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Os interesses econômicos do futebol: Brasil e Suíça em comparação

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Desde que o Brasil foi escolhido como país sede da “Copa do Mundo FIFA 2014” e, consequentemente, tiveram início as inúmeras obras de infraestrutura necessárias para sediar este megaevento esportivo da mais alta visibilidade no cenário internacional, um dos pontos que mais têm gerado discussões, protestos e questionamentos nos meios de comunicação e na sociedade brasileira tem sido o concernente ao financiamento público para a construção e/ou reforma dos estádios a serem utilizados na “Copa do Mundo de 2014”.

Em que pese a colossal diferença na importância do futebol para o Brasil – país no qual este esporte, na visão de alguns estudiosos, assume ares de uma percuciente ferramenta da política externa governamental brasileira – e na deste mesmo esporte para a Suíça, alguns fatos recentemente divulgados pela mídia merecem destaque e estes dizem respeito, justamente, ao financiamento público outrora mencionado.

Ao se acessar o “Portal 2014”, site que reúne reportagens, artigos, análises, dados e as mais diversas notícias sobre os preparativos para “Copa do Mundo de 2014”, pode-se constatar os valores iniciais estimados para construção dos estádios, bem como o montante efetivamente aplicado até a presente data e o real custo final a ser demandado para o término das respectivas obras. Um exemplo citado é o da construção do estádio de abertura da “Copa do Mundo” – o popularmente denominado Itaquerão – que foi inicialmente orçado em R$ 820 milhões, mas que pode chegar a atingir o montante de R$ 1 bilhão. Quanto ao Maracanã, o montante inicialmente orçado para sua reforma mais que duplicou-se ao fim da mesma, ultrapassando o patamar de R$ 1 bilhão.

Contudo, o que se destaca nas obras de construção e/ou reforma dos estádios da “Copa 2014” é o fato de estas terem sido, em quase sua totalidade, financiadas com dinheiro público: mediante aportes do “Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social(BNDES); por intermédio dos orçamentos dos governos estaduais e das prefeituras; e, no caso de Brasília, com recursos provenientes do “Governo do Distrito Federal”. Do total de investimentos diretos nas obras dos 12 respectivos estádios das cidades sedes do megaevento futebolístico, até o momento totalizando R$ 7.107 bilhões, apenas cerca de R$ 820 milhões são provenientes da iniciativa privada. Destaca-se não ter havido a mínima ingerência da sociedade na aprovação de tais financiamentos.

Por outro lado, em Zurique (Suíça), diante da possibilidade de construção de um novo estádio, inteiramente dedicado ao futebol e com capacidade de 19 mil lugares, que demandaria um  financiamento público da ordem de SFr 216 milhões (franco suíços), os cidadãos de Zurique votaram, em um plebiscito que contou com a participação de 49,1% da população local, contrariamente ao uso do dinheiro público na construção de um novo estádio de futebol na cidade, tendo sido esta possibilidade rechaçada por cerca de 51% da população. Como justificativa para rejeição da proposta levantada alegou-se que as duas equipes de futebol residentes na cidade, ambas participantes da primeira divisão do campeonato suíço, já dispõem de um estádio com capacidade superior a 19 mil pessoas e que recursos públicos devem ter outra destinação.

Em suma, as reportagens em destaque abordam o diferente tratamento dado aos interesses econômicos do futebol no Brasil e na Suíça, não obstante a extrema diferença de complexidade entre ambos os países.

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ImagemOs Negócios do Futebol” (Fonte):

http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/esporte-executivo/

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Fontes consultadas:

Ver:

http://www.swissinfo.ch/por/politica_suica/Eleitores_dizem_nao_a_novo_estadio_de_futebol_em_Zurique.html?cid=36957978#comments36957978

Ver:

http://www.portal2014.org.br/

Mario Joplin - Colaborador Voluntário

Mestre em Relações Internacionais pela UERJ, Especialista em História das Relações Internacionais e Bacharel em Ciências Econômicas pela UFRJ. Possui experiência na área de Economia, com ênfase em Economia Política Internacional e Formação Econômica Brasileira. Foi bolsista de FAPERJ por um ano e Bolsista de Vocação para Diplomacia do Instituto Rio Branco (IRBr) por 4 (quatro) anos. Áreas de interesse: Esporte e Relações Internacionais; Diplomacia Futebolística; e Soft Power e Política Externa.

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