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O retorno da violência a Jerusalém, promovida por militantes palestinos

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Jerusalém Oriental voltou a ser palco de hostilidades entre israelenses e palestinos. Mais uma vez, a Mesquita de alAqsa, para os muçulmanos, ou Monte do Templo, para os judeus, é o motivo da violência desencadeada por militantes palestinos sob a alegação de que, nos últimos dois meses, Israel tem restringido o acesso dos muçulmanos à Mesquita durante a visita dos judeus ao local, embora Israel afirme que tais medidas foram tomadas com a finalidade de evitar atritos[1]. Desde 1967, aquele espaço sagrado para os dois povos possui um status segundo o qual os judeus têm a permissão para visitar, mas não para rezar. Os termos do Acordo estabelecem que os assuntos religiosos e civis são geridos pelas autoridades muçulmanas sob a supervisão da Jordânia, enquanto que a segurança é de responsabilidade da Polícia Israelense[2].

A desconfiança palestina de que o status quo da Esplanada das Mesquitas esteja sendo alterado por Israel provocou os recentes distúrbios em Jerusalém e levou os residentes daquela cidade a viverem momentos de medo e de insegurança. De acordo com a imprensa local, “os ventos que agora estão soprando através da região são uma reminiscência dos primeiros dias da primeira Intifada, em 1987[3]. Isto não pressupõe o início da terceira Intifada, mas o aumento das tensões e das inquietações no entorno da Mesquita de alAqsa.

Muitos jovens palestinos têm levado a cabo ações violentas em Jerusalém, se valendo do uso de coquetéis molotov e de pedras lançadas contra policiais israelenses e residentes da cidade. A recente onda de ataques já provocou a morte de um cidadão israelense, na semana passada[4]. Conforme as agitações ganham força, aumentam as hostilidades que se espalham para fora da Cidade Velha de Jerusalém, fazendo com que cresça a quantidade de feridos. Na última sexta-feira, dia 18, após as orações muçulmanas, os protestos eclodiram na Cisjordânia, em Hebron, em Qalandia e em outras localidades, deixando aproximadamente 20 manifestantes palestinos levemente feridos e dois baleados nos confrontos com soldados israelenses[5].

Enquanto os ânimos seguem inflamados, o PrimeiroMinistro de Israel, Benjamin Netanyahu, prometeu fortalecer as medidas de prevenção e de punição contra os atos de violência. Para o Prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, “a Polícia terá de ser drasticamente mais agressiva[6] para conseguir neutralizar as ameaças e, para isto, um plano está sendo traçado. Embora Barkat não tenha fornecido detalhes sobre o plano, ele afirmou que “estamos discutindo uma implementação diferente da Polícia, sendo mais ágil, utilizando a força contra atiradores de pedras e coquetéis Molotov[7].

A persistência da desordem, em Jerusalém e outras localidades, aumenta a preocupação por parte de Governos locais e da ONU. O Rei Abdullah II, da Jordânia, disse que está acompanhando a situação de perto e que o assunto será discutido com o Presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, e o Presidente do Egito, Abdel Fattah elSisi, na próxima reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas, em finais de setembro[8]. Por outro lado, o Conselho de Segurança da ONU expressou “grande preocupação[9] com a violência nos lugares sagrados de Jerusalém, pedindo contenção e calma[9].

Não é possível conhecer, com antecedência, o desfecho dos acontecimentos mais recentes em Jerusalém, mas sabe-se que, após uma sucessão de Acordos falhados, a desesperança impera entre os palestinos. A diplomacia não foi capaz de sedimentar o projeto de Estado Palestino e, sem opção, aquela sociedade, ou parte dela, tomou para si a alternativa de retornar ao passado e agir por conta própria. Esta escolha acabou por estimular a violência atual, fazendo recrudescer a impossibilidade da paz entre israelenses e palestinos.

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Imagem Os distúrbios promovidos pelos palestinos, em Jerusalém, podem vir a despoletar a violência generalizada no Oriente Médio” (Fonte):

http://www.revelacaofinal.com/wp-content/uploads/2015/09/2015-849468705-20150915103900636rts.jpg_20150915.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://abcnews.go.com/International/wireStory/israel-calls-reservists-palestinian-attacks-33855887

[2] Ver:

http://abcnews.go.com/International/wireStory/israel-calls-reservists-palestinian-attacks-33855887

[3] Ver:

http://www.jpost.com/Arab-Israeli-Conflict/Analysis-Israel-must-prepare-for-Palestinian-Authoritys-collapse-416657

[4] Ver:

http://www.timesofisrael.com/jerusalem-mayor-israel-too-merciful-to-palestinian-rioters/

[5] Ver:

http://abcnews.go.com/International/wireStory/israel-calls-reservists-palestinian-attacks-33855887

[6] Ver:

http://www.timesofisrael.com/jerusalem-mayor-israel-too-merciful-to-palestinian-rioters/

[7] Ver:

http://www.timesofisrael.com/jerusalem-mayor-israel-too-merciful-to-palestinian-rioters/

[8] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/.premium-1.676851?date=1442858919230

[9] Ver:

http://www.haaretz.com/news/israel/1.676560

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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