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São negócios, e, às vezes, os negócios vão muito bem[1], comenta um homem em um bar na fronteira da Guatemala com o México sobre suas atividades de Tráfico de Migrantes ou como “coiote” (como são conhecidos os traficantes de migrantes na América Central e México).  O homem estava vestido como um migrante, mas falava como um empresário ao descrever “o envio” de milhares de dólares em “carga humana” desde bairros pobres em Honduras até povoados na Guatemala para grandes cidades nos Estados Unidos (EUA)[1].

O Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos anunciou em julho que cerca de 192 coiotes foram presos no Texas em uma operação contra o Tráfico de Migrantes na fronteira do México com os EUA[2]. Esta “Operação Coiote”, além de prender os traficantes, também já deteve 501 imigrantes sem documentos que haviam entrado ilegalmente em território norte-americano[2].

A alta procura pelos serviços dos coiotes está diretamente refletida na crise migratória na qual se encontram atualmente os países da região. Os traficantes de migrantes estão lucrando na América Central e estima-se que, anualmente, o negócio deles gere em torno de 6,6 bilhões de dólares[1]. Migrantes pagam entre 4 mil e 10 mil dólares cada um para a jornada ilegal por milhares de quilômetros nas mãos das redes de tráfico, as quais pagam para autoridades, gangues e cartéis de drogas para realizar a rota para o norte[1].

O aumento da violência provocado por gangues na região e a crise social/econômica leva muitos chefes de famílias a procurar oportunidades nos EUA e a economizar dinheiro para buscar seus filhos anos depois. É assim que milhares dos menores atualmente presos na crise migratória que vem se desencadeando acabam nas mãos desses traficantes.

Os Coiotes não somente são responsáveis por traficar os menores, mas também por espalhar rumores, afirmando que o processo é seguro, garantido o reencontro familiar e a permanência nos EUA.

O “trabalho” realizado por eles é apenas uma oportunidade e uma consequência da terrível situação social e de segurança que se encontra a região. A apreensão de traficantes de pessoas poderá dar uma enfraquecida no negócio, porém não irá solucionar o problema da migração ilegal. Relacionados com, e muitas vezes, parte de gangues e ou de grupos traficantes de drogas, os coiotes criaram um negócio ilegal lucrativo à custa das esperanças de milhares de pessoas.

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ImagemUm menino desce um trem utilizado pelos coiotes para o tráfico de migrantes através do México para os EUA” (Fonte):

http://www.washingtonpost.com/world/the_americas/migration-spotlights-mexican-coyote-smugglers/2014/07/21/10035a26-1148-11e4-ac56-773e54a65906_story.html

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.washingtonpost.com/world/the_americas/migration-spotlights-mexican-coyote-smugglers/2014/07/21/10035a26-1148-11e4-ac56-773e54a65906_story.html

[2] Ver:

http://elcomercio.pe/mundo/eeuu/eeuu-detuvo-192-coyotes-frontera-mexico-noticia-1744896?ref=nota_opinion&ft=mod_leatambien&e=titulo

Laura Elise Messinger - Colaboradora Voluntária Júnior 1

Mestre em Relações Internacionais- IHEID (Genebra, Suíça) e Mestre em Estudos Avançados de Organizações Internacionais- UZH (Zurique, Suíça). Bacharel em Relações Internacionais -Unilasalle (Canoas, RS), intercâmbio na UNICAH (Tegucigalpa, Honduras). Especialidades: direitos humanos, direito internacional humanitário, segurança e paz, democratização e América Central. Experiências profissionais: ONU (DPA- MSU), BID (segurança cidadã) e ONG Geneva Call – Suíça.

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