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O histórico aperto de mãos entre o presidente estadunidense Barack Obama e seu homônimo cubano, Raul Castro, no funeral de Nelson Mandela, em 2013, permitiu para aquela administração norte-americana iniciar um novo desenho da política externa dos EUA para Cuba, em detrimento da estratégia política, econômica e ideológica que isolou a ilha caribenha por mais de cinco décadas.

As pesquisas de opinião desenvolvidas pela Pew Research Center comprovaram ao longo do processo de aproximação EUA-Cuba que o apoio social dentro dos EUA conseguiu superar a visão polarizada que regia os termos da relação entre os dois países.

Para 63% dos estadunidenses entrevistados, a administração Obama tomou a decisão acertada, ao se reaproximar de Havana. Outros 66% acreditam que é necessário ir além e promover o fim do embargo comercial à ilha.

Presidente Obama e Raul Castro, no histórico aperto de mão no funeral do sul-africano Nelson Mandela

No entanto, há um grande ceticismo público de que o descongelamento nas relações levará a uma maior democracia em Cuba. Apenas 32% dizem acreditar na possibilidade de o país se tornar mais democrático, enquanto 60% afirmaram que a nova cooperação não surtirá efeito prático no âmbito do sistema político cubano.

No curso da retomada diplomática, outras pesquisas apontaram que o apoio maior vinha de democratas e independentes, 74% e 67%, respectivamente, com níveis similares de apoio para acabar com o embargo comercial. Em complemento, a restauração dos laços diplomáticos com o fim do embargo comercial era amplamente desejada.

Utilizando de recorte feito por meio de grupos demográficos, 62% dos brancos, 64% dos negros e 65% dos hispânicos aprovavam o restabelecimento do diálogo Havana-Washington, fator que fora seguido também por um apoio global, em especial na América Latina, mas também amplamente na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, que, em 2016, aprovou a vigésima quinta resolução, com 191 países membros condenando o embargo estadunidense.

Com a subida de Donald J. Trump ao posto de comandante-em-chefe norte-americano, o posicionamento da Casa Branca tomou outro rumo. Para o Presidente, as ações executivas liberalizantes de Obama culminariam em mais repressão e, para tanto, determinou que o Dept. do Tesouro e Comércio (U.S. Treasury and Commerce Departments) implementasse novas regulamentações, a citar: reinstalação da proibição de viagens individuais de cidadãos americanos a Cuba; a interrupção das transações econômicas envolvendo o conglomerado militar, Grupo de Administração Empresarial S.A (GAESA); além de confecção de relatórios regulares sobre o progresso dos direitos humanos na ilha; tal qual tratado no CEIRI NEWSPAPER.

Com o antigo cenário polarizado suprimindo o retorno de um diálogo progressivo, alguns líderes empresariais dos EUA e membros do Congresso criticaram a reversão político-diplomática, afirmando que ao isolar Cuba a situação econômica e política tende a sofrer um impacto negativo nos investimentos já realizados, em especial de empresas baseadas em território norte-americano, incluindo Google, Airbnb e Starwood Hotels & Resorts, que já iniciaram grandes investimentos na ilha.

Neste cenário de reversão e com uma administração Trump gozando de apoio nas duas casas legislativas no Capitólio, para analistas consultados, a probabilidade de queda do embargo comercial torna-se diminuta. A confirmar tal percepção, identifica-se que os legisladores republicanos na Casa dos Representantes e no Senado rotineiramente bloqueiam matérias que reverteriam o embargo.

Por outro lado, especialistas nas relações EUA-Cuba acreditam que a saída de Raul Castro em 2018 da Presidência poderá ser uma janela de oportunidade para o levantamento das restrições, além disso, o pedido formal feito por ele para eleições municipais, a ocorrerem outubro de 2017, é um indicativo de que o processo de substituição do líder cubano está em curso.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Reabertura da Embaixada dos EUA em Havana, em 14 de agosto de 2015” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/[email protected]/20391583478/in/photolist-x4Wcku-wpJk4n-wpziHA-r32ucT-wpJk42-jVtmPT-x4WcmS-xmC1n8-xkwAnh-qgjNW4-wpJk1r-wpziCL-afGP1A-x51mwN-x4UASL-x51b7E-x51b7u-8ztGWy-wpziEQ-x51mvW-x4UATC-nkbW1m-9udt2o-BJ7zAZ-pAKjbQ-snyVL5-k6aEAc-yA6xDo-kAMnF2-587CLQ-s6odcj-s8wX9Q-bBiLHB-dDUzJK-adTZ5L-rpwa83-pHpXuV-RtH8ug-8yAPSE-6JeFqv-rRdKMv-rPTSYr-s8BFv4-6wN2Dc-7hChns-s8BTV4-a5UyJK-mcsGZm-s8C3VP-odnhwN

Imagem 2Presidente Obama e Raul Castro, no histórico aperto de mão no funeral do sul-africano Nelson Mandela” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/[email protected]/11312374396/in/photolist-ieCSMS-ioY53d-ieCWkd-ioYPAK-ieD5S1-ioY9Dj-ieCGFi-ioY8om-ioZ2UT-ieD4ns-ioYprU-ioYk3V-ijoXSr-ijoXB6-894vYo-ioYisR-e9XN2z-jfsVt6-jfrnYB-TkchMj-iqieaj-ioYqBF-ioYamG-ikLZgi-ieD4jS-iatNn1-ioYMb4-ijoXdR-ib2CCs-ioY5vt-ioY8y3-iatP4S-ifmGQ3-ioYJkz-ioYefm-ioY9me-ioZ4Jp-ioYkCH-ioY4Ln-iau6P2-ioXYAx-ioZ3v2-ib2DtA-iatNP3-ioY7Dg-ioY7WG-ioY19T-ioY8bE-ioYfaD-ioYMGK

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Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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