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Os túneis subterrâneos finlandeses e a Rússia

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A Finlândia iniciou a construção de uma rede de túneis subterrâneos na década de 1960, com o objetivo de proporcionar uma conexão entre a área central de sua capital e a infraestrutura em ascensão. Posteriormente, o Plano Diretor de Helsinque contribuiu para a organização dos 9 milhões de metros cúbicos que abrigam 400 instalações diversas abertas ao público.

Os túneis no subsolo finlandês despertaram debates sobre a segurança do Estado e, novamente, emerge no cenário o receio por uma suposta invasão russa no país. A principal razão finlandesa é a realização da ZAPAD 2017, que se constitui em exercícios militares anuais feitos pela Rússia e a Bielorrússia, durante a qual se contemplará grande movimentação militar nos territórios dos atores em questão.

Muro do Kremlin, em Moscou

A politização da questão dos túneis recorre a argumentos de que os mesmos poderiam abrigar toda a população de Helsinque, cerca de 600 mil habitantes, em caso de conflito bélico, e possibilitaria aos militares finlandeses opções vantajosas de garantir a defesa do país. O Jornal Daily Mail trouxe o comentário do especialista de segurança cibernética da Universidade de Aalto, Jarno Limnell, o qual afirmou: “Mais do que olhar para o que acontecerá durante o exercício, estamos mais interessados ​​no que acontecerá depois e teremos certeza de que as tropas realmente se vão embora. 

Em contrapartida, os russos mantêm o discurso de que o Estado não possui planos de ofensiva contra seus vizinhos. Nesta perspectiva, o Jornal Sputnik News trouxe o comentário do especialista militar do Jornal Komsomolskaya Pravda, Viktor Barenets, o qual salientou: “A ativa e total propaganda ocidental de ‘agressão militar russa’ nos últimos tempos gerou uma espécie de ‘esquizofrenia social’ na Noruega e na Suécia, e, hoje, está sendo espalhada pela Finlândia. Faz-me rir as declarações dos políticos e generais finlandeses de que a Rússia, supostamente, tem planos de bombardear Helsinque”.

No que tange a pauta, analisa-se que a rede de túneis subterrâneos em Helsinque é um grande feito que muito contribui para o desenvolvimento da capital finlandesa e para o próprio treinamento de seus militares, a partir da lógica de guerrilha urbana. Entretanto, a persistência na crença de uma possível invasão da Rússia à Finlândia e o uso dos túneis para proteção de civis parece ser irreal, seja pela carência de razões sólidas de Moscou na ação, seja pela potência de armamentos atuais. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 A praça do Senado, Helsinque” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0a/Senate_Square_-_Senaatintori_-_Senatstorget%2C_Helsinki%2C_Finland.jpg

Imagem 2 Muro do Kremlin, em Moscou” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/04/Moscou_-_Kremlin_wall_on_Moscova_%2801%29.jpg/1280px-Moscou_-_Kremlin_wall_on_Moscova_%2801%29.jpg

Bruno Veillard - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Política (PPG-SP), e Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro vinculado a Universidade Cândido Mendes (IUPERJ/UCAM). Atua na produção de notas analíticas e análises conjunturais na área de política internacional com ênfase nos países Nórdico-Bálticos e Rússia.

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