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Ocidente fica cético com relação à declaração sobre possibilidade de renúncia de Assad

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As potências ocidentais continuam céticas com relação as declarações do Regime sírio acerca da possibilidade de renúncia do presidente Bashar al-Assad para por fim aos conflitos com a oposição do país.  A declaração foi feita pelo vice-primeiro-ministro Qadri Jamil, ontem, dia 21 de agosto, de Moscou, onde se encontrava em reunião com o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov.

Afirmou: “Fazer da renúncia uma condição para manter um diálogo significa que jamais se poderá haver tal diálogo. Mas, nas negociações, pode-se falar de qualquer problema. Estamos dispostos, inclusive, a falar sobre este ponto”*.

 

A forma vaga como foi referida a hipótese de renúncia levou os norte-americanos a tomá-la com ceticismo, quase ignorando-a, pois foi colocada como possibilidade de ser pensada a negociação e não como pauta para ser negociada.

A porta-voz do “Departamento de Estado” norte-americano, Victoria Nuland, declarou: “Francamente, não vimos nada significativamente diferente”*. Esta consideração também vem sendo tomada pelos analistas que identificam pouco avanço, uma vez que o ponto central está no apoio que o Governo Assad vem recebendo dos governos russo e chinês, que não aceitarão qualquer interferência externa e mantém a postura de que “A reconciliação nacional é a única maneira de impedir o quanto antes possível o derramamento de sangue e de criar as condições para que os sírios se sentem à mesa de negociações e definam o destino de seu país sem ingerências externas”*, segundo declaração de Lavrov.

De acordo com os observadores, os russos fincarão sua postura enquanto não tiverem convicção de não serem afetados em sua área de influência e vem recebem apoio dos chineses, porque também não desejam ver os ocidentais controlando esta área importante geoeconomicamente e estrategicamente. Por isso, acreditam os analistas que as declarações sobre a mudança de Regime por meio de uma renúncia deve ser considerada a partir do posicionamento dos russos e não de declarações das autoridades sírias, exceto se elas vierem a reboque de manifestações e em função de planejamento de Moscou.

O presidente Obama emitiu comunicado de que está sendo estabelecido pelo seu Governo uma linha vermelha, a partir da qual não será mais dada tolerância para Assad: a movimentação e/ou uso de armas químicas. Com isso, está acenando para o fato de que considerará como ponto final não apenas que o Presidente sírio autorize o uso deste tipo de armamento, mas, também e especialmente, que o dissemine pelos seus aliados na região, principalmente os grupos considerados terroristas, como o Hezbollah.

Obama afirmou: “Temos sido muito claros com o regime de Assad, mas também com os outros combatentes no terreno, que o limite para nós é (se) começarmos a ver um monte de armas químicas se deslocando ou sendo utilizadas. (…). Isso mudaria o meu cálculo. (…). Não podemos ter uma situação em que armas químicas ou biológicas estão caindo nas mãos de pessoas erradas”**.

A declaração incomodou a Rússia que, por sua vez, informou que não tolerará qualquer interferência externa, bem como alertou das conseqüências desse ato, algo citado diretamente também pelo vice-primeiro-ministro, Qadri Jamil, o qual, após declarar que a ameaça era apenas para consumo interno nos Estados Unidos, motivada por razões eleitorais, ressaltou que isso tornaria o conflito regional, aposta que está no cálculo estratégico de Assad, de acordo com vários analistas. Nas palavras de Jamil: “Intervenção militar direta na Síria é impossível, porque quem pensa sobre isso… está caminhando para um confronto mais amplo do que as fronteiras da Síria”**.

Apesar de não se acreditar que a Rússia queira um conflito, ou vá confrontar os EUA, pois as perdas seriam gigantescas para os dois, está no cenário que ela poderá permitir a expansão da Guerra Civil para o contexto de conflito regional, já que neste cenário as perdas coletivas seriam tão grandes que os russos conseguiriam colocar suas exigências para apoiar as demais potências mundiais, evitando o prolongamento deste possível conflito.

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Fonte:

* Ver:

http://br.noticias.yahoo.com/regime-s%C3%ADrio-se-diz-aberto-negociar-reúncia-assad-173543609.html

** Ver:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE87K04220120821

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Ver Também:

http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/para-siria-opiniao-de-obama-sobre-arma-quimica-e-propaganda

Ver Também:

http://www.dgabc.com.br/News/5976040/siria-possibilidade-de-discutir-renuncia-de-assad.aspx

Ver Também:

http://ultimosegundo.ig.com.br/revoltamundoarabe/2012-08-21/russia-alerta-contra-ameaca-dos-eua-de-intervencao-militar-na-siria.html 














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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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