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[:pt]Obama, Clinton e a eleição pela manutenção do establishment[:]

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Na política norte-americana, o ciclo eleitoral apresenta uma agenda bastante atribulada para ambos os Partidos, com ritos tradicionais a serem seguidos e por vezes com algumas surpresas ao longo do caminho, que alavancam ou pulverizam uma campanha para a Presidência.

À luz dos movimentos desta próxima semana, será a vez de Hillary Clinton, na Convenção Democrata, aceitar a indicação do Partido para disputar o cargo máximo contra o republicano Donald Trump. Ressalte-se que será uma disputa entre os candidatos com maior índice de rejeição dos últimos tempos na história política dos Estados Unidos.

Hillary Clinton, por apresentar as credenciais de ex-Primeira Dama, ex-Senadora pelo Estado de Nova Iorque e ex-Secretária de Estado da primeira gestão Obama, possivelmente levará vantagem em relação ao magnata do ramo imobiliário e inexperiente a nível político.

Contudo, a parte da equação que analistas mais exploram desde os primeiros sinais de protagonismo de ambos os candidatos está entre a manutenção de uma roupagem tradicional da política, proposta pela democrata, ou o difundido discurso de restabelecer os marcos da grandeza, com um viés isolacionista, pelos republicanos.

Ao modelar à análise pelo recorte do Partido governista, a recente entrada de Barack Obama na campanha dá indicativos sobre como será a linha estratégica a ser seguida pela equipe de Hillary Clinton.

O usufruto da imagem do Presidente, aliado as suas políticas bem sucedidas nas esferas econômicas e sociais, bem como seu carisma, podem ofertar uma vantagem dada por esse elemento tático que não gozam os republicanos, pois não há em suas fileiras nomes de consenso, tampouco Trump tem sido visto pela comunidade votante com entusiasmo.

Com uma condução linear e muito precisa desde as primárias, os democratas souberam o momento certo de inserir Barack Obama na campanha. Com 56% de aprovação, o nível mais alto em um longo tempo, sua imagem e presença serão requisitados pela equipe de sua antiga Secretária de Estado e, a julgar pelos números do mandatário, a reprovação aos republicanos passou a ser quase automática.

O resultado que se espera da retomada das relações Obama-Clinton é, obviamente, a manutenção da hegemonia democrata no Salão Oval da Casa Branca. Mas, para chegar a esse consenso de utilizar o protagonismo de Barack Obama, foram inúmeras as tentativas de ambas as equipes de reaproximar os dois, principalmente por parte do Presidente estadunidense, que, apesar de reconhecer as credenciais e os serviços prestados por Hillary, entende que, se as divergências não fossem superadas, não poderia arriscar sua imagem em prol das estratégias políticas da candidata, e anseia por alguém que tenha força suficiente para derrotar Trump.

Essa visão conflituosa, no que tange ao apoio de Obama, implicou, em um primeiro momento, em desconforto para a candidata que não quer que seu potencial governo tenha a conotação de “continuísmo” da atual administração, ou seja, um “terceiro mandato de Obama”. Seu empenho em desvincular sua imagem com a do Presidente é explorada em demasia nos temas relacionados ao livre comércio e a Síria, por exemplo.

Por outro lado, Obama tem um legado a defender e seu objetivo neste fim de mandato e nas eleições vindouras é preservar as bases do Partido Democrata contra uma crescente turbulência anti-establishment e, por conseguinte, findar seu ideário de produzir 16 anos de governo progressista para, assim, criar mecanismos de reorientação da matriz política norte-americana.

Para o Sufrágio de novembro, um movimento que foi bastante esperado ao final da Convenção Republicana era quanto à escolha do running mate da candidata Clinton, uma vez que, para os especialistas políticos de Washington, tal determinação daria o real entendimento sobre as matrizes políticas a serem adotadas pelos democratas, assim como a congruência sobre o objetivo de Obama.

De uma lista que constava James G. Stavridis, Almirante quatro estrelas da Marinha; Julian Castro, que serviu como Secretário de Habitação de Barack Obama; Tom Vilsack, Secretário de Agricultura; Sherrod Brown, Senador por Ohio; Elisabeth Warren, Senadora por Massachusetts; e Cory Booker, ex-prefeito de Newark; o escolhido foi Tim Kaine, Senador por Virgínia e membro do Comitê de Relações Exteriores do Senado.

O Congressista, de 58 anos, foi eleito para o Senado em 2012, com extensa experiência em cargos públicos, dentre os quais, Prefeito da cidade de Richmond e Governador da Virginia, de 2006 a 2010.

É considerado pragmático em assuntos estrangeiros e com boa articulação nas casas legislativas, incluindo bom fluxo bipartidário. Possui fluência na língua espanhola, ferramenta esta que será muito importante para aproximar ainda mais Hillary da comunidade hispânica, ponto fraco de seu concorrente, Donald Trump.

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Imagem (Fonte):

https://suntimesmedia.files.wordpress.com/2016/07/obamaclinton070616.jpg?w=670

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Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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