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Países da África Subsaariana fortalecem Relações Sul-Sul

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No jogo internacional de forças, a chamada Relação SulSul – usualmente denominada como as relações econômicas e acordos políticos estabelecidos entre países emergentes – desponta cada vez mais como uma via de relacionamento alternativa à Norte-Sul.

Esta última, que por tantas vezes deixa claro a discrepância econômica entre os países desenvolvidos e os emergentes, se vê ameaçada pela ascensão rápida da primeira. Ainda que a relação SulSul tampouco se trate de uma relação totalmente igualitária, pois há um iminente desequilíbrio de poder em relações, por exemplo, entre a China e os países da África Subsaariana, tal discrepância é menos acentuada e representa a estes países uma alternativa rumo ao desenvolvimento econômico.

No último sábado (11 de julho), este tipo de relação deu mais uma demonstração de força crescente no continente africano. Em comemoração ao 40° aniversário das relações diplomáticas entre Angola e Rússia, quatro navios de guerra russos atracaram no porto de Luanda[1].

Mais do que o evento em si é o seu significado que importa. Os navios de guerra atracados em solo angolano apresentam-se como uma estratégia do Kremlin em expandir as suas conexões com os países em desenvolvimento, em especial com as principais forças subsaarianas. Esta estratégia, por sua vez, se torna cada vez mais importante a partir da Guerra da Crimeia, onde o relacionamento entre  a Rússia e as demais nações da OCDE se fragilizou, devido ao posicionamento russo no conflito.

Ao Governo angolano, este evento é mais uma etapa de um crescente relacionamento político com importantes potências emergentes. Por exemplo: atualmente, a China – país que recebeu 61% das exportações angolanas em 2012[2] – ocupa significativa importância na agenda política angolana. Em junho deste ano (2015), o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, viajou à China ao encontro de Xi Jinping, em uma viagem de cinco dias de duração[3].

A própria formação do Novo Banco de Desenvolvimento – que voltou a ser debatido na semana passada no encontro do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) na cidade de Ufá, na Rússia [4] – ilustra o crescente posicionamento das Relações SulSul no cenário global. Ao debaterem sobre uma nova instituição financeira para o desenvolvimento econômico ao redor do mundo, os países emergentes dão um sinal claro da vontade política de criar instituições que desafiem o tradicional domínio de organizações como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. Se esta nova bipolaridade proporcionará os resultados sociais esperados, é algo que deverá ser acompanhado nos próximos anos.

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Imagem (Fonte – MIT Open Course):

http://ocw.mit.edu/courses/urban-studies-and-planning/11-701-introduction-to-planning-institutional-processes-in-developing-countries-fall-2003/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver Jornal de Angola:

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/navios_de_guerra_russos_no_porto_de_luanda

[2] Ver Observatório de Complexidade Econômica:

https://atlas.media.mit.edu/en/explore/tree_map/hs/export/ago/show/all/2012/

[3] Ver Jornal de Angola:

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/presidente_da_republica_regressa_a_luanda

[4] Ver BRICS Meeting:

http://ufa2015.com/brics/

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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