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Os Dilemas e os Desafios da Reconstrução de Gaza

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No último domingo, 12 de outubro, teve lugar, no Cairo, Egito, a Reunião de Cúpula de países doadores para a reconstrução de Gaza. Após mais de um mês de conflito entre Israel e o Hamas, durante o terceiro embate em 6 anos, a infraestrutura da Faixa de Gaza ficou gravemente comprometida. Estima-se que 18.000 casas foram destruídas[1], o que agravou a situação humanitária dos palestinos. A proposta palestina para a reconstrução de Gaza foi calculada em USD $ 4 bilhões[2], mas esta cifra foi superada pelos doadores que, segundo Borge Brende, Ministro das Relações Exteriores da Noruega, líder do grupo de países doadores, arrecadou-se USD $ 5,4 bilhões[3].

Para além do Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, e do Secretário de Estado Norte-Americano, John Kerry, foram convidados para a reunião os representantes dos principais países doadores, tais como a Alta Comissária de Política Externa da UE, Catherine Ashton; a Ministra das Relações Exteriores da Itália, Federica Mogherini; o Ministro das Relações Exteriores da Noruega; os Ministros das Relações Exteriores de mais de 10 Estados-Membros da UE e da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Bahrein, Kuwait, Qatar e Omã[4].

Apesar do sucesso inicial da reunião, ainda serão necessárias negociações que envolvem compromissos entre as lideranças israelenses e palestinas para que a reconstrução de Gaza prospere de modo eficaz e se evite a retomada do conflito. Israel não foi convidado para o encontro e esta questão foi tratada discretamente entre o gabinete do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu e a Presidência do Egito.

De acordo com um alto funcionário israelense, Abdel Fattah el-Sissi, Presidente do Egito, enviou uma mensagem pedindo a compreensão de Israel por não estar entre os convidados. O Egito se justificou afirmando que a presença dos israelenses poderia comprometer a participação dos países do Golfo, que são os principais financiadores da reconstrução. O Egito ainda acrescentou que a presença de Israel cancelaria a participação da Palestina[5].

Num primeiro momento, Israel rejeitou o fato de não ter sido incluído entre os convidados, tendo alegado que o assunto a ser tratado na reunião o envolveria e a sua ausência seria interpretada negativamente pela comunidade internacional, pois passaria a ideia de que o país estava disposto a aceitar silenciosamente a sua exclusão. As autoridades israelenses acrescentaram que Netanyahu já havia manifestado na Assembleia Geral da ONU o interesse em cooperar com os países árabes para avançar com o processo de paz com os palestinos. No entanto, o Primeiro-Ministro israelense acabou por ceder ao pedido do Egito[6].

Na sequência das negociações, Ban Ki-moon chegou, na passada segunda-feira, a Ramallah, na Cisjordânia, para uma visita de dois dias e para se reunir com as lideranças israelenses e palestinas, fazendo também uma visita à Faixa de Gaza. Ban diz ter esperança quanto ao fim do conflito e à reconstrução de Gaza. Porém, Rami Hamdallah, Primeiro-Ministro da Autoridade Nacional Palestina, fez a seguinte declaração: “É inconcebível pensar em reconstrução sem reabrir os postos de fronteira para permitir a entrada de produtos e materiais de construção[7].

As últimas negociações de paz entre Israel e a Palestina, mediadas pelos EUA, fracassaram em abril, em virtude de obstáculos que envolviam os dois contendores e que ainda persistem. Neste momento, no pós-conflito, a cúpula de países doadores está a tentar amenizar a situação em Gaza, que se encontra em estado deplorável. Sem condições econômico-financeiras e com a sua infraestrutura esfacelada, o enclave palestino passa, também, por problemas humanitários. Há o registro de que 110 mil moradores perderam as suas casas e, hoje, são sem-teto[8]. Espera-se que as negociações prosperem ante os desafios existentes e que a situação de Gaza seja normalizada com o objetivo de pôr fim à crise humanitária e ao agudizar do conflito entre Israel e a Palestina.

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Imagem Mulher palestina nos escombros de sua casa, destruída pelo conflito deste Verão” (Fonte):

https://ahiglobal.files.wordpress.com/2014/09/palestinian-rubble.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://english.al-akhbar.com/content/kerry-call-renewed-israeli-palestinian-talks-gaza-aid-expected-fall-short

[2] Ver:

http://english.al-akhbar.com/content/kerry-call-renewed-israeli-palestinian-talks-gaza-aid-expected-fall-short

[3] Ver:

http://www.jpost.com/Arab-Israeli-Conflict/Palestinian-Authority-PM-tells-UNs-Ban-Gaza-aid-not-effective-with-Israel-blockade-in-place-378729

[4] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/.premium-1.620281

[5] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/.premium-1.620281

[6] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/.premium-1.620281

[7] Ver:

http://www.jpost.com/Arab-Israeli-Conflict/Palestinian-Authority-PM-tells-UNs-Ban-Gaza-aid-not-effective-with-Israel-blockade-in-place-378729

[8] Ver:

http://www.maannews.net/eng/ViewDetails.aspx?ID=732324

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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