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Os efeitos da seca em Angola são anunciados em Conferência da ONU

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As mudanças climáticas trarão severos impactos no âmbito da alimentação e do cultivo de alimentos. Algumas das mudanças previstas já começam a demonstrar seus efeitos, principalmente no que tange à dinâmica da fome: segundo José Graziano da Silva, diretor executivo da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o número de famintos cresceu desde 2015, em boa medida devido às mudanças que vêm ocorrendo no clima.

O alarmante anúncio dado pelo brasileiro ocorreu na abertura da 40a Conferência da FAO, em Roma, na semana passada. Na ocasião, estiveram presentes várias autoridades políticas e atores civis para discutir temas como a fome, a oferta de alimentos, conflitos sociais envolvendo a disputa por terras e as mudanças climáticas.

Marcos Nhunga – Ministro da Agricultura de Angola

A participação do Ministro da Agricultura de Angola, Marcos Nhunga, chamou a atenção devido a divulgação dos impactos da seca neste país. Segundo os dados trazidos pelo Ministro, a seca crônica nas províncias de Huíla, Cunene e Namibe atingiu um milhão de pessoas, dando um prejuízo total às economias locais de, aproximadamente, 750 milhões de dólares.

A seca nessas províncias, situadas principalmente na região sul de Angola, principiou em 2010. A escassez de chuvas interfere na oferta de alimentos, trazendo consigo a elevação dos preços e, por consequência, dos índices de desnutrição. Segundo o Vice-governador de Cunene para o Setor Político e Social, José do Nascimento Veyelenge, somente para esta região 750 mil estão passando fome: “Este número subiu desde o ano passado [2016] e já estamos há três anos sem chuvas regulares”, ressaltou o Governador.

Durante o seu pronunciamento na 40a Conferência da FAO, Marcos Nhunga afirmou que o Governo angolano tem tomado medidas para a mitigação dos efeitos da seca. Uma delas é o Projeto de Desenvolvimento da Agricultura Familiar e Comercialização, o qual conta com o apoio de 70 milhões de dólares em financiamentos do Banco Mundial, até dezembro. O projeto visa promover a irrigação entre os agricultores familiares, aumentar a produtividade e facilitar a comercialização de alimentos.

No entanto, os esforços ainda são insuficientes, dado ser necessário um pouco mais de 450 milhões de dólares para a resolução da seca e dos problemas sociais e econômicos que acarreta. Além disso, não somente o volume de doações e apoio internacional deveria ocorrer em maior escala, mas também uma intensa orquestração entre o setor público e o privado em todas as nações para uma gradativa consecução de uma economia de baixo carbono – fato que mitigaria os efeitos instigados pelas mudanças climáticas em curso.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Efeitos da seca no solo” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:CSIRO_ScienceImage_607_Effects_of_Drought_on_the_Soil.jpg

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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