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Oleoduto equatoriano ajuda a escoar produção de petróleo da Colômbia

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O Oleoducto de Crudos Pesados (OCP) equatoriano tem servido, desde 2013, como rota de escoamento de petróleo cru colombiano para outros países. O OCP interliga o Terminal Amazonas na cidade de Nueva Loja, capital do Cantão Lago Agrio, na Província de Sucumbíos, ao Terminal Marítimo de Punta Gorda, na cidade de Esmeraldas, capital do Cantão e Província de mesmo nome*.

O litoral colombiano tem 3.208km distribuídos nos Oceanos Atlântico (1.760km) e Pacífico (1.448km), enquanto a faixa litorânea equatoriana tem 2.237km, exclusivamente no Pacífico, e a Colômbia tem mais portos que o Equador, portanto, a oferta de embarcadouros não é a razão da escolha deste país como rota. Também não é por falta de oleoduto em direção ao mar, porque o Oleoducto Trasandino (OTA), com cerca de 314km, parte da região amazônica colombiana até o porto de Tumaco, no Pacífico, enquanto o OCP tem 485km de extensão desde a Amazônia equatoriana até a costa do mesmo Oceano no Equador.

A exploração de petróleo na região do Parque Nacional Yasuní** é contestada desde 2007 e, em razão da capacidade ociosa do oleoduto, a empresa proprietária, OCP Ecuador, passou a buscar opções fora do país. Um Acordo Binacional, firmado em fevereiro de 2013, garantiu a legalidade aduaneira do transporte transfronteiriço e permitiu a criação de rota alternativa de escoamento do petróleo. As operações iniciaram em abril de  2013, com empresas petrolíferas das Províncias de Putumayo e Nariño, no sul da Colômbia, por meio da interconexão de oleodutos. 

Em junho de 2015, um atentado das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) ao OTA danificou o equipamento, além de ter causado “o maior dano ambiental da década no país. O escoamento por território colombiano passou a representar risco de perdas e prejuízos e, a partir de setembro de 2015, a OCP Ecuador passou a receber o petróleo da nação vizinha no seu Terminal Amazonas, entregue também por carros-tanque.

O Acordo de Paz assinado entre o Governo de Bogotá e as FARC, em 2016, não foi suficiente para solucionar o problema. O oleoduto sofreu nova investida terrorista, desta vez de uma facção do Exército de Libertação Nacional (ELN), em novembro de 2016. Por ocasião de mais uma ação criminosa de ruptura da tubulação, em abril de 2018 o periódico colombiano La República noticiou que os oleodutos do país haviam sofrido mais de 60 ataques em 2017. Um mês depois, o diário El Tiempo contabilizou nove ocorrências, somente contra o OTA, no período de janeiro a maio de 2018.

A insegurança que ronda o equipamento colombiano gerou ainda mais oportunidades para o similar equatoriano, pois, embora o narcoterrorismo já tenha se expandido para a faixa fronteiriça entre os dois países, o trajeto do Oleoduto em direção ao mar se afasta mais dessa região. A OCP Ecuador investiu em novas tecnologias e conseguiu, a partir de fevereiro de 2017, iniciar o transporte não só de petróleo cru do tipo pesado como também do tipo leve, atendendo uma demanda de clientes deste tipo de produto.

Desde final de 2015, a OCP transporta inclusive óleo cru da empresa dona do OTA,  uma sociedade anônima colombiana de economia mista e controle estatal denominada Ecopetrol S.A.. Enquanto a Colômbia aumenta os volumes exportados para os Estados Unidos, superando a Venezuela, a empresa proprietária do Oleoducto de Crudos Pesados, que mantém 11 convênios e acumula mais de 15 milhões de barris transportados, comemora o aumento das operações de transporte e embarque do “ouro negro” colombiano.

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Nota:

* Os cantões, em número de 221, são o 2º nível de divisão administrativa do Equador, logo abaixo das 21 províncias.

** Na floresta do Equador.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Trajeto do Oleoduto de Crus Pesados (OCP)” (Fonte):

http://ocpecuador.com/sites/default/files/public/images/perfil-ocp-2013-con_valvulas.jpg

Imagem 2 Tubulação do Oleoduto de Crus Pesados (OCP)” (Fonte):

http://ocpecuador.com/sites/default/files/public/images/dia_3_3.jpg

A.C. Ferreira - Colaborador Voluntário

Mestre e especialista em relações internacionais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), especialista em Política e Estratégia pelo programa da ESG (UNEB, ADESG/BA), bacharel em Administração pela Universidade Católica do Salvador (UCSal). Consultor e palestrante de Comércio Exterior.

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