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Os Hackers do Estado Islâmico Planejam Intensificar a Atuação Contra o Ocidente

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O Estado Islâmico concentra hoje uma rede diversificada de operações que não se limita aos atos praticados pelos combatentes no terreno. Valendo-se da tecnologia, o grupo formou um sistema de informações que atende os interesses dos fundamentalistas, dentro e fora do Oriente Médio. Com pessoal altamente qualificado, os jihadistas criaram um novo campo de atuação a partir do ciberespaço, que vai além do recrutamento de novos adeptos. Atualmente, um grupo de hackers do Islã radical funciona como uma espécie de serviço secreto para o Estado Islâmico, ameaçando os Governos ocidentais. A Divisão de Hacking do Estado Islâmico (ISHD) [em inglês: Islamic State Hacking Division], em maio deste ano (2106), ameaçou expor os segredos militares da Grã-Bretanha, após ter publicado, na Internet, uma “lista negra” de pilotos de drones da Força Aérea dos EUA, com nomes, endereços e fotografias.

A ISHD foi dirigida por Junaid Hussein, um antigo hacker de computadores, de Birmingham, Inglaterra, morto durante o ataque de um drone norte-americano, na Síria, em agosto de 2015. Os hackers, que também se denominam Ciber Califado, divulgaram informações sobre mais de 54.000 contas do Twitter, tendo revelado dados pessoais e os telefones dos chefes da CIA, FBI e da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA). Segundo especialistas, os fatos nos levam a crer que estamos ante uma “perigosa escalada da guerra cibernética global”. A ISHD manteve-se em silêncio por um tempo, após a morte de Junaid Hussein, mas reapareceu em tom de provocação ao Ocidente, deixando a seguinte mensagem: “Precisamos de anos para publicar aquilo que temos. Vamos içar a nossa bandeira no coração da Europa”.

 A determinação da ISHD em trabalhar para o Estado Islâmico parece ilimitada, na medida em que cada ação corresponde a um chamado divino. Sally Jones, uma inglesa convertida ao islamismo, antiga rocker punk e mulher de Junaid Hussein, afirmou na ocasião do falecimento do marido sentir-se orgulhosa por ele ter sido morto “pelo maior inimigo de Alá”; ao mesmo tempo ela desafiou o Ocidente, ao declarar que “os Cruzados pensam que vencerão depois de nos matarem todos. Não nos vencerão”. A disposição da ISHD contra os Governos ocidentais está submetida à ideologia extremista do Estado Islâmico, cujo propósito é alcançar poder e, para isto, necessita de uma base material e social para se firmar, algo que os fundamentalistas têm alcançado dentro e fora do Oriente Médio.

Os hackers têm procurado atender os objetivos de Abu Bakr al-Baghdadi, obstinados em procurar satisfazer os interesses do Califa, garantindo-lhe o poder de que necessita e que “se materializa na ação que se estende à capacidade de domínio e execução de ações que se realizam a partir de um indivíduo que possui a autoridade de mandar e comandar determinadas situações[1]. Neste contexto, a ISHD constitui um pilar importante para o Estado Islâmico e, simultaneamente, mais um desafio para o Ocidente, que enfrenta uma ameaça que não se encontra apenas no plano real, mas também no espaço virtual.

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ImagemUma bandeira do Estado Islâmico ondula numa rua do campo de refugiados palestino de Ain alHilweh (19 de janeiro de 2016), depois de hackers daquele grupo insurgente terem atacado, pela primeira vez, um sítio web chinês [Universidade Tsinghua] (17 de janeiro de 2016)” (Fonte):

http://s.newsweek.com/sites/www.newsweek.com/files/2016/01/20/isis-hackers-china-university-tsinghua.jpg

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Fontes Bibliográficas:

[1] Ver:

DIAS, Marli Barros. Israel e Palestina: O Papel do Poder Político e da Ideologia na Construção da Paz. Curitiba: Juruá Editora, 2015, pág. 38.

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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