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O Tráfico de Órgãos Humanos pelo Estado Islâmico

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Enquanto a preocupação dos países ocidentais são as fronteiras da segurança, milhares de pessoas continuam sendo vítimas do Estado Islâmico, cuja ideologia fundamentalista constitui o alicerce da violência cometida contra seres humanos. Considerado o grupo irregular mais próspero da atualidade, os insurgentes conseguiram montar uma estrutura econômico-financeira suficientemente forte para garantir o desenvolvimento de suas atividades. Hoje em dia, as maiores fontes de renda do Estado Islâmico são o petróleo e a cobrança de impostos, seguidas do tráfico de drogas, tráfico de pessoas, sequestros[1] e, mais recentemente, a comercialização de órgãos humanos.

Relatórios oriundos de Mosul, cidade iraquiana capturada pelos radicais, em 2014, revelaram que os insurgentes têm se dedicado ao comércio de órgãos[2]. A nova atividade dos extremistas foi denunciada por moradores de Mosul, que desconfiaram de movimentações incomuns nas instalações médicas locais[3]. Hoje, no palácio do expresidente Saddam Hussein, naquela cidade, funciona uma clínica especializada na venda de órgãos humanos[4].

O trabalho de assistência e a retirada dos órgãos, segundo Siruwan alMosuli, um médico iraquiano, é realizado por cirurgiões supostamente contratados em países árabes e estrangeiros. De acordo com Mosuli, estes profissionais “são proibidos de se misturarem com os médicos locais[5].

Acredita-se que as vítimas do Estado Islâmico se encontram nas minorias cristãs e yazidis, xiitas, pessoas sequestradas, prisioneiros e, também, os seus militantes mortos em combate. Abo Rida, ex-prisioneiro dos jihadistas que, antes de fugir do cativeiro, viveu e presenciou cenas de tortura, verificou que alguns cativos recebiam tratamento diferenciado. Conforme afirmou Rida, aqueles que os radicais islâmicos consideravam serem mais fortes e saudáveis eram poupados das sessões de torturas, com a finalidade de manterem as condições físicas adequadas para a retirada de órgãos e para servirem o banco de sangue destinado aos combatentes feridos[6].

Muitos analistas têm considerado o novo tipo de comércio adotado pelo grupo extremista como sendo uma atividade lucrativa e com mercado garantido fora do Iraque e da Síria. Suspeita-se que os maiores compradores de órgãos vendidos pelo Estado Islâmico sejam a Arábia Saudita e a Turquia[7].

A gravidade da situação levou Mohamed Ali Alhakim, Embaixador do Iraque na ONU, a solicitar junto ao Conselho de Segurança da ONU, no início de 2015, uma investigação sobre o possível tráfico de órgãos. De acordo com o diplomata, as valas comuns nas quais o Estado Islâmico tem sepultado as suas vítimas, é possível verificar nos cadáveres incisões cirúrgicas e a falta de alguns órgãos[8]. Os jihadistas negam tais acusações, afirmando que “os guerrilheiros nem sequer têm tempo para parar no meio da batalha e recolher os corpos dos próprios camaradas[9]. No entanto, a Agência de Notícias turca Anadolu informou que os fundamentalistas criaram uma Escola de Medicina em Raqqa, na Síria[10].

Embora existam controvérsias, os relatórios apresentados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU revelam atrocidades que constituem Crimes Contra a Humanidade[11]. Todas as informações recolhidas confirmam a existência de mecanismos de tortura e de crimes contra seres humanos talvez jamais vistos depois do nazismo.

A seletividade adotada pelo Estado Islâmico em termos de pureza religiosa e a ambição pelo poder têm impulsionado a violência e a consequente Violação dos Direitos Civis e Humanos no Iraque e na Síria. O atual cenário nestes dois países exige, da comunidade internacional, ações concretas e capazes de inibirem aqueles atos para, deste modo, se evitar uma catástrofe humanitária em larga escala. 

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Imagem Tráfico de órgãos, a marca indelével do desrespeito para com a dignidade da pessoa humana” (Fonte):

http://humantraffickingcenter.org/posts-by-htc-associates/trafficking-organ-trade-often-overlooked-form-human-trafficking/

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://jornal.ceiri.com.br/a-contribuicao-da-economia-do-terrorismo-para-a-expansao-da-jihad-global/

[2] Ver:

http://aina.org/news/20141207155433.htm

[3] Ver:

http://aina.org/news/20141207155433.htm

[4] Ver:

http://actualidad.rt.com/actualidad/185833-estado-islamico-clinica-trafico-organos

[5] Ver:

http://aina.org/news/20141207155433.htm

[6] Ver:

http://www.express.co.uk/news/world/609158/ISIS-harvest-organs-Doctors-Escape-Abo-Rida-Syria-Terrorism-Surgeons

[7] Ver:

http://aina.org/news/20141207155433.htm

[8] Ver:

http://actualidad.rt.com/actualidad/166778-estado-islamico-cosecha-organos-irak?fb_comment_id=848395485222996_849481605114384#f9e878b2160d24

[9] Ver:

http://asemana.sapo.cv/spip.php?article107569&ak=1

[10] Ver:

http://asemana.sapo.cv/spip.php?article107569&ak=1

[11] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/03/onu-diz-que-estado-islamico-pode-ter-cometido-genocidio-no-iraque.html

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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