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Obama na Índia: Relações Geopolíticas, Estratégicas e Comerciais em jogo

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O mês de janeiro marcou na agenda de política internacional um importante evento para a reaproximação nas relações entre Índia e Estados Unidos, com o presidente Barack Obama sendo recebido pelo primeiroministro Narendra Modi nas celebrações do Dia da República, data esta que marca o fim da colonização britânica do país asiático.

O encontro já havia sido acertado entre os dois Governos após a passagem do PrimeiroMinistro em Nova Iorque, em setembro de 2014, quando o mesmo discursou na Assembleia Geral das Nações Unidas, além de ter participado de conversas bilaterais com o mandatário norte-americano, bem como participado de outros eventos que, na ocasião, faziam parte da agenda diplomática do recém-empossado líder indiano.

Como parte dos esforços de restabelecer uma cooperação bilateral, o Presidente Barack Obama esteve em Nova Delhi a convite de Narendra Modi para fortalecer as relações e proceder com novas perspectivas para as duas grandes nações. Nesse sentido, a sua visita na Índia recebeu contornos de alinhamento em diversas áreas e de maneira implícita revelou dentro dos canais diplomáticos uma mensagem direta a Paquistão e China sobre como será a condução da política externa norte-americana para o Sudeste Asiático nos últimos anos de mandato do atual líder estadunidense.

Por essa medida, alguns pontos relevantes da visita foram analisados por especialistas em Relações Internacionais que, por ora, dizem muito sobre as políticas que ambos os Estados pretendem implementar para criar um grau de amplitude maior para a cooperação internacional. Dentre os pontos a elucidar estão:

  1. Cooperação energética e questões climáticas seriam temas de fundamental importância na agenda do encontro. A posição indiana de início era reticente quanto à diminuição da emissão de gases do efeito estufa. Grosso modo, o governo indiano anunciava que para manter um nível desenvolvimentista crescente seria necessário postergar políticas ambientais tal como fizeram nações desenvolvidas nos períodos de Revolução Industrial. Entretanto, as negociações avançaram nos últimos meses e durante a visita da alta cúpula da Casa Branca, Modi acenou para expansão do uso de fontes alternativas de energia, de matriz renovável, bem como encaminhar Nova Delhi para acordos internacionais sobre o aquecimento global;
  2. A declaração conjunta feita pelos dois governos coloca em destaque na pauta, cooperação econômica e de defesa, dando sinais principalmente para Pequim que o conceito de política externa para a Ásia, denominado “Pivot para Ásia” terá forte conotação no campo da Defesa. A declaração deixa clara a confluência e diversidade na cooperação bilateral, ao passo que reestrutura o equilíbrio dos Estados Unidos na Ásia e direciona a Índia a promover uma “Indias Act East Policy” com potenciais oportunidades para o país e estreitando os laços junto com norte-americanos para fortalecer as alianças regionais;
  3. No âmbito econômico o termo “bilateral investment treaty” aparece na declaração feita ao final do encontro sugerindo melhorias na condução de novos negócios. Porém, há indícios de empresas dos EUA que se queixam da burocracia para se inserir no mercado indiano, aliado a corrupção que limita as oportunidades e coloca em risco negócios que auxiliariam na economia de ambos os países. Dessa forma, seria necessário capital político por parte do governo de Nova Delhi para desmembrar esses entraves visando o melhor fluxo de comércio;
  4. A declaração conjunta contempla ainda possibilidades de transferência de tecnologia em defesa, comércio, pesquisa, coprodução e codesenvolvimento através do “U.S.-India Defense Technology and Trade Initiative” (DTTI, na sigla em inglês). Existe a prerrogativa da indústria militar de Estados Unidos e Índia cooperarem no desenvolvimento de novas tecnologias bélicas. O primeiroministro Narendra Modi almeja alcançar a autossuficiência nesse setor em vista da geopolítica complexa da região, uma vizinhança instável seria um dos motivos para os investimentos;
  5. Ambos os países baseados na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito Mar trabalham em conjunto para salvaguarda, segurança e liberdade de navegação no Mar do Sul da China. Um recado que foi dado no encontro no final do ano passado em Nova Iorque e que, mesmo não aparecendo na declaração do encontro desse ano, fez valer nos canais diplomáticos mensagens sobre esse tema, até mesmo pela forma como a cooperação bilateral estará sendo conduzida;
  6. De forma pragmática, algumas cláusulas do encontro trataram do terrorismo, contraterrorismo e medidas legislativas para combater os grupos que atuam na região, dentre os quais os antiÍndia com base no Paquistão, como o LashkareTayyiba, o JaisheMohammad e o Rede Haqqani;
  7. A questão nuclear também esteve na pauta. Pelo fato de ambos os países terem firmado Acordos em 2006 e 2008, a Índia recebeu uma dispensa do Grupo de Fornecedores Nucleares (Nuclear Suppliers Group) sendo, portanto, o único signatário do Tratado de não-proliferação de armas nucleares (NPT, na sigla em inglês) em situação complacente com atividades nucleares comerciais, mantendo, por fim, um programa de armas nucleares ativo. Obama e Modi estudam a adoção de um seguro para fornecedores estrangeiros que desejam atuar em território indiano nesse campo;
  8. Por fim, a declaração explicita a importância do estreitamento das relações com outros países da região Ásia-Pacífico, com consultas, diálogos e exercícios militares conjuntos. Ainda como parte desses esforços, a declaração destaca a importância do fomento da relação trilateral EUAÍndiaJapão. Tóquio, um aliado tradicional de Washington, desde o fim da Segunda Grande Guerra, tem se aproximado cada vez mais do governo de Nova Delhi, não a toa foi o país convidado para as festividades do Dia da República em 2014.

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Fonte (Imagem)

https://news.bbcimg.co.uk/media/images/80514000/jpg/_80514915_80514914.jpg

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Fontes Consultadas:

Ver:

http://thediplomat.com/2015/01/9-takeaways-on-us-india-ties-after-obamas-india-visit/

Ver:

http://thediplomat.com/2015/01/us-india-cooperation-on-naval-aviation-game-changer/

Ver:

http://thediplomat.com/2015/01/what-you-need-to-know-about-obamas-trip-to-india/

Ver:

http://www.cfr.org/india/do-us-india-relations/p36069

Ver:

http://www.cfr.org/india/do-us-india-relations/p36086

Ver:

http://www.reuters.com/article/2015/01/15/us-usa-india-arms-idUSKBN0KO02520150115

Ver:

http://carnegieendowment.org/2015/01/21/unity-in-difference-overcoming-u.s.-india-divide/i0m1

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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