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ONU é chamada para evitar conflito entre forças iraquianas e forças curdas

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O Curdistão iraquiano está sendo obrigado a lidar com diversos obstáculos após a aprovação do Referendo acerca da independência daquela região em relação ao Iraque. Diante da possibilidade iminente de ver o Curdistão adotar medidas para declarar um Estado independente, o Governo central de Bagdá já adotou medidas drásticas para evitar a perda de território tão importante econômica e politicamente. Assim, além do embargo aéreo e econômico sofrido nos últimos dias, o Governo regional curdo prevê que os governantes iraquianos utilizem de força bélica para evitar o desmembramento de seu país.

Bandeira do Curdistão em Kirkuk

O Primeiro-Ministro curdo, Nechirvan Barzani, denunciou na semana passada o iminente engajamento de forças militares regulares iraquianas (de maioria xiita) e também da milícia xiita Hashd al-Shaabi, a qual é apoiada pelo Irã, cujo Governo professa a mesma ramificação islâmica.

Tais tropas, após já terem dominado vasta região do Curdistão, podem atacar locais da região de Mosul e estariam se aproximando da cidade curda de Kirkuk, importante centro econômico – principalmente devido à exploração petrolífera – com o objetivo de impedir a movimentação das tropas Peshmerga (as Forças Armadas Curdas), que pretendem garantir o processo de independência curdo.

Um eventual conflito envolvendo tais forças pode vir a tomar grandes proporções, já que as Peshmerga são reconhecidas por sua eficiência em combate, como demonstrado durante a campanha contra o grupo terrorista Estado Islâmico e outros conflitos regionais. Tal condição pode explicar a necessidade do auxílio prestado por parte da supracitada milícia xiita ao Exército iraquiano.

Com o emprego dos militares, o governo de Bagdá visa isolar o Curdistão iraquiano não só economicamente – tomando campos petrolíferos e outras posições vitais – mas também politicamente, de modo a demonstrar à comunidade internacional sua capacidade de intervenção diante da crise que se assoma.

Tal situação fez com que o Governo curdo tenha clamado a diversas entidades internacionais, mais notadamente à Organização das Nações Unidas, através de seu Conselho de Segurança, para que intervenham e impeçam que o conflito se alastre e chegue às vias militares.

Dentro de uma perspectiva mais ampla, percebe-se que o Referendo curdo e o processo de independência almejado pelo seu Governo seguem paralelamente ao que ocorre na Catalunha, região que procura deixar de pertencer à Espanha. Neste caso, porém, não se cogita a utilização da força por parte do Governo espanhol, o que, consequentemente, não causou nenhuma demanda junto a organizações internacionais, apesar de diversos países europeus já terem manifestado o não reconhecimento de uma eventual Catalunha independente.

O caso do Curdistão também envolve, obviamente, a questão do reconhecimento por parte de outras nações regionais. Entretanto, a situação no Oriente Médio transcende o nível político, envolvendo questões étnicas, religiosas e culturais de diferentes países, o que acaba por tornar a causa da independência curda muito mais complexa.

O Referendo curdo, portanto, foi só o início de uma campanha pró-independência em que os meios legais foram, aparentemente, mera formalidade. Assim, os fatores que poderão viabilizar a criação de um Estado curdo no Oriente Médio parecem depender, uma vez mais, do poderio bélico e de alianças étnico-religiosas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Nechirvan Idris Barzani, PrimeiroMinistro do Curdistão Iraquiano” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Nechirvan_Barzani#/media/File:Nechervan_Barzani_May_2014_(cropped).jpg

Imagem 2 Bandeira do Curdistão em Kirkuk” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Iraqi_Kurdistan_independence_referendum,_2017#/media/File:Sulaymaniyah-Kirkuk_Road.jpeg

João Gallegos Fiuza - Colaborador Voluntário

Bacharel em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul. Especialista em Gestão de Políticas Públicas pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, em Polícia Comunitária pela Universidade do Sul de Santa Catarina, em Gestão de Ensino a Distância pela Universidade Federal Fluminense, e em Estudos Islâmicos pelo Al Maktoum College of Higher Education (Reino Unido). Mestre em Segurança Internacional pela Universidade de Dundee (Reino Unido). Atualmente, é mestrando em Estudos Árabes pela Universidade de São Paulo. Pesquisa, principalmente, temas relacionados a conflitos no Oriente Médio e Europa, bem como a organizações criminosas transnacionais e terroristas. Professor de Criminalística no Curso de Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública da Academia de Polícia Militar do Barro Branco e Subchefe de Seção de Investigação da Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

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