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[:pt]Panorama acerca do triângulo estratégico entre China, Índia e Estados Unidos[:]

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Desde o ano de 2001 a China tem implementado a estratégia de projeção econômica denominada “Go Global. Inicialmente, o país investiu na consolidação de redes de comercialização em seu entorno regional. Com o tempo, a estratégia foi se aprofundando à medida que as empresas estatais da China começaram a investir em outras regiões, sobretudo visando a construção de obras de infraestrutura e o acesso a mercados que pudessem prover recursos naturais, tais como gás e petróleo. Mais recentemente, os investimentos chineses no exterior passaram a ser realizados por empresas privadas e empresas público-privadas, mediante a aquisição de companhias estrangeiras.

Acompanhando a sua trajetória econômica, a China tem projetado poder e influência geopolítica na esfera regional asiática. As áreas da Ásia Central e Ásia Meridional são imediatamente contíguas e representam importantes focos das ações iniciais do projeto estratégico da Nova Rota da Seda (One Belt, One Road). A posição da Índia frente a este projeto permanece ambígua, ao passo que o país não declara aberta oposição, mas pretende manter a sua zona de influência no Oceano Índico, que poderá se encontrar ameaçada, na medida em que avançam os projetos da Rota da Seda Marítima e se aprofunda a criação do Corredor Econômico entre China e Paquistão, país com o qual a Índia possui históricas disputas territoriais.

Na perspectiva dos Estados Unidos, existem visões que sugerem o fortalecimento das relações com a Índia, visando realizar o balanceamento da ascensão chinesa rumo a Ásia Central e Ásia Meridional. Outros analistas afirmam que a Índia ainda não possui capacidades materiais para realizar o balanceamento da segurança regional frente à China, e que os Estados Unidos deveriam tentar realizar um acordo com Pequim.

A posição dos Estados Unidos de contenção da ascensão chinesa não se limita ao espaço da massa continental Eurasiática. Eles direcionaram a sua política de Pivô para a Ásia em uma tentativa de conter a projeção chinesa no sudeste asiático e manter a sua forte presença nesta região, uma vez que isso se mostra necessário, pois, no Mar do Sul da China, local por onde passam anualmente mercadorias que representam um valor de comércio de US$ 5 trilhões, está ocorrendo uma importante situação de instabilidade política, ligada a reivindicação chinesa do controle de territórios como as ilhas Paracel.

Observa-se que, diante deste panorama, o projeto da Nova Rota da Seda ocorre em oposição ao Pivô Asiático dos Estados Unidos. As rotas comerciais estabelecidas sob a estratégia One Belt One Road proporcionam acesso a novos mercados, além de possibilitar o escoamento da produção chinesa, reduzindo a dependência do país em relação às rotas que passam pelo Mar do Sul da China. Nesse sentido, a posição da Índia neste triângulo estratégico deverá ser definida pelos seguintes fatores: a sua capacidade de continuar mantendo um ritmo estável de crescimento e industrialização; a trajetória das relações do país com os Estados Unidos – seja em aproximação ou retração; e o modo como avançarem os rumos da cooperação entre China e Paquistão.

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ImagemLocalização de Índia e China” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c5/India_China_Locator.svg/2000px-India_China_Locator.svg.png

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Ricardo Kotz - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atuando na linha de Economia Política Internacional. Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2015.

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