos de atuação: Relações Internacionais, História, Geopolítica do Petróleo e do Oriente Médio.

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