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Outro iraquiano pode ser o novo líder do Estado Islâmico

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No dia 28 de maio, o líder da organização terrorista Estado Islâmico (EI), Abu Bakr al-Baghdadi, teria sido morto por forças russas na cidade de Raqqa, no norte da Síria, oportunidade na qual outros 330 terroristas também teriam sido mortos em um ataque aéreo. A morte de Baghdadi, ainda que não tenha sido confirmada, acaba por reacender a questão quanto a quem o sucederia na liderança do grupo.

A maior probabilidade é de que um dos dois principais colaboradores acabaria por se tornar o novo líder do autoproclamado califado islâmico. Iyad al-Obaidi e Ayad al-Jumaili, ambos iraquianos – como o próprio Baghdadi – teriam as maiores chances de nomeação, principalmente devido ao fato de que os dois já desempenham funções chaves dentro da organização, como ministro da guerra e chefe da agência de segurança, respectivamente.

al-Baghdadi detido no Iraque em 2004

Um ponto importante envolvendo estes possíveis sucessores é de que ambos já foram oficiais militares de alto escalão das forças armadas iraquianas durante o regime de Saddam Hussein. Ao contrário de Baghdadi, cuja formação é majoritariamente acadêmica e religiosa, os dois oficiais em questão conhecem bem a estrutura e o funcionamento do aparato militar do Iraque, o que pode ser fundamental neste momento, uma vez que se desenrola na região da cidade de Mosul (ao norte do Iraque) uma das mais importantes companhas militares para a retomada de território sob o domínio do Estado Islâmico. É possível, inclusive, que haja certa influência de Obaidi e de Jumaili junto às forças regulares iraquianas, devido a laços culturais, étnicos e religiosos entre estes e muitos militares.

Contudo, outro fator relevante é o fato de que os oficiais tenham servido ao partido político Baath enquanto serviam ao governo de Saddam. A identificação com tal partido, de viés socialista e presente em diversos países do Oriente Médio, pode acabar por atrair apoio de diversos grupos junto ao Estado Islâmico, o que significaria maior influxo de recursos financeiros, logísticos e militares, em razão das questões políticas envolvidas na campanha militar que visa derrotar o EI.

Aguarda-se, portanto, a confirmação da morte do atual líder terrorista, e isso também traz outro importante elemento político: em caso positivo, o principal objetivo do Governo russo no envolvimento no conflito sírio – o combate ao terrorismo – teria sido justificado. Percebe-se, deste modo, que a morte de Baghdadi teria sobretudo um peso político no conflito sírio, já que pode tanto beneficiar a Rússia quanto permitir novo apoio ao Estado Islâmico. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Aspecto da cidade de Qayyarah, na região de Mosul, durante retirada do Estado Islâmico” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mosul_offensive_(2016)#/media/File:Cityscape_of_Qayyarah_town_on_fire.The_Mosul_District,_Northern_Iraq,_Western_Asia._09_November,_2016.jpg

Imagem 2 alBaghdadi detido no Iraque em 2004” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Abu_Bakr_al-Baghdadi#/media/File:Mugshot_of_Abu_Bakr_al-Baghdadi,_2004.jpg

João Gallegos Fiuza - Colaborador Voluntário

Bacharel em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul. Especialista em Gestão de Políticas Públicas pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, em Polícia Comunitária pela Universidade do Sul de Santa Catarina, em Gestão de Ensino a Distância pela Universidade Federal Fluminense, e em Estudos Islâmicos pelo Al Maktoum College of Higher Education (Reino Unido). Mestre em Segurança Internacional pela Universidade de Dundee (Reino Unido). Atualmente, é mestrando em Estudos Árabes pela Universidade de São Paulo. Pesquisa, principalmente, temas relacionados a conflitos no Oriente Médio e Europa, bem como a organizações criminosas transnacionais e terroristas. Professor de Criminalística no Curso de Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública da Academia de Polícia Militar do Barro Branco e Subchefe de Seção de Investigação da Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

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