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Olimpíada de PyeongChang 2018: a atuação dos atletas russos após a condenação

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Chegou ao fim, no último dia 25 de fevereiro, a 23ª edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, realizados este ano (2018) na cidade de PyeongChang, na Coreia do Sul. Porém, a disputa começou muito antes, fora do certame esportivo, no dia 19 de julho de 2016, quando o Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu por investigar formalmente as denúncias sobre práticas de doping russo durante as Olimpíadas de Sochi 2014, possivelmente envolvendo o Governo, para garantir uma melhor performance de seus atletas nos Jogos “em casa”.

O relatório da comissão disciplinar do COI – publicado em dezembro de 2017 – concluiu por meio de análises documentais, forenses e biológicas, realizadas pelo Comitê, sobre a  existência de uma “cultura de doping na Rússia”, assim chamada pelo próprio COI, já que, conforme afirma, se estendia a outras edições da competição, ao menos em 2008 (Pequim) e 2012 (Londres).

Segundo foi noticiado, tal prática teria consentimento e apoio do então Ministro dos Esportes da Rússia, Vitaly Mutko, bem como de demais organizações esportivas do país e do Laboratório de Moscou, atores daquilo que o COI chamou de “sistemático aparelho de manipulação”, usando o método do desaparecimento positivo das amostras dos atletas. Ao final do relatório, as recomendações baseavam-se em medidas sancionatórias e punitivas das entidades envolvidas, ainda que os direitos individuais dos atletas russos fossem protegidos.

Foram então deliberados pelo comitê executivo do COI, diante dos fatos, a suspensão do Comitê Olímpico da Rússia; convites individuais aos atletas russos que testaram negativo ao doping (sob a condição de repetição dos testes); participação do grupo com o nome “Atletas Olímpicos da Rússia” (OAR, em inglês), representados pela bandeira e hino Olímpicos nas cerimônias; proibição da presença de qualquer oficial russo no evento, entre outros. De acordo com a declaração do presidente do COI, Thomas Bach, “(O esquema de doping sistemático da Rússia) Foi um ataque sem precedentes sobre a integridade dos Jogos Olímpicos e do Esporte”.

Alina Zagitova (ouro) durante sua apresentação na modalidade patinação artística

No âmbito esportivo, 168 atletas russos foram convidados e competiram em 15 modalidades, respeitando as restrições a favor da neutralidade, e garantiram o 13° lugar no quadro geral de medalhas, sendo 2 delas de ouro, 6 de prata e 9 de bronze, totalizando 17 premiações. Os grandes destaques ficaram para o final da competição, quando Alina Zagitova (foto) conseguiu a primeira posição na patinação artística e o time de hockey foi campeão no último dia, após uma eletrizante partida contra a seleção da Alemanha, com o placar final de 4 a 3, depois de o jogo ter ido para a prorrogação.

A ocorrência negativa ficou por conta da dupla mista de curling, Anastasia Bryzgalova e Aleksandr Krushelnitckii, que, após conquistar a terceira colocação, foi testada como positivo no anti-doping e teve de ceder a medalha de bronze para a dupla norueguesa. Apesar do revés, os testes realizados posteriormente com os demais atletas deram negativo e o COI retirou na última quarta-feira (28/02) a suspensão do Comitê Olímpico da Rússia com efeito imediato e restaurou todos os direitos antes cessados.

Anastasia Bryzgalova e Aleksandr Krushelnitckii (dir) no pódio, antes de serem cassados por doping

Já na próxima sexta-feira, dia 9, começam os Jogos Paraolímpicos de Inverno, também realizados em PyeongChang, e vão até o dia 18 de março, contando com a presença de 670 atletas do mundo todo. A delegação paraolímpica russa contará com 72 pessoas ao total, sendo 30 atletas convidados, competindo nas modalidades de esqui alpino, corridas de esqui, biatlo, snowboard e curling. Apesar da retomada dos direitos publicada pelo COI, o Comitê Paralímpico Internacional (CPI) manteve a suspensão, e os participantes ainda terão que atuar sob a bandeira neutra e execução do hino Olímpico. Tal fato gerou um mal-estar entre a delegação a ponto de nenhum atleta russo aceitar levar a bandeira Olímpica no desfile solene de abertura dos Jogos. A pedido do Comitê Paralímpico Russo (CPR), a representatividade será feita por meio de voluntários.

O Brasil estará representado, pela segunda vez na História dos Jogos Paraolímpicos de Inverno, sendo o quarto país latino-americano a participar do evento. A delegação brasileira terá 12 pessoas, sendo três atletas: Aline Rocha e Cristian Ribera, do esqui cross-country, e André Cintra, do snowboard. Stefano Arnhold, presidente da Confederação Brasileira de Esportes de Inverno, comemorou ao dizer: “Estamos muito satisfeitos com o trabalho feito em nossa primeira participação. Nosso objetivo é melhorar as marcas alcançadas quatro anos atrás em Sochi”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Atleta Olímpico da Rússia, ouro na final do masculino de Hockey” (Fonte):

https://www.olympic.org/photos/ice-hockey-men-gold-medal-game

Imagem 2 “Alina Zagitova (ouro) durante sua apresentação na modalidade patinação artística” (Fonte):

https://www.olympic.org/photos/figure-skating-ladies-single-skating-1

Imagem 3 “Anastasia Bryzgalova e Aleksandr Krushelnitckii (dir) no pódio, antes de serem cassados por doping” (Fonte):

https://www.olympic.org/photos/curling-mixed-doubles-6

Wilson Mencaroni - Colaborador Voluntário

Pós-graduado em Gestão de Negócios Internacionais pela Business School São Paulo (BSP), Bacharel em Relações Internacionais no Centro Universitário Fundação Santo André - Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas. Bolsista pelo CNPq em 2009 com o projeto de iniciação científica "A Soberania Nacional em face dos Tratados Bilaterais: A Questão do Tratado de Itaipu". Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Atitude e Ideologias Políticas, atuando principalmente nos seguintes temas: integração, direito, democracia, segurança e negociação internacional. Em sua carreira, conquistou o cargo de Gerente de Negócios Internacionais. Está em contato com o comércio exterior, aprofundando seu conhecimento e focando suas habilidades para os procedimentos de importação. Já participou de diversas feiras internacionais, representando sua empresa, tendo a função de estreitar o relacionamento com fornecedores, investidores e clientes estrangeiros, além de trabalhar a marca da empresa e conquistar distribuições em diferentes continentes.

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