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OTAN realiza maior exercício militar no Leste Europeu desde a Guerra Fria

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Na última segunda-feira, 6 de junho, milhares de soldados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) chegaram à Polônia para participar do maior exercício militar da Organização no Leste Europeu, desde a época da Guerra Fria. Nos próximos 10 dias, essas manobras militares, conhecida como Anakonda, que acontecem a cada dois anos, envolverão cerca de 3 mil veículos militares, 105 aviões, 12 navios de guerra, além de aproximadamente 31 mil soldados de 24 países. Sendo que, desses, aproximadamente 14 mil homens são dos Estados Unidos da América (EUA), 12 mil da Polônia e cerca de 800 soldados são do Reino Unido. Também participarão dos exercícios soldados de alguns países que não são membros da aliança, como a Finlândia e Kosovo, e ainda de países que compunham a ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), tais como a Ucrânia.

Conforme discursos de abertura, os exercícios objetivam testar a cooperação entre os Comandos aliados e as tropas, em resposta a possíveis ameaças militares, químicas e cibernéticas. Segundo comunicado do Exército dos Estados Unidos, essas manobras tem como finalidade simular em grande escala uma operação conjunta de caráter defensivo. Assim, a Anakonda iniciou em Drawsko Pomorskie, na região noroeste da Polônia, com exercícios promovidos por cerca de 1.150 paraquedistas e envolveu ainda ações sobre o rio Vístula.

De acordo com a Organização, as manobras visam reforçar a segurança regional, em meio à crescente influência da Rússia na área. Para Antoni Macierewicz, ministro da Defesa da Polônia, os exercícios tem como objetivo averiguar as capacidades da OTAN em defender as frentes do leste. Ainda, segundo comunicado do Exército dos EUA, a ampla participação norte-americana visa demostrar o apoio à aliança e aos países membros, a fim de garantir que esses continuem livres e independentes.

Embora Jens Stoltenberg, Secretário-Geral da OTAN, tenha destacado durante a cerimônia de abertura que a Rússia é o maior vizinho e que é necessário trabalhar em conjunto para combater possíveis ameaças à região, as ações promovidas pela OTAN e pelos EUA, como envio de equipamentos militares, aumento dos treinamentos e exercícios e a criação de uma Força-Tarefa da OTAN, tem como propósito justamente frustrar qualquer atividade russa nessa região.

Desde a crise na Criméia, em março de 2014, uma das justificativas recorrentes para o aumento da presença da aliança no leste Europeu refere-se a uma possível ameaça promovida pela Rússia, em virtude do apoio dado aos separatistas no leste da Ucrânia. Além disso, a Rússia tem sido responsabilizada pelo aumento das tensões na região, devido à sua crescente presença no Mar Báltico, e por violar o espaço aéreo de países vizinhos, como ocorreu em abril, na Estônia.

Em contrapartida, conforme declarações de Sergei Lavrov, Ministro das Relações Exteriores da Rússia, a situação na Ucrânia tem sido utilizada como desculpa para justificar a expansão da OTAN, mas pontuou que o seu país pretende responder à aliança e ao crescente aumento das atividades dos EUA na região, próxima a fronteiras russas. Autoridades russas tem reforçado que a expansão da OTAN e o aumento dos exercícios não contribuem para construção de um ambiente confiável. Ao contrário, para Dmitry Peskov, Porta-Voz de Vladimir Putin, Presidente da Rússia, esses exercícios contribuem para a diminuição da confiança mútua. Nesse sentido, vale destacar que há algum tempo o Governo russo vem manifestando seu descontentamento com a expansão da aliança sobre sua antiga área de influência, ressaltando que, em 1997, a OTAN se comprometeu a não instalar bases permanentes nos países que integravam a ex-URSS. Compete pontuar ainda que, no mês passado (maio), os EUA inauguraram na Romênia uma das fases do Escudo Antimíssil, o que já vinha aumentando as tensões entre os países da aliança e a Rússia.

Paralelamente à Anakonda, ocorre BALTOPS 2016, que são manobras anfíbias em grande escala, e que estão ocorrendo desde o dia 4 de junho no mar Báltico, envolvendo forças de 17 países e cerca de 6 mil homens. Essas manobras ocorrem justamente um mês antes da Conferência da Cúpula da OTAN, em Varsóvia, que terá em sua pauta o aumento da presença militar da Organização, com o estabelecimento na Polônia de quase 5 mil homens provenientes da Alemanha, Grã-Bretanha e EUA.

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Imagem (Fonte):

http://br.sputniknews.com/mundo/20160608/4982377/otan-humanidade-guerra-mundial.html

Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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