LOADING

Type to search

Os protestos na Venezuela e a atuação da “Comunidade Internacional”

Share

Em 20 de fevereiro de 2014, data que marcou uma semana de protestos na Venezuela, diversos atores passaram a fazer parte importante da conjuntura política que marca os protestos no país. Se inicialmente as manifestações estavam restritas à sua jurisdição interna, essa situação passou a sofrer interferências externas, mediante os apelos de muitos dos manifestantes, em território nacional ou não, à Comunidade Internacional[1].

Segundo os teóricos de relações internacionais, há divergências com relação à existência ou não da “Comunidade Internacional”. Para aqueles que a consideram como uma variável importante em seus estudos, ela pode ser definida, de uma forma mais pragmática, como a ação de todos os países em conjunto, e mais especificamente, como a ação de todos os países e/ou atores com alguma influência no cenário internacional[2]. Desse último ponto de vista, quando observado o caso venezuelano tem-se como alguns exemplos de atores que compõem a Comunidade Internacional”: organizações internacionais, igrejas, meios de comunicação midiáticos e outros.

No primeiro caso, pode ser citada a “Organização dos Estados Americanos” (OEA). A sede da OEA foi um dos locais escolhidos por manifestantes da oposição ao atual presidente Nicolás Maduro, eleito em 14 de abril de 2013, durante os protestos pelas ruas de Caracas, ao longo dos últimos sete dias. Além desses, venezuelanos que residem nos “Estados Unidos” entregaram um documento, na sede da Organização, em Washington (Estados Unidos), no qual solicitavam a aplicação da “Carta Democrática Interamericana[3] em seu país, no qual está previsto o compromisso coletivo de fortalecer e preservar o sistema democrático, pacto que, segundo eles, não estaria sendo cumprido por seus representantes políticos[4].  

Outra solicitação foi feita à “Igreja Católica” por um grupo de estudantes organizados, que participaram dos protestos, para que ela fosse uma intermediadora e construísse pontes que contribuíssem à solução da crise política. Para tal tarefa, sugeriram a nomeação de um porta-voz da instituição que intercedesse por aqueles que participaram dos protestos nas ruas do país, sobretudo, nos locais onde houve conflitos com a polícia e/ou mortes[5].

Os eventos atraíram ainda a atenção dos meios de comunicação internacionais, tornando-o, um acontecimento midiático importante, nos últimos dias. Grandes agências de notícias como a “CNN Internacional” fizeram uma grande cobertura dos acontecimentos no país, que foram consideradas como parciais pelo presidente. Como consequência, a “Ministra de Comunicações”, Delzy Rodríguez, iniciou um processo administrativo para que a CNN, especialmente, não atuasse mais na Venezuela.

Apesar das solicitações de intervenção internacionais, o assunto continua a ser tratado como um problema de âmbito doméstico. Deste modo, com a apreensão de uma nova onda de protestos e marchas, o Presidente convocou a população para uma marcha pela paz a ser realizada nos próximos dias[7].

——————–

Imagem Caracas” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Valle_coche_Caracas.jpg

——————–

Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/02/140219_venezuela_lopez_quarta_pai.shtml

[2] Ver:

http://www.project-syndicate.org/commentary/defining-the-international-community-s-role-and-responsibility-by-michel-rocard/portuguese

[3] Ver:

http://www.oas.org/pt/democratic-charter/

[4] Ver:

http://noticias.alianzanews.com/187_america/2421510_venezolanos-protestan-ante-la-onu-y-la-oea-por-la-censura-y-la-violencia-en-su-pais.html

[5] Ver:

http://www.eluniversal.com/nacional-y-politica/140220/movimiento-estudiantil-exige-intermediacion-de-la-iglesia

[6] Ver:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/33992/protestos+na+venezuela+web+e+usada+para+difundir+imagens+falsas+ou+descontextualizadas+.shtml

[7] Ver:

http://www.prensalatina.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2381861&Itemid=1

Paula Gomes Moreira - Colaboradora Voluntária Sênior

Doutoranda em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília. Mestre em Relações Internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Bacharel e Licenciada em Ciências Sociais, com ênfase em Ciência Política. É assistente de pesquisa do Observatório Político Sul-Americano (OPSA-IESP/UERJ) e Desenvolve atividade de pesquisa no Grupo de Estudos Interdisciplinar de Fronteiras (GEIFRON), da Universidade Federal de Roraima (UFRR).

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!