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[:pt]Os Estados Unidos de Donald Trump e a futura relação com a China[:]

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A repercussão sobre a vitória do republicano Donald Trump no pleito presidencial de novembro ainda é vista no ambiente sociopolítico dos Estados Unidos e pela comunidade internacional com muita cautela.

As diversas declarações e ponderações do magnata imobiliário em campanha trouxeram à luz dos debates políticos argumentos por vezes extremados sobre temas como a diferença racial, religiosa e de gênero, modelando uma visão que a história estadunidense tentou superar no curso de todo o século XX, mas que ressurgiu com força ao longo da campanha presidencial, criando um fator extra na sensação de incomodo com a nova gestão que irá tomar posse no início de 2017.

No que tange as ações além-fronteiras, as incertezas também permeiam as discussões dos principais aliados, em especial na Ásia, onde a manutenção da segurança, da estabilidade e da prosperidade está intimamente ligada a um ambiente cooperativo, no qual os Estados asseguram seus interesses nacionais através de parcerias.

Nesse sentido, a postura do Presidente eleito segue no sentido oposto, principalmente com a China, ao culpar o Governo de Beijing, por exemplo, pelos casos de ataques de hackers a órgãos do Governo central e até pelas questões envoltas a alterações climáticas, ao alegar que seria uma invenção chinesa para minar a competitividade dos Estados Unidos, assim como, ainda em campanha, projetou tarifação comercial de aproximadamente 45% sobre os produtos chineses que entrarem no mercado estadunidense.

No entanto, a visão do Partido Comunista Chinês, que determina as ações de política interna e externa do país, é dotada de uma postura prudente, evitando conclusões sobre políticas futuras do novo Presidente e ações prematuras que poderiam inflar as tensões em uma região cujos interesses são estratégicos para ambos os lados.

Diante desse quadro, um redirecionamento mais pragmático nas relações EUA-China, sugerido por alguns especialistas consultados, poderá ser redesenhado, em detrimento a narrativa construída pela administração Obama de reequilíbrio (também conhecido como Pivot para Ásia) de mais competição e menos cooperação, buscando aspectos de congruência e amplitude em detrimento da competição militar que permeou os últimos anos na região, principalmente quanto às tensões no Mar da China Meridional.

Essa nova abordagem deve começar com um esforço sutil pela via econômica, em que Beijing poderia reafirmar sua agenda de reformas que colocará o país novamente numa escala mais elevada, ou seja, propenso a aumentar o consumo que acarretaria na abertura de seus mercados às exportações, serviços e investimentos dos EUA, bem como possibilidades de crescimento na oferta de crédito e na cooperação para revitalização da infraestrutura do território norte-americano.

Outras recomendações que podem surgir na nova modalidade diplomática a ser desenvolvida na relação sino-americana estão centradas em tendências econômicas, políticas e regionais de longo prazo, com ações deliberadas por ambos os Estados em busca de um equilíbrio e compreensão continuada na Ásia, mitigando dificuldades e perigos para obtenção de uma sustentabilidade política regional.

Em complemento, há discussões em fase inicial que criariam um conjunto maior de entendimentos sobre segurança regional, dispositivos para considerar ajustes mais amplos para o fortalecimento da confiança, por meio de mecanismos de gerenciamento de crises e atividades de vigilância.

Ainda sobre essas prerrogativas de recomendação, as duas potências, somadas a outras economias regionais, deverão fortalecer seu crescimento econômico interno e aprofundar seus compromissos com o livre comércio. Uma integração de longo prazo dependerá da agenda de ambas as nações, pois essa arquitetura comercial comum idealizada em conjuntura poderia desenvolver acordo regional de livre comércio e conduzir uma diplomacia econômica mais ativa e focalizada nos EUA.

Apesar do quadro incerto para a nova política externa dos EUA para Ásia, analistas chineses parecem acreditar que a relação bilateral será melhor sob a administração Trump. O otimismo é baseado na premissa do pragmatismo e flexibilidade, duas qualidades que regem o mundo dos negócios, em contrapartida, a ideologia, os direitos humanos, a democracia e o anticomunismo deverão ter pouco impacto no pensamento de política externa do Presidente eleito.

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ImagemPresident Gerald Ford makes remarks at a Reciprocal Dinner in Beijing on December 4, 1975” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/China%E2%80%93United_States_relations#/media/File:President_Ford_makes_remarks_in_the_People%27s_Republic_of_China_-_NARA_-_7062599.jpg

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Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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