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O retrocesso na normalização das relações EUA-Cuba

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Em 3 de outubro de 2017, terça-feira passada, os Estados Unidos expulsaram 15 diplomatas cubanos de Washington, em retaliação a incidentes misteriosos que tem atingido os representantes estadunidenses na ilha caribenha desde dezembro do ano passado (2016). Os funcionários do Departamento de Estado têm reportado sintomas como dores de cabeça, perda de audição, tontura e problemas cognitivos, cuja causa permanece indeterminada.

Reunião bilateral entre Castro e Obama

De acordo com o Departamento de Estado, a expulsão dos diplomatas cubanos visa colocar a embaixada no patamar atual da representação estadunidense em Havana, que opera em condições de emergência, com apenas 27 funcionários em razão dos referidos problemas de saúde.

O FBI conduziu investigações sobre o caso e suspeita que os problemas de saúde estão relacionados a um tipo de ataque sônico. Há também especulações sobre envolvimento de terceiros países, notadamente Rússia e Coreia do Norte. Os cubanos negam participação ou conivência com qualquer tipo de ação ofensiva.

A medida significa um retrocesso à normalização das relações bilaterais que haviam sido anunciadas em 17 de dezembro de 2014, pelo ex-presidente dos EUA, Barack Obama, e pelo líder cubano, Raul Castro. Naquele momento, foi revertido o rompimento das relações diplomáticas bilaterais em vigor desde 1961 e instaurada a embaixada de Washington em Havana. Na ocasião, foram anunciadas também novas regras para possibilitar viagens à ilha, facilitação de transações financeiras e exportação de determinados materiais, sem terminar com o embargo comercial instituído pelos EUA, que necessita de aprovação do Congresso para ser revisto.

A eleição de Donald Trump significou uma nova mudança para as relações bilaterais. A sua campanha eleitoral foi pautada por uma agenda mais dura em relação ao vizinho e, em junho de 2017, Trump divulgou a revisão de algumas das políticas em relação à ilha, proibindo viagens turísticas e transações financeiras a empresas sob o controle dos militares cubanos. Na ocasião, o Presidente fez um discurso em Miami, anunciando o endurecimento das políticas, aproveitando a ocasião para diferenciar-se de seu antecessor e dirigir-se à comunidade de migrantes cubanos na Flórida.

O diagnóstico da Presidência de Obama era de que a estratégia de isolamento adotada em relação a Cuba desde a Revolução havia falhado em promover a democracia na ilha e rendido desentendimentos com os países da América Latina, dificultando as relações hemisféricas. Assim, a Presidência apresentava a retomada das relações como uma renovação da liderança dos EUA nas Américas.

A visão expressava o entendimento de que a política dos EUA com relação à ilha havia se tornado um assunto regional e que havia necessidade de mudança para a promoção da cooperação hemisférica. As medidas adotas por Trump, contudo, mostram a dificuldade dos EUA em superarem as políticas da Guerra Fria em relação à Cuba e de promoverem um novo paradigma nas relações hemisféricas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Delta retorna a realizar voos a Cuba após 55 anos” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Delta_returns_to_Cuba_after_55-year_hiatus_(30538792024).jpg

Imagem 2Reunião bilateral entre Castro e Obama” (Fonte):

https://obamawhitehouse.archives.gov/blog/2015/04/13/seventh-summit-americas-presidents-trip-and-historic-meeting

Livia Milani - Colaboradora Voluntária

Mestre e doutoranda em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais "San Tiago Dantas" (UNESP,UNICAMP, PUC-SP) e graduada em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista - UNESP. Participa do Grupo de Estudos em Defesa e Segurança Internacional (GEDES/UNESP). Pesquisa principalmente nos seguintes temas: Segurança Regional, Política Externa, Integração Regional, Relações Brasil-Argentina, cooperação em Defesa na América do Sul, Relações Inter-americanas.

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