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Panamá corta relações com Taiwan/Formosa em favor da China

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No dia 12 de junho de 2017, os governos do Panamá e China anunciaram o estabelecimento de relações diplomáticas de alto nível, bem como o rompimento dos contatos oficiais entre a República do Panamá e Taiwan. De acordo com o comunicado publicado conjuntamente: “O Governo da República do Panamá reconhece a existência de apenas uma China no mundo, o Governo da República Popular da China é o único governo legítimo que representa toda a China, sendo Taiwan uma parte inalienável do território chinês. O governo da República do Panamá corta suas relações diplomáticas com Taiwan e se compromete a deixar todos os contatos e relações oficiais com o país”.

Navio Transportador de Container da empresa chinesa China Ocean Shipping Company (COSCO, sigla em inglês)

A decisão panamenha surpreendeu a comunidade internacional. Em dezembro de 2016, o Vice-Ministro das Relações Exteriores do país, Luis Miguel Hincapie, afirmou à agência de notícias Reuters que “as relações com Taiwan estão ótimas, em excelentes condições como sempre”. Por conta disso, o Ministro de Relações Exteriores taiwanês manifestou indignação em relação à decisão do antigo aliado. No entanto, o atual Presidente panamenho, Juan Carlos Varela, afirmou estar convencido de que se juntar as 174 nações que reconhecem o governo de Beijing como único representante legítimo da China é o caminho certo para o Panamá. Após a resolução, apenas 20 países ainda mantêm relações diplomáticas oficiais com Formosa.

O Canal do Panamá

Do ponto de vista panamenho, especialistas consideram que a aproximação com a China é impulsionada essencialmente por motivos econômicos. O fato da embarcação da companhia China Ocean Shipping Company (COSCO, sigla em inglês) ter sido a primeira a atravessar o novo Canal do Panamá após o término de sua ampliação simboliza o adensamento das relações entre os dois países. Nesse contexto, Wang Yi, Ministro das Relações Exteriores chinês afirmou que o estabelecimento de laços diplomáticos entre as duas nações irá permitir a ampliação da cooperação bilateral no âmbito do comércio e investimentos. Além disso, de acordo com Jorge Quijano, chefe executivo da Autoridade do Canal do Panamá, as empresas China Harbour Engineering e China Railway Group manifestaram interesse em desenvolver projetos de infraestrutura nos arredores do canal. 

No que tange às relações diplomáticas entre China e Taiwan, analistas indicam que elas estão se deteriorando desde a eleição da presidente Tsai Ing-wen, em maio de 2016. Em junho do mesmo ano, Beijing suspendeu o contato oficial com Taipei em função da recusa da líder taiwanesa de adotar o conceito de unidade da nação chinesa. Dessa maneira, alguns especialistas sugerem que a busca pelos aliados remanescentes da ilha é parte da estratégia chinesa para isolar diplomaticamente a administração de Tsai Ing-wen. Nota-se que, além do Panamá, Gâmbia e São Tomé e Príncipe também deixaram de reconhecer Taiwan/Formosa em favor da China, em 2016.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente de Taiwan, Tsai Ingwen, e o Presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, se encontraram em Taipei em 2016” (Fonte):

http://media.president.gov.tw/EN/Image/1/Panama-20160520-20170601

Imagem 2Navio Transportador de Container da empresa chinesa China Ocean Shipping Company (COSCO, sigla em inglês)” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:COSCO_Beijing_(ship,_2006)_004.jpg

Imagem 3O Canal do Panamá” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/Panama_Canal#/media/File:Ship_passing_through_Panama_Canal_01.jpg

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Pedro Brancher - Colaborador Voluntário

Doutorando em Ciência Política pela Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Mestre em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pesquisa nas áreas de Segurança Internacional, Economia Política Internacional e Política Externa Brasileira. Como colaborador do CEIRI Newspaper escreve sobre Ásia, especialmente sobre China, país em que residiu durante um ano e que é seu objeto de estudo desde 2013.

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