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No âmago da ciência política, determinar ganhos e perdas era uma atribuição meramente interpretativa, não exata, nem numérica, porém centrada na observação do que concerne ao poder. A ciência política, no entanto, vem caminhando na direção das ciências exatas para determinar sucessos e fracassos de governos, cuja força do discurso e das ações perde para a capacidade estatística de mensurar o quão bom um governo foi ao final de seu mandato.

No sexto ano de mandato do presidente Barack Obama, as estatísticas quanto a sua habilidade em governabilidade começam a surgir e, consequentemente, também as críticas sobre a sua condução. De acordo com os principais órgãos de levantamento de dados e pesquisas dos Estados Unidos, à desaprovação da gestão presidencial democrata tem maioria. Para a Real Clear Politics, ela é de 51,6% e, para a Gallup, de 53%. Tais números, uma vez analisados, apresentam, segundo analistas consultados, cenas introdutórias da pior conjuntura do Partido Democrata desde o fim da Grande Depressão. Ou seja, a queda de representatividade, tanto no âmbito federal, como estadual e distrital deverá ser uma variável a mais que os analistas estratégicos do Partido terão que se debruçar, caso queiram o terceiro mandato seguido[1].

Segundo Jeff Greenfield, um dos mais respeitados analistas políticos dos Estados Unidos e colunista na Politico MagazineBarack Obama entra para a história como o Presidente que apresentou pouca mobilidade e destreza em fomentar acordos com democratas e republicanos em quase todos os níveis da política[2].

A explanação compartilha da mesma análise já feita anteriormente por David Axelrod, um dos principais estrategistas de Obama, que entende que a eleição de 2008 foi impulsionada pela antipatia justificada por George W. Bush (20002008), algo que ajudou o Partido Democrata a restabelecer uma nova agenda para a política em Washington, que estava desgastada por desmandos e atrapalhada pela gestão republicana. As vitórias democratas em 2006 nas eleições de meio de mandato, conhecidas como “Midterms Elections”, bem como nas de 2008 para Estados e Distritos tradicionalmente alinhados com o Partido Republicano, trouxeram a ilusão de que se estava passando por um período de recessão comparável ao tempo da Grande Depressão de 1929 e que o desafio da nova gestão seria destacável e apoiado pela população.

Nesse sentido, ao aprofundar a disposição política dos últimos seis anos, parece evidente que isso não aconteceu. Quando Barack Obama deixar o cargo em janeiro de 2017, o Partido Democrata terá cedido vastas seções do país para os republicanos, deixando a base fraca, inviabilizando uma agenda “progressista” e colocando em xeque futuras novas lideranças que eventualmente poderiam fortalecer novamente o Partido em eleições à frente.

Hoje, em números, a base do Governo na Câmara dos Representantes conta com 188 democratas. Eram 257 no ano em que Obama tomou posse. Do outro lado do Capitólio, atualmente são 46 senadores, 14 a menos do que em 2009. Aliado a isso, os republicanos passaram a ter 31 governadores, incluindo nos considerados “Blues States”: Maine, Massachusetts, Nova JerseyMaryland, Wisconsin, Michigan, Illinois, Novo México, Nevada e Ohio.

Os potenciais novos líderes democratas que estão em preparação para eleições futuras seriam, assim como foi Obama, o motor para reaver a parcela de eleitores jovens que ajudaram a eleger um dos Presidentes mais jovens à época (Obama, em 2008, tinha 47 anos). Entretanto, como vem sendo apontado por especialistas, com um cenário desfavorável e com líderes atuais de uma geração totalmente diferente, a construção política até janeiro de 2017 deixará como herança candidatos que irão desaparecer após o término do futuro ciclo eleitoral de 2016, haja vista que os principais competidores, Hillary Clinton e Bernie Sanders já estão com 67 e 73 anos, respectivamente. Acrescente-se que o vicepresidente Joe Biden está com 72 anos; a líder democrata na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, com 75 anos, e o líder democrata no Senado, Harry Reid, que irá se aposentar no próximo ano, também com 75, mostrando como é grande necessidade de construir novos nomes.

É necessário, por fim, compreender que a administração Obama teve também grandes méritos. Na esfera da política externa, por exemplo, ocorreu a reaproximação com Cuba e Irã, desenvolveu a política externa para Ásia, conhecida como Pivot para Ásia, e a Parceria Transpacífico, que ainda está em curso e é fruto de grandes debates no Capitólio. Na esfera social, implantou o sistema de saúde conhecido como Obamacare, o aumento do salário mínimo de servidores federais e trabalhou a sempre conturbada questão dos direitos civis. Na esfera econômica, ocorreu o restabelecimento de postos de trabalho, derrubando o índice de desemprego para 6,5%, próximo das atividades de “pleno emprego” e, de modo geral, operou o reequilíbrio macroeconômico, que, ainda este ano (2015), permitirá aumentar a taxa de juros e reaver parte do montante de liquidez que havia ido para outros mercados por conta da crise da década passada.

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ImagemUnder a rainbow at Norman Manley International Airport in Kingston, Jamaica, April 9, 2015” ( FonteOfficial White House Photo by Pete Souza):

https://www.whitehouse.gov/blog/2015/07/24/behind-lens-photographing-president-50-countries

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.realclearpolitics.com/epolls/other/president_obama_job_approval-1044.html

[2] Ver:

http://www.politico.com/magazine/story/2015/08/democratic-blues-121561.html?hp=m1#.VdnRNflViko

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Ver Também:

http://www.politico.com/story/2015/08/marty-nesbitt-barack-obama-foundation-chair-121544.html?hp=b1_r1

Ver Também:

http://www.gallup.com/home.aspx

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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