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[:pt]Os desafios da política comercial dos Estados Unidos na era Trump[:]

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No curso da campanha presidencial do ano de 2016, o magnata imobiliário Donald J. Trump cunhou o termo “Make America Great Again” como princípio base para devolver aos estadunidenses o protagonismo político-econômico que o candidato republicano interpretava que o país havia perdido.

Com a surpreendente vitória em novembro do último ano (2016), o novo Presidente lançou as bases para devolver a grandiosidade para os Estados Unidos através, inicialmente, de ordens executivas que reposicionaram os princípios de governabilidade com determinações distintas daquelas negociadas por seu antecessor, Barack Obama, em especial no que tange aos acordos comerciais, destacando-se o Trans-Pacific Partnership (TPP, na sigla em inglês), North America Free Trade Agreement (NAFTA, na sigla em inglês), dentre outros que Trump avalia como onerosos para o ambiente produtivo, de negócios e para a mão de obra da nação.

Com uma interpretação aparentemente excludente ao ambiente global de negócios, em que a concorrência externa espreme as empresas manufatureiras estadunidenses, apresentando como resultados perda de empregos e cessão de mercado às exportações asiáticas, o presidente Trump, de acordo com especialistas consultados, poderá revitalizar a política adotada pelo republicano Ronald Reagan na década de 1980, como contraponto as políticas comerciais atuais.

Os Acordos Plaza-Louvre negociados por Reagan junto com França, Alemanha Ocidental, Japão e Reino Unido forçaram o valor do dólar para baixo contra o Iene e o Deutsche Mark, favorecendo o realinhamento dos valores das moedas que culminaram na redução dos desequilíbrios nas contas correntes, preservando o sistema comercial global aberto, fatores estes que evitaram uma guerra comercial que poderia solapar a estrutura global de comércio findada desde o pós-Segunda Guerra Mundial, a qual foi fundamental para alavancar os países arruinados no conflito.

Ainda em complemento aos entendimentos de uma parcela de especialistas, as condições atuais são maduras para um novo acordo Plaza-Louvre, uma vez que os desequilíbrios globais das contas correntes e os desalinhamentos monetários são tão severos como nos tempos da administração Reagan.

Diante desse movimento econômico-comercial, uma vez o Presidente Trump optando pela redução dos déficits comerciais, haverá necessidade de aprofundar a relação com outros atores. A China pode ter razões econômicas para cooperar, porém, ao contrário do que fora visto no passado, o Japão e a Alemanha tratariam a questão com mais reticências, uma vez que os movimentos protecionistas nos discursos e tweets do mandatário republicano elucidam disposição para uma guerra comercial.

Contudo, há outras interpretações que apresentam cenário mais realista, através do emprego de outros instrumentos para a política comercial estadunidense, que poderão servir de bases para administração Trump desenhar seu modelo de retomada do protagonismo:

  1. Medidas corretivas, anti-dumping para combater práticas comerciais desleais;
  2. Comércio controlado, com cortes em acordos diretamente negociados com empresas a fim de reduzir as exportações para os EUA, ou limitar sua participação de mercado. Essa negociação geralmente é acompanhada por uma ameaça de novas barreiras se as empresas não cooperarem;
  3. Negociações bilaterais, um principio próximo daqueles confeccionados nos acordos Plaza-Louvre. Isso significa compelir a reciprocidade de países que são vistos como refratários a uma nova abertura estadunidense;
  4. Como último recurso, a imposição como ferramenta unilateral para controle das práticas comerciais, através de um sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (WTO, na sigla em inglês). Porém, esse movimento não impede os Estados Unidos de enfrentarem litígios na WTO por iniciativa das políticas protecionistas adotadas por Trump.

Ao conjecturar soluções para os entendimentos da administração Trump de perda de competitividade no cenário comercial internacional, a tendência protecionista idealizada pelo Presidente e seus assessores próximos apresenta inconsistências com as regras que os próprios Estados Unidos ajudaram a confeccionar, ou seja, as medidas protecionistas até aqui especuladas pela Casa Branca poderão não impulsionar a competitividade industrial, haja vista que diminuir sua participação em cooperação e impor tarifas as importações não estão diretamente relacionadas a novos empregos e retorno das fábricas do exterior.

Com a imposição de tarifas, possivelmente isso transformaria os EUA em um país de alto custo para insumos industriais, repelindo os empregos e, consequentemente, o consumo interno, e encorajaria o movimento que tentam evitar, de manutenção de uma produção offshore com vistas a mercados de exportação para assim manter a competição frente a produtos japoneses, alemães e chineses fora dos EUA.

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Imagem 1Trump falando na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), em 2015” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Political_positions_of_Donald_Trump#/media/File:Donald_Trump_by_Gage_Skidmore_3_(cropped).jpg

Imagem 2Reunião de ministros das finanças em 1985, no acordo que ficou conhecido como PlazaLouvre: Da esquerda para direita estão Gerhard Stoltenberg da Alemanha Ocidental, Pierre Bérégovoy da França, James A. Baker III dos Estados Unidos, Nigle Lawson da GrãBretanha e Noboru Takeshita do Japão” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Plaza_Accord#/media/File:Plaza_Accord_1985.jpg

Imagem 3Imagem da Embaixada da China nos EUA” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/China–United_States_relations#/media/File:Chinese_Embassy_Washington_3212.JPG

Imagem 4Centro William Rappard, sede da OMC em Genebra, Suíça” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Organização_Mundial_do_Comércio

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Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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