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OLP procura apoio internacional para o retorno dos cadáveres dos militantes retidos por Israel

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A recente onda de violência que assolou Jerusalém Oriental, em setembro de 2015, e que teve o Monte do Templo, ou Mesquita de al-Aqsa, como o epicentro das hostilidades dos palestinos contra os judeus compõe, hoje, mais um capítulo no embate entre os dois povos. Embora os descontentamentos e os atentados não tenham cessado totalmente, outro episódio encontra-se, atualmente, no centro do conflito. Trata-se da permanência, em território israelense, dos corpos de nove militantes palestinos que, supostamente, estavam realizando ataques em Israel e foram abatidos pelas Forças de Segurança daquele país. O lado palestino, através da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e ONGs de Direitos Humanos, tem pedido apoio internacional para o repatriamento dos cadáveres de seus compatriotas para que sejam sepultados na Palestina, em conformidade com os costumes familiares e religiosos.

De acordo com as ONGs palestina e israelense, a Associação de Direitos Humanos e Apoio aos Prisioneiros (Addameer) e o Centro Legal para os Direitos da Minoria Árabe em Israel (Adalah), está ocorrendo “uma grave violação do Direito Internacional Humanitário, bem como do Direito Internacional dos Direitos Humanos, incluindo violações do direito à dignidade, liberdade de religião e o direito de praticar a cultura”. As ONGs também argumentam que a retenção dos corpos “obstrui a possibilidade de realizar um inquérito sobre as circunstâncias das supostas execuções extrajudiciais e uma autópsia adequada”.

Na sequência dos acontecimentos, o Secretário-Geral do Comitê Executivo da OLP se reuniu separadamente com o Coordenador Especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio, Nikolay Mladenov, uma delegação parlamentar belga, suíça, chanceleres cipriotas e o representante do Japão para a Palestina para tratar do assunto, tendo afirmado que “punições coletivas de Israel estão agora a ser realizadas contra os vivos e os mortos”. Enquanto prossegue o impasse sobre a questão, que está a ser levada ao âmbito internacional, os palestinos alegam que havia sido estabelecido um acordo entre israelenses e palestinos referente à devolução dos corpos dos militantes, mas que o pacto foi violado por Israel. Segundo o Procurador da Addameer em Jerusalém, o advogado Mohammad Mahmoud, uma família acertou com as autoridades israelenses a entrega do corpo do familiar, tendo pago NIS 30,000, aproximadamente 7.060 Euros. Porém, conforme afirmou Mahmoud, Israel não cumpriu com o combinado e apresentou uma nova condição para liberar o corpo, que incluía “confiscar os aparelhos celulares de todos os presentes até o final do sepultamento”.

Para as autoridades israelenses, estas medidas estão sendo tomadas para evitar o incitamento a novos ataques. O Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o Ministro de Segurança Pública, Gilad Erdan, ambos favoráveis ao atraso da devolução dos corpos dos militantes palestinos, acreditam que a medida evita que a massa que acompanha o funeral, como normalmente ocorre, peça o assassinato de israelenses. Ante tal situação, as autoridades palestinas e as ONGs visam mobilizar a comunidade internacional no sentido de pressionar o Governo israelense a devolver os corpos de Thaer Abu Ghazaleh, Hasan Manasrah, Baha Alayan, Alaa Abu Jamal, Mutaz Eiwaisat, Mohammad Nimer, Omar Iskafi, Abed al-Muhsen Hassouneh e Mohammad Abu Khalaf. A resolução deste impasse será decisiva para impedir a elevação dos ânimos na sociedade palestina e evitar, assim, mais violência entre os dois povos. Neste contexto, cabe à comunidade internacional intervir de modo imparcial em busca do entendimento entre israelenses e palestinos.

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ImagemMembros da Polícia palestina carregam os corpos de palestinos que, alegadamente, esfaquearam israelenses, depois de seus corpos terem sido liberados pelas tropas israelenses (Hebron, Cisjordânia, 30 de outubro de 2015)” (Fonte):

http://www.haaretz.com/polopoly_fs/1.683348.1446237933!/image/2403329072.jpg_gen/derivatives/headline_1218x685/2403329072.jpg

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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