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Após meses de enfrentamento, a Oposição síria resolveu chegar a um Acordo para buscar  unificação e apresentar-se como um Bloco diante do governo de Bashar Al-Assad. Reunidos no dia 27, terça-feira, em Istambul (Turquia), a maior parte dos representantes dos opositores no país resolveu reconhecer o “Conselho Nacional Sírio” (CNS) como o “representante formal”* e legal de todos. Abdulrasak Eid, um dos líderes participantes da Conferência declarou: “A conferência decidiu que o CNS é o interlocutor formal e o representante formal do povo sírio. (…). Está de acordo sobre o compromisso para a reestruturação do CNS e decidiu formar uma comissão preparatória para reescrever os regulamentos do CNS”.

 

O anúncio ainda não foi assinado pelos curdos, pois, segundo representante do “Conselho Nacional Curdo na Síria”, Talal Ibrahim Pacha al-Milli, não há uma referência direta a questão curda no país. Segundo os analistas, isto é algo que se explica pelo fato de os curdos desejarem independência, reunindo as comunidades existentes em território do Irã, Iraque, Síria e Turquia. Por isso, a questão curda é tratada com cuidados especiais e poderá levar a primeira cisão interna, após a queda do Regime.

A iniciativa veio no momento em que as pressões sobre o presidente Assad estão levando o Governo a trabalhar na resolução do Crise de forma negociada, mas não tem credibilidade para tanto e está recuando em suas promessas, mantendo a repressão e a violência**. Por isso, muitos observadores acreditam que, na realidade, o mandatário apenas deseja ganhar tempo.

Além disso, a tensão no país está no crescente de uma “guerra civil” o que necessitaria de um “centro de poder opositor” para dialogar com o mundo, já que a “comunidade internacional” está apoiando a Rebelião e busca maneiras de cooptar as posições russa e chinesa para garantir ao menos a aplicação das propostas apresentadas pela “Liga Árabe” e apoiadas pelas grandes potências ocidentais, já que russos e chineses estão bloqueando quaisquer possibilidades de sanções pelo “Conselho de Segurança da ONU” (CS da ONU).

Acreditam os analistas que as sugestões da Liga poderão garantir uma pressão constante sobre o Governo, ao ponto de obrigá-lo a dialogar, de constrangê-lo a renúncia, ou, no caso da manutenção das posições, garantir apoio internacional para que uma frente opositora pegue em armas, já que não haverá mais alternativa, tal qual tem sido sugerido por Estados árabes, principalmente a Arábia Saudita, que declarou de forma aberta a defesa do fornecimento de  armamentos aos manifestantes, tornando-os rebelados e dando um caráter de revolução aos movimentos que se iniciaram no primeiro semestre do ano passado (2011).

Diante deste quadro, a necessidade de unificação dos opositores vem sendo exigida pela “comunidade internacional”, com receio de que venha a ocorrer uma completa fragmentação no país, tal qual pode estar se dando na Líbia, mesmo que neste último país a formação de um Governo paralelo tenha sido o primeiro passo estratégico dos rebelados líbios. Observadores começam a convergir para a idéia de que isto está nos planos atuais da Oposição síria.

O discurso dos ocidentais é de que haja um respeito pelos “Direitos Humanos”, possível mediante a organização das respostas dos rebelados, que devem visar a substituição do Regime e não a implantação de um novo “estado de exceção” (a Síria se libertou desta condição no ano passado) com novos desrespeitos, mas agora direcionados aos partidários do “antigo regime”.

A secretária de Estado dos EUA, Hilary Clinton,  manifestou esta preocupação, diante do quadro atual em que grupos armados começam a se solidificar do lado opositor, mas eles não tem uma direção única e consolidada.

Hilary declarou antes da reunião ocorrida pelos opositores: “Eles devem ser capazes de demonstrar claramente um compromisso de incluir todos os sírios e proteger os direitos de todos os sírios. (…). Vamos pressioná-los muito para que apresentem tal visão em Istambul. Assim, temos muito trabalho a fazer de agora até domingo”***.

A situação também se mostra necessária diante do fato de o Governo ter mantido a violência contra os manifestantes, logo após ter declarado que aceitaria o “plano de paz” proposto pela “Liga Árabe”, no qual está incluído o retorno dos “Forças de Segurança” aos quartéis; a retirada de artilharia pesada e das tropas nos centros populacionais; a libertação de presos;  a retirada das restrições à assistência humanitária; a liberdade de deslocamento; o livre acesso aos jornalistas e o diálogo com a oposição.

Com esta da atitude, a falta de credibilidade já existente e em constante confirmação está levando à certeza de que não há como evitar a derrubada por meio das armas, o que exigirá comportamento harmônico dos rebeldes, senão o país poderá viver situação semelhante, ou pior do que a vivida hoje pela Líbia, na qual os grupos armados começam a confrontar o governo transitório, pedir independência de regiões e a combater entre si.

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Fontes:

* Ver:

http://www.dnoticias.pt/actualidade/mundo/316109-oposicao-siria-reconhece-cns-como-representante-formal-do-povo

Ver também:

http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=20120327233841&assunto=18&onde=Curinga

** Ver:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE82R04620120328

*** Ver:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE82Q0CH20120327

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Ver ainda:

http://www.midiamax.com/noticias/791017-onu+estima+mais+9+mil+civis+ja+morreram+siria.html

Ver ainda:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5689508-EI17594,00-Siria+opositores+pedem+que+Saraqeb+seja+declarada+zona+de+desastre.html

Ver ainda:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5689703-EI17594,00-Siria+rejeitara+qualquer+iniciativa+de+cupula+da+Liga+Arabe.html

Ver ainda:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5689638-EI17594,00-EUA+e+oposicao+siria+veem+com+ceticismo+o+recuo+de+Assad.html

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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