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[:pt]Organismos internacionais temem acentuação da recessão econômica em Angola[:]

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Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou uma nota sobre a futura conjuntura econômica angolana, projetando uma redução acelerada no crescimento do seu Produto Interno Bruto (PIB). A nota soma-se a uma série de projeções negativas para a economia de Angola, em crise pela abrupta perda de valor do petróleo no mercado mundial de commodities.

As previsões do FMI para este ano (2016) e para o ano de 2017 são de crescimento do PIB de 1,3% e de 2,1%, respectivamente. Os valores são significativamente menores se comparados à média de crescimento de 4,74%, nos últimos cinco anos, segundo dados do Banco Mundial.

Nós iremos conversar com as autoridades deste país para vermos o que podemos fazer neste momento, com o intuito de recuperar o crescimento econômico”, afirmou o economista brasileiro Ricardo Velloso, em anúncio a jornalistas angolanos e estrangeiros na semana passada. Ele lidera uma equipe de economistas do FMI que articula, desde junho deste ano, um programa de assistência ao Governo de Angola.

A queda nos preços internacionais do petróleo vem pondo em xeque a política econômica de José Eduardo dos Santos, constrangendo o orçamento governamental geral. A Sonangol, companhia estatal e principal detentora dos direitos de exploração de petróleo no país, reduziu a abrangência de suas operações a partir de uma reestruturação em seu corpo de trabalhadores e no portfólio de operações, dada a queda súbita de receitas. Segundo relatos de trabalhadores da companhia, há, inclusive, dificuldades de a empresa fornecer materiais básicos de limpeza dentro de suas instalações.

Concomitantemente às previsões negativas, na próxima semana Angola sediará o Fórum de Investimento Angola/China, desenvolvido pela Unidade Técnica para o Investimento Privado (UTIP), órgão chefiado pela Casa Civil. O Fórum terá como objetivo reforçar os laços comerciais entre o país africano e seu principal parceiro comercial, a China, destino de aproximadamente 51% das exportações angolanas, em 2014. Porém, dada a deterioração dos termos de troca angolanos, as permutas entre ambos países auferiram cifras consideravelmente menores entre janeiro-novembro de 2016 e janeiro-novembro de 2015.

Segundo os dados oficiais recém liberados, o câmbio comercial entre os dois países neste período caiu, aproximadamente, 29%. O dado revela o panorama de crise que se desenha no horizonte angolano, uma vez que há uma exorbitante dependência das suas exportações na exploração de petróleo. No longo prazo, faz-se necessária a diversificação da economia angolana, a fim de evitar com que choques nos preços internacionais das commodities impliquem em crises econômicas e aumento das taxas de pobreza no país.

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ImagemThe National Assembly building in Luanda, Angola, was built by a Portuguese company in 2013 at a cost of US$185 million” / “O edifício da Assembleia Nacional em Luanda, Angola, foi construído por uma empresa portuguesa em 2013, a um custo de 185 milhões de dólares” – Tradução Livre (FonteWikipedia):

https://en.wikipedia.org/wiki/National_Assembly_(Angola)

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Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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