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Os valores projetados pela China nas relações internacionais

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Como vem sendo disseminado na mídia internacional, a ascensão chinesa perpassa não apenas o campo da geopolítica e da economia, mas se projeta para a questão dos valores e do modelo de governança para se reger uma nação. Neste sentido, torna-se relevante que examinemos a visão de mundo e/ou o referencial ideológico projetado pela China na política internacional.

Uma importante contribuição reside no arcabouço conceitual dos cinco (5) princípios da coexistência pacífica, concebidos no seio do movimento terceiro-mundista, no ano de 1954, na conjuntura dos movimentos de descolonização e da Conferência de Bandung (1955). Os princípios foram cunhados pelos primeiros ministros da Índia e da China, Jawaharlal Nehru e Zhou Enlai, respectivamente.

Bandeira estilizada da República Popular da China

Os Princípios da Coexistência Pacífica são: 1) Respeito mútuo pela integridade territorial e soberania; 2) Não agressão mútua; 3) Não interferência nos assuntos internos de outros Estados; 4) Igualdade e cooperação para benefícios mútuos e, por fim, 5) coexistência pacífica. Estas ideias surgiram para guiar os processos de socialização conduzidos pelos Estados do então movimento terceiro-mundista. A conjuntura global mudou drasticamente desde a sua criação, não obstante, a política chinesa continua a enfatizar estes princípios.

Resumidamente, o arcabouço ideológico projetado pela China tem cinco pontos: 1) enfatiza a ética e os princípios morais; 2) vê o desenvolvimento, com ênfase para a construção de infraestrutura, como o caminho para a paz e estabilidade; 3) não interferência nos assuntos internos de outros Estados, cada sociedade deve poder decidir acerca do seu regime político e o seu caminho de desenvolvimento; 4) Prima pela estabilidade e a coletividade (valores da sociedade chinesa) acima dos interesses individuais de cada cidadão; 5) busca pela paz e ênfase no respeito à hierarquia, sobretudo no nível das estruturas político-sociais.

A noção da centralidade da promoção do desenvolvimento econômico é um ponto frequentemente enfatizado pelas autoridades oficiais do país, apresentando-se como um elemento de continuidade desde Deng Xiaoping (Chefe de Estado do país de 1978-1992). Por fim, o discurso do atual mandatário Xi Jinping enfatiza a possibilidade de ganhos mútuos (win-win cooperation) e o estabelecimento de uma comunidade de destino comum, exemplos que demonstram a voluntariedade da China de exercer um papel mais significativo para o ordenamento global, assim como para o seu espaço geoestratégico regional, à medida que avança a sua ascensão econômica.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Território da China sobreposto sobre o mapa mundi” (Fonte):

https://pixabay.com/pt/china-mapa-china-mapa-%C3%A1sia-pa%C3%ADs-2965333/

Imagem 2 Bandeira estilizada da República Popular da China” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/[email protected]/7378023376

                                                                         

Ricardo Kotz - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atuando na linha de Economia Política Internacional. Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2015.

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