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Obama pede que seja restringido o acesso a armas nos EUA

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Nos Estados Unidos da América (EUA), de tempos em tempos nos deparamos com notícias trágicas a respeito do uso de armas de fogo empregadas por civis. No final de novembro, um homem matou três pessoas, entre eles um policial, na clínica Planned Parenthood, um centro que presta serviços de saúde a mulheres, incluindo abortos, no estado do Colorado. Ainda, não foi informado as razões que levaram o atirador a disparar contra a clínica, entretanto, segundo a Federação Nacional do Aborto, ataques como esse ocorrem desde a legalização do aborto no país, em 1973. De acordo com a Federação, entre o período de 1997 e 2015 ocorreram cerca de 73 ataques em clínicas de aborto no país. 

De acordo com dados divulgados pelo Centro de Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), os Estados Unidos têm o maior índice de mortes por armas de fogo entre os países desenvolvidos. Em quase uma década, de 2004 à 2013, aproximadamente 316.545 pessoas morreram no país. Dados sobre a violência nos EUA mostram como tragédias como essa tornaram-se rotineiras. No início de outubro passado, Barack Obama, o Presidente norte-americano, pediu que os números fossem comparados às mortes por terrorismo para que a população enxergasse o problema envolvendo a facilidade do porte de armas, especialmente porque existem tantas armas quanto pessoas. Assim, conforme assinalado pela BBC, de acordo com o Departamento de Justiça dos EUA e com o Conselho de Relações Exteriores, o número de mortes em incidentes com armas de fogo entre 2001 e 2011 foi de 130.347, enquanto que mortes relacionadas a atos terroristas chegaram a 3 mil, das quais, 2.689 ocorreram nos atentados de 11 de setembro de 2001.

Após o ataque à clínica Planned Parenthood, Barack Obama ressaltou mais uma vez, em comunicado emitido pela Casa Branca, que o povo estadunidense não pode permitir que tragédias de tal natureza se tornem algo do cotidiano de suas vidas. Desde que assumiu a Presidência, em 2009, esse foi o 16º pronunciamento de Obama envolvendo tragédias como essa e, mais uma vez, o Presidente fez um apelo para que se limite o acesso a armas de fogo.

Vale ressaltar que outras tragédias envolvendo uso de armamentos por civis já marcaram a história norte-americana. Em dezembro de 2012, a morte de 20 crianças e seis professores em uma escola primária de Connecticut ganhou apelo internacional para controle de armas. Naquele momento, o presidente Obama pediu e procurou promover melhorias para o controle e limite ao acesso, tentando impedir que pessoas com antecedentes ou doentes consigam adquirir armas. No entanto, as medidas propostas acabaram sendo frustradas pelo Congresso, tanto por republicanos quanto por alguns democratas. Além disso, o acesso a armas é garantido pela Segunda Emenda da Constituição, e defendido fortemente por grupos de lobby no país, como a Associação Nacional de Rifles (NRA, na sigla em inglês), que conta atualmente com aproximadamente de 5 milhões de membros.

No início do mês de outubro deste ano (2015), mais uma tragédia chamou atenção para a facilidade ao porte de armas no país, quando um atirador matou mais de 10 estudantes, em uma faculdade na cidade de Roseburg, no Estado do Oregon. Naquela ocasião, o presidente Obama fez um discurso chamando a atenção da população, tendo em vista as eleições no próximo ano, para elegerem políticos que desafiem o lobby da indústria armamentista, que tem grande influência na política interna e externa do país. Em seu discurso, no início de outubro, o presidente Obama fez duras críticas aos legisladores que cedem à pressão do lobby armamentista.

Pontuando o êxito de outros países, como Reino Unido e Austrália, que endureceram suas leis de porte de armas, em resposta a massacres, e conseguiram reduzir os índices dessa violência, o presidente Obama questionou: se para cada cidadão existe uma arma, como isso nos deixará mais seguros? Em resposta, alguns pré-candidatos republicanos à Presidência do país dizem que o discurso de Obama tem caráter apenas político e de uma agenda antiarmas. Em contrapartida, pré-candidatos democratas apontaram que medidas de controle podem prevenir que armas cheguem em mãos erradas e, portanto, essas medidas podem salvar vidas.

Por fim, segundo uma pesquisa recente realizada pelo Gallup, cerca de 55% das pessoas entrevistadas querem leis mais duras para acesso de armas nos EUA. A pesquisa também pontuou que, enquanto grupos contra o fácil acesso a armas argumentam que é necessária uma vistoria mais rigorosa antes de vender armas, grupos pró-armas destacam que vistorias mais rigorosas infringem o direito constitucional do cidadão de portá-las.

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Imagem (Fonte):                                                                                                                      

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/10/mais-da-metade-quer-leis-mais-duras-para-armas-nos-eua-diz-pesquisa.html

Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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