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ONU declara 2014 como o Ano Internacional da Agricultura Familiar

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De acordo com o “Boletim de Agricultura Familiar” da “Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura” (FAO), 2014 será celebrado como o “Ano Internacional da Agricultura Familiar[1]. Segundo Salomon Macedo, chefe de políticas da FAO, a importância do tema serve para sensibilizar os Governos e a opinião pública sobre a importância e a contribuição da agricultura familiar para a segurança alimentar e a produção de alimentos. O Boletim[2] traz dados relevantes sobre a relevância da agricultura familiar como pilar da segurança alimentar regional, como parte das exportações agrícolas e como fonte de emprego formal.

Um exemplo do atual debate sobre segurança alimentar e o impacto da agricultura familiar, reside no “Projeto Pro Savana” – fruto da “Cooperação Triangular entre Brasil, Japão e Moçambique”. O Projeto foi inspirado na cooperação Brasil e Japão, no cerrado brasileiro, através da agricultura industrial de larga escala e de monocultura (principalmente a soja). De acordo com a “Carta Aberta” das organizações de Moçambique frente ao ProSavana[3], mais de 80% da população moçambicana tem como meio de sobrevivência a agricultura familiar, o que representa 90% da alimentação do país. Por essa razão, recomenda-se que os investimentos do Projeto deveriam ser direcionados para a agricultura e a economia camponesa, vista como a única agricultura capaz de criar empregos dignificantes e duradouros para conter o êxodo rural[4].

Recentemente, dois estudiosos do campo do desenvolvimento internacional, Adam Sneyd e Lauren Sneyd, chamaram a atenção sobre um assunto que tem tomado fôlego nos últimos anos: a crescente participação de firmas estrangeiras nas terras africanas, inclusive de países em desenvolvimento, tanto na expropriação de terras, quanto nos sistemas alimentares[5].

O assunto da busca por terras áridas em outros continentes não é algo novo nas “Relações Internacionais”, porém as aquisições de terras por parte dos países em desenvolvimento têm modificado as estruturas alimentares sobre o que se come nos países da África, quando ocorrem situações como o plantio de algodão ou cultivo da seringueira para produção de borracha, no lugar de produtos alimentícios.

No artigo, os autores focam em Camarões, onde há muita comida disponível para alimentar todos os cidadãos, mas que enfrenta uma alta nos preços, o que impede a aquisição de alimentos por parte da população. O dilema sobre esse debate consiste na balança entre mercados mais livres com ampla transformação da agricultura ou a intervenção estatal somada com o maior controle local sobre os alimentos.

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Imagens (Fontes):

Imagem 1:

http://4.bp.blogspot.com/-2pRdRolDEkE/Us3vSV7eVFI/AAAAAAAACrc/1BNh37AVBxU/s1600/ano+internacional++da+agricultura+familiar.JPG

Imagem 2:

https://cirandas.net/articles/0027/3745/ano-da-agricultura-familiar.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.onu.org.br/fao-anuncia-que-2014-sera-o-ano-internacional-da-agricultura-familiar/

[2] Ver:

http://www.rlc.fao.org/es/prensa/noticias/2014-sera-el-ano-internacional-de-la-agricultura-familiar/

[3] Ver:

http://www.fao.org/docrep/019/as189s/as189s.pdf

[4] Ver:

http://www.diarioliberdade.org/africaasia/laboral-economia/32438-pronunciamento-sobre-o-programa-pr%C3%B3-savana.html

[5] Ver:

http://thinkafricapress.com/agriculture/emerging-economies-occupying-african-food-systems

João Antônio dos Santos Lima - Colaborador Voluntário

Mestre em Ciência Política na Universidade Federal de Pernambuco e graduado em Relações Internacionais na Universidade Estadual da Paraíba. Tem experiência como Pesquisador no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no projeto da Cooperação Brasileira para o Desenvolvimento Internacional (Cobradi). Foi representante brasileiro no Capacity-Building Programme on Learning South-South Cooperation oferecido pelo think-tank Research and Information System for Developing Countries (RIS), na Índia; digital advocate no World Humanitarian Summit; e voluntário online do Programa de Voluntariado das Nações Unidas (UNV) no projeto "Desarrollar contenido de opinión en redes sociales sobre los ODS". Atualmente, mestrando em Development Evaluation and Management na Universidade da Antuérpia (Bélgica) e Embaixador Online do UNV na Plataforma socialprotection.org.

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