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Desde as últimas eleições na Espanha, no dia 26 de junho deste ano (2016), Mariano Rajoy, líder do Partido Popular e vencedor das duas últimas eleições, tenta pactuar com os demais partidos no intuito de obter a maioria necessária no Parlamento e, assim, assumir o cargo de Presidente, o qual, mesmo após suas duas vitória, nunca chegou a ocupar, devido à falta de consenso dos políticos espanhóis e ao sistema parlamentar que rege o país, não havendo maioria de votos que apoiem a sua investidura.

Por um lado, a Espanha superou a crise econômica que pairava sobre sua economia desde 2008, havendo ainda alguns resquícios dela, tais como o aumento da pobreza e o elevado índice de desemprego, mas o PIB do país cresce desde 2015, acima da média da Zona Euro, principalmente graças às medidas de austeridade implementadas pelo Governo de Mariano Rajoy. Por outro lado, os problemas derivados dessas medidas gerou uma profunda crise política, marcada por diversos casos de corrupção protagonizadas pelo partido da Presidência, fazendo com o que o país permaneça sem Presidente instituído, desde dezembro de 2015, sendo Mariano Rajoy apenas o Presidente em funções.

O Rei Felipe VI teve de intervir em diversos momentos durante as negociações, tanto após o resultado das eleições de dezembro de 2015, como após as segundas eleições, realizadas em junho de 2016, com o intuito de gerar o consenso necessário para a aprovação do Presidente espanhol no Parlamento. Ainda assim, o processo tem sido lento e difícil.

Em uma tentativa de evitar uma terceira eleição, o líder de direita do Partido Popular negocia com os demais partidos a criação de uma aliança focada na restauração da Espanha, motivada, principalmente, pelo projeto separatista da Catalunha e pelo desgaste das instituições espanholas.

Seu maior desafio é convencer ao segundo e terceiro colocados nas eleições (Pedro Sanchez, do Partido Socialista Obreiro Espanhol, e Pablo Iglesias, do Partido Podemos, ambos líderes de esquerda, que, juntos, somam mais votos que o próprio Partido Popular) a liberar os votos no Parlamento ou a se absterem durante a votação. Por outro lado, tenta convencer ao partido Cidadãos – quarto colocado nas eleições e representante da nova direita espanhola – a formar uma aliança e, juntos, somarem 169 dos 176 votos necessários para a investidura de Mariano.

O líder do partido Cidadãos, Albert Rivera, finalmente cedeu nas negociações e formou uma aliança com o Partido Popular, mas com a condição de que um pacote anticorrupção fosse assinado e colocado em prática o mais rápido possível.

Este pacote anticorrupção espanhol contempla medidas importantes, tais como:

– Fim do Foro Privilegiado.

– Afastamento imediato de qualquer político sob investigação até a conclusão da mesma.

– Possibilidade de apenas 2 mandatos.

– Eliminar indultos para políticos acusados de corrupção ou crimes públicos.

– Criação de uma CPI para investigar o financiamento do Partido Popular.

– Fim do voto secreto e das listas parlamentares secretas.

O Documento, na íntegra, foi assinado no Congresso de deputados de Madrid e disponibilizado para o público. Ainda assim, somente entrará em vigor quando Mariano Rajoy for investido no cargo de Presidente.

A Espanha, assim como muitos países na América Latina, enfrenta o reflexo das crises dos últimos anos e o desgaste político causado pela corrupção e pelas medidas de contenção do gasto público, que afetaram a qualidade de vida das pessoas, criando um impasse entre a ação política e as reivindicações sociais.

Independentemente disso, a posição dos analistas converge para a convicção de que as políticas de luta contra a corrupção são, sem dúvidas, a principal pauta para garantir a volta da estabilidade social, o fortalecimento das instituições e a governabilidade do país.

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Imagem (Fonte):

https://4.bp.blogspot.com/-9OFJnGoUMtw/VqvoxCATRcI/AAAAAAAABOw/eJdIu4HgP9M/s1600/1417204848_980203_1417301374_noticia_normal.png

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Wesley S.T Guerra - Colaborador Voluntário Sênior

Atua como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.

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1 Comments

  1. tototoykids 8 de setembro de 2016

    Espanha vai ganhar belgica em dias sem governo. Parece uma paródia youtube, até os princesas acusados e politicos que parecem Peppa Pig.

    Responder

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