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O violento corredor de drogas na América Central: a fronteira Honduras-Guatemala

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A crise no Governo de Honduras em 2009 debilitou ainda mais o frágil sistema de instituições públicas dedicadas à segurança e justiça no país. A combinação de um Governo enfraquecido, com um amplo litoral caribenho e um interior remoto com pouca população ou infraestrutura oferece o ambiente ideal para que pequenos aviões vindos da América do Sul operem e deixem drogas no território hondurenho sem serem detectados. Já em Honduras, as drogas e outros produtos seguem caminho para Guatemala, onde redes de traficantes que trabalham com cartéis mexicanos, como os Zetas, transportam por terra a “mercadoria” para os Estados Unidos.

É assim que funciona uma das áreas mais perigosas da América Central, localizada ao longo da fronteira entre Honduras e Guatemala. A ausência da lei e a facilidade com que drogas chegam a esta região tem permitido a traficantes se tornarem altamente poderosos e, em alguns casos, autoridades locais, proporcionando dinheiro, assistência e trabalho à população da fronteira[1]

As províncias de Zacapa e Chiquimula, na fronteira da Guatemala, e as cidades fronteiriças de Copan e Ocotepeque, em Honduras, possuem números de homicídios altíssimos, normalmente quase 20% acima da média nacional de cada país[2]. Um recente Relatório da instituição International Crisis Group (ICG), intitulado “O corredor da Violência: a fronteira Guatemala- Honduras[1], analisa as razões e ações dos Governos locais com relação à violência na fronteira e salienta que estas províncias dividem importantes características que lhes são comuns: elas são pobres; com alto nível de desemprego; com pouco respeito e controle por parte do Governo[1]; além de serem importantes zonas de contrabando de produtos e drogas, com centenas de quilômetros de fronteiras ilegais chamadas “pontos cegos”. Esta situação se diferencia, por exemplo, da violência na cidade hondurenha de San Pedro Sula, conhecida pelos seus altos números de homicídios, já que, neste ambiente urbano, a violência é marcada pela forte presença de gangues[2].

O governo da Guatemala já possui um batalhão de força tarefa especial operando na fronteira com o México para frear as atividades criminais no norte e, mais recentemente, anunciou o mesmo esquema tático para controlar as fronteiras com Honduras[2]. Soluções temporárias como as polícias de segurança militarizadas, como força tarefa especial, são frequentemente acusadas de fracassarem em solucionar problemas básicos de segurança.

O relatório da ICG salienta que estas patrulhas nas fronteiras não serão suficientes já que a problemática vai muito além de uma presença policial no território fronteiriço. A instituição chama atenção aos Governos de Honduras e Guatemala para que adotem uma estratégia mais compreensiva que seja endereçada à violência relacionada às drogas, incluindo um fortalecimento da polícia local e órgãos judiciais, assim como prover à população mais acesso a educação e encorajar investimento público e privado nesta região[1][2].

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Imagem A rota da droga da América do Sul para América Central” (Fonte):

http://mexico.cnn.com/mundo/2012/01/25/america-central-sufre-el-sangriento-problema-del-trafico-de-drogas

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.crisisgroup.org/en/regions/latin-america-caribbean/guatemala/052-corridor-of-violence-the-guatemala-honduras-border.aspx?alt_lang=es

[2] Ver:

http://insightcrime.org/news-analysis/what-is-behind-violence-on-the-guatemala-honduras-border

Laura Elise Messinger - Colaboradora Voluntária Júnior 1

Mestre em Relações Internacionais- IHEID (Genebra, Suíça) e Mestre em Estudos Avançados de Organizações Internacionais- UZH (Zurique, Suíça). Bacharel em Relações Internacionais -Unilasalle (Canoas, RS), intercâmbio na UNICAH (Tegucigalpa, Honduras). Especialidades: direitos humanos, direito internacional humanitário, segurança e paz, democratização e América Central. Experiências profissionais: ONU (DPA- MSU), BID (segurança cidadã) e ONG Geneva Call – Suíça.

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