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[:pt]Os demais candidatos e partidos na Eleição Presidencial dos Estados Unidos[:]

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No curso da história americana, desde o século XIX, as eleições presidenciais nos Estados Unidos envolvem apenas candidatos do círculo político envolto pelos partidos Democrata e Republicano, os quais constituíram o ideal de nação e tiveram como precursores Andrew Jackson (1829 – 1837), como primeiro Presidente Democrata, e Abraham Lincoln (1861 – 1865), como o fundador e primeiro Presidente Republicano.

Essa polarização política iniciada há dois séculos é testemunhada nos mais recentes dias, com Hillary Clinton, pelo Partido Democrata, e Donald Trump, pelo partido Republicano, também conhecido como “Great Old Party” (GOP, na sigla em inglês), disputando o cargo de comandante-em-chefe da nação neste sufrágio de 2016.

No sistema eleitoral estadunidense há, contudo, um pequeno espaço para que partidos menores, pautados fortemente em propostas ideológicas, registrem as candidaturas e disputem uma ínfima fatia do eleitorado que, massivamente, tende a destinar o voto para as duas principais agremiações partidárias.

Nesse sentido, para o pleito de novembro próximo, surgem como alternativas a Clinton e Trump, nomes como: Gary Johnson, ex-governador do Novo México, pelo Partido Libertário; Jill Stein, médica e ativista social pelo Partido Verde; Darrell Castle (Tennessee), pelo Partido Constitucional dos Estados Unidos; Evan Mcmullin (Utah), pelos Independentes; Gloria LaRiva (California), pelo Partido do Socialismo e Libertação (PSL, na sigla em inglês); Rocky de la Fuente (Flórida); pelo Partido da Reforma; Emídio Soltysik (California), pelo Partido Socialista; e Alyson Kennedy (Illinois), pelo Partido dos Trabalhadores Socialistas (SWP, na sigla em inglês).

Com mais destaque nessa lista de candidatos, Gary Johnson surge como viável. Ele que governou o Novo México de 1995-2003 e, recentemente, foi CEO da Cannabis Sativa Inc., trazendo como propostas para algumas das questões mais discutidas ao longo da campanha presidencial, uma visão gerencial e pautada na cooperação e menor interferência do Estado. No que tange a China, esse candidato sugere maior cooperação e aprofundamento dos laços comerciais, em detrimento de uma geopolítica mais agressiva que poderia acentuar uma já predisposta corrida armamentista no pacífico sul. Sobre energia e alterações climáticas, Johnson pretende impor alguns esforços regulatórios, priorizando a proteção do meio ambiente, haja vista que, dentro de suas interpretações sobre o tema, insere a atividade humana como fator principal para o aquecimento global.

O candidato libertário ainda faz apontamentos sobre imigração, com uma proposta de receber bem todos aqueles que desejam contribuir para o crescimento do país. Deseja implementar políticas públicas que focarão em um programa de visto de trabalho que, acrescido de um cartão do seguro social, poderá contribuir com impostos.

No âmbito da política externa, a Rússia é um ator cujas instabilidades tem remodelado os entendimentos diplomáticos de médio e longo prazo. Nessa perspectiva, o candidato buscará reavaliar compromissos de segurança com os aliados através da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO na sigla em inglês), visando mitigar o que considera como sendo uma ameaça a leste do continente europeu.

Como outro destaque na lista de candidatos apontada, e com relevância na cena política alternativa dos Estados Unidos, surge Jill Stein, do Partido Verde, como membro eleita do Lexington Town Meeting para os anos de 2005 a 2009, embora tenha pouca experiência política.

Para as mesmas questões levantadas para candidato Libertário, Gary Johnson, Jill Stein oferece seu posicionamento. No âmbito da política externa para a China, propõe medidas que reorganizem os gastos militares, diminuindo os investimentos nessa área, e também dar sinalização pelos EUA de que poderia redirecionar ambas as economias a investir na conversão para energia verde, mitigando a crise do aquecimento global.

Como alternativa à ação diplomática que leva a um recrudescimento da ameaça chinesa, com maiores investimentos na área militar, investe no seu posicionamento quanto a políticas voltadas para a energia e alterações climáticas, para as quais a candidata do Partido Verde tem como premissa estratégica o chamado “New Deal Verde”, que visa à eliminação progressiva da produção e consumo de combustíveis fósseis nos Estados Unidos até 2030, assim como fechamento de todas as usinas nucleares. De acordo com a candidata, a estimativa é criar com essa nova estrutura enérgica 20 milhões de novos postos de trabalho.

Sobre imigração, entende a necessidade de uma reforma inclusiva, com a criação de um caminho para a cidadania, destinado a milhões de indocumentados que vivem nos Estados Unidos.

O tópico Rússia também é compreendido através da perspectiva sustentável, com diálogo e limitação das ações bélicas que potencializam as crises internacionais atuais, como as que ocorrem na Líbia, Iraque e Síria. Propõe ainda eliminar a dissuasão nuclear através da negociação direta com Moscou, limitando as armas nucleares e retirando armas estratégicas da Turquia e de outros países europeus.

Com diversidades ideológicas que possivelmente seriam pouco compreendidas em um país com polarização política que flutua apenas no centro, as candidaturas alternativas, ao seu tempo, têm como função demonstrar o comportamento do eleitorado estadunidense. Um exemplo claro desse posicionamento foi à necessidade de Hillary Clinton, para garantir a sua nomeação pelos democratas, ter que inclinar mais à esquerda nas propostas e estratégias de governança, em virtude do comportamento positivo da sociedade frente ao que foi apresentado por Bernie Sanders, concorrente nas primárias do Partido.

Esse movimento não garante grandes impactos na eleição de 2016, porém poderá, no futuro, impor novas agendas que democratas e republicanos terão que absorver para se manterem no tradicional controle do establishment político de Washington.

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Imagem (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/3/35/White_House_Front_Dusk_Alternate.jpg

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Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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